30 de agosto de 2011

ROMA, só que ao contrário

Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
(Someone Like You - Adele)

Estranho, e eu já deveria ter dito isso há tempos, eu, que tanto disse, por mais que não saísse de qualquer realidade, amar-te por tanto tempo, cujo ainda não teria chegado. E que - e nós mal sabíamos disso - nunca chegaria. Às vezes, ou melhor dizendo, centenas de vezes idealizei um amanhã próximo. Próximo tanto quanto eu era de você. Do que eu era para você. Quase nada. Triste, posso dizer também - e digo com lágrimas nos olhos e com o coração nas mãos, aquelas com que você costumava brincar -, o quão nada nós fomos juntos. Agradecer-te-ia se mais feliz fizeste de mim que solitária. Um tanto solitária. E não importava se estava ao meu lado, beijando-me a testa - cuja você nunca ousou encostar os lábios - ou se estava aí, como sempre esteve. Mesmo que quebrássemos a lei da física que diz que dois corpos não ocupam o mesmo lugar, eu continuaria solitária. E penso, logo que deito a noite, naquela cama em que costumavamos passar horas e horas do nosso dia, o quão sozinha eu era. E penso, assim que acordo, livrei-me da solidão. E, diga-se de passagem, livrei-me de algo além da solidão. Dizem por aí que o amor vem devagarinho, empurrando tristezas e tomando o lugar da mágoa. Que ele chega de mansinho, te cerca de um lado, do outro, e quando você vê, é o prisioneiro mais querido dele. E então você se vê em uma daquelas prisões que permanecem com as grades abertas o tempo inteiro e, mesmo com tudo para fugir, você não foge. Você fica. Você permanece e vive esse sentimento como se não houvesse outro, como se fosse a primeira e última vez. Muitas vezes é a primeira, outras é a última, mas é sempre da mesma forma. É sempre amor, por mais diferente que ele seja, inúmeras itensidades, jeitos e cores, é sempre igual. Talvez tenha sido amor. Os lençóis amassados jogados ao chão, a caixa de pizza pela metade no sofá e uns recadinhos na mesa de centro devem ter significado algo. Tanto para mim como para você. Semanas atrás, diria que mais para mim. Acho que hoje, para ninguém mais. Sei lá se foi amor, afinal, chegou tão de súbito, tão desesperadamente-de-súbito. E foi assim, mais desesperadamente ainda. Estranho, retorno a dizer - agora com um certo sorriso nos lábios e com a cama arrumada -, o quão o amor é. Ele vem, vai, fica e certas vezes finge que vem, mas na verdade nunca nem ao menos existiu. Forte, fraco, pouco, muito ou nada. Tudo. Beijos, abraços, telefones desligados ou ocupados, cama desarrumada, pizza jogada, roupas pela casa, preocupações e até um certo sentimento - cujo ainda não descobri o nome e devo comunicar que não irei procurar por -, mas não amor.  Foi tanto, nada, quase tudo. Foi. Conjugação do verbo ir, no passado. Se antes já não era amor, juro que não sei o que é agora. Talvez uma nova conjugação de um verbo ainda não descoberto. Um verbo diferente, com tudo que se tem direito, mas diferente de amar.

21 de agosto de 2011

found my way

Eu quero encontrar um caminho, que seja meu. Que torne-se o meu para sempre, que refaça minha vida um tanto de pernas para o ar. Que me mostre novas escolhas e pessoas, e até sentimentos. Mas que esconda de mim o mais bonito. Que mantenha-me distante de todo e qualquer afeto a toda e qualquer pessoa. Ponha-me dentro de um relógio, daqueles em que um dos carneirinhos se escondeu para o lobo não achá-lo, para que o amor não me encontre também. E que dê certo, para que eu possa sobreviver e poder, um dia, contar como foi esconder-me do mais temido sentimento de todos. Que meu novo caminho mostre-me novos afluentes. E que meus novos afluentes levem-me a um rio imenso, daqueles que você não consegue enxergar o fim, daqueles em que seus olhos se perdem e seus lábios sorriem sem querer. Que meu novo caminho não me desaponte, me decepcione ou me faça sofrer. Que me faça sorrir sem motivos e rir dos mais bobos. Que meu caminho me mostre que não preciso de um motivo para levantar toda manhã, mas que me faça ver que o motivo sou eu. Que meu caminho me arranque segredos, risadas e roupas. Que me mostre novos gostos, manias e lugares. Que faça-me sentir que é realmente meu e que para sempre será. Um caminho que abra novas portas, ou até mesmo velhas, não me importo muito. Mas que abra. Que me surpreenda, que leve-me a jardins lindos e que ponha uma flor atrás da minha orelha. Um caminho que, quando eu me esconder do amor, puxe-me para perto, encoste minha cabeça em seu peito, prometa-me e realmente fique ao meu lado para sempre. Que meu caminho sorria para mim com amor nos olhos ao invés de brilho. Que abrace-me apertado para me proteger, ou só me arraste para debaixo das cobertas mesmo. Que meu caminho esteja comigo, mesmo longe. Que me arraste para todo e qualquer lugar, que cubra toda noite e diga bem no meu ouvido que tudo vai ficar bem. Que o sol vai nascer de manhã, por mais nublado que o dia tenha sido. Que eu não tenha que procurá-lo, que ele permaneça comigo o tempo todo e que não deixe me perder pela vida. Que quando houver alguma pedra, distraia-me para outro lado para que eu não tropece. E caso eu tropeçar, que torne-se macio para não me machucar. Que meu caminho continue me amando e que continue sendo você, como sempre foi.