E aquele sorriso fraco, de lado, mas que ainda faziam meus olhos brilharem. Daqueles brilhos que iluminam a alma, sabe? Aquela alma que nem mais alma é, só tem corpo, espírito - o que é? Daqueles fins de amigos, não-quero-machucar-te-mais. Daqueles fins assim, que nos fazem querer dormir e acordar quando tudo tiver mesmo um fim. Daqueles fins definitivos, que doem, que mostram pra alma que acabou, que é preciso continuar vivendo. Aqueles fins de verdade, com adeus e lágrimas, ou um "a gente se vê por ai", mesmo sabendo que nunca nos veremos outra vez.
Precisamos mais destes fins. Fins doces não são fins. Fim é uma coisa pra doer, pra marcar na alma e pra passar depois de algumas noites afogada em lágrimas e copos de vodka, e engasgada com comprimidos pra dormir. Esses fins doem constantemente, e não há vodka que o faca passar. Esses fins de namorados doces, bem assim como você, esses doem tanto, anjo. Dói por não saber o que fazer, como agir ou o que falar. Dói quando o encontro na rua, dois sorrisos e um aceno. Que tipo de fim é o nosso? Daqueles fins que doem pra sempre. Um pra sempre tão longo que, puxa, parece que não vai haver fim. E talvez dessa vez não haja mesmo.
Eu sentia profunda falta dos fins que machucaram e passaram, assim, num bater de asas de um beija-flor. Porque, afinal, doeram, porém passaram. Esse fim que fica, que demora, assim como a terra demora pra girar em torno de si mesma. Trezentos e sei la quantos dias e uns quebradinhos de horas. Só que multiplicado por mil. Faz a conta ai, é tanto tempo que eu poderia salvar o mundo desse caos todo. Mas nem a maior ocupação do mundo faria deixar de doer essa constante lembrança do adeus que você deu.
Já tentei por vezes esquecer, mas quanto mais eu tento, fica tão mais nítido. Aquele fim assim, tão de súbito como foi, como aqueles fins de verão, que você nunca quer que acabe. Ou como eu prefiro, os fins de inverno. Daqueles invernos gélidos e cinzas, tais como Londres. Ah, Londres, traga-me um pouco dessa sua melancolia, desse seu ar feliz-barra-melancólico, desse seu céu cor de adeus. Das suas árvores cor de esperança e seus fins de tarde cor de saudade.
Ah, Londres, quisera eu ter tudo isso. Um dia chuvoso, cinza, uma pitada de esperanças e fins de tardes. Uma mistura de cores que até me faria sorrir. Na verdade, acho que o fim é meio isso, uma mistura de cores confusas que doem, não importa se for doce ou amargo, sempre dói. Aqueles fins que são pra sempre, todos eles.