27 de maio de 2011

Querida lua...

Isso, ou melhor, tudo começa com uma ou qualquer coisa. As vezes um sorriso, outras um abraço. Certas vezes um riso, outras um amasso. Um beijo, um olhar. Outras com um cheiro, um sussurrar. De coisas infinitas à limitadas. De limitadas a tudo-o-que-eu-sempre-quis. Dessas coisas que eu sempre almejei, acabar tendo nada. Ou duas mãos vazias por tanto querer e nada ter, nunca. E pensar, questionar, sinto que algumas vezes nem a mim mesmo eu tenho. E penso, outra vez -  adoro pensar, imaginar, questionar, lembrar, seja lá o que for que mantenha-me longe da realidade, mais perto de você - há alguma coisa esperando-me do outro lado da porta? Um vai-ficar-tudo-bem. Ou até mesmo um está-na-hora-de-desistir. Eu desistiria, se fosse realmente pra desistir. Porém creio que não seja, não sinto como se fosse. Sinto que queres tanto quanto eu. Tanto quando nós. Eu e ele. Sei que tu gostas disso que chamam de amor. A vista deve ser linda daí de cima, não é? Imagino como seria ver tudo daí, os casais à beira do mar à meia noite; as estrelas-do-mar de manhãzinha na praia; os beijos apaixonados que eles dão, como se fosse ser pra sempre. Disse que me amava. Sim, ele. A senhora sabe, machucou-me tanto que eu não sei. Explica-me, por favor, o que está acontecendo. Quando fecho os olhos e penso em seguir em frente dói como se tivesse deixando para trás parte de mim. Vivi tanto tempo sem parte de mim, que creio que não suporte mais. A senhora sabe, tão bem quanto eu ou qualquer outro, não aguentaria conviver como se metade do meu corpo, incluindo coração e outros órgãos vitais, não estivessem comigo. Concorde comigo, não há vida sem um coração. Digo-lhe, baseando-me nisso, não viveria sem ele. Por isso e por tantas outras coisas encontro-me aqui, deitada nessa grama verdinha do meu jardim, olhando o céu como se a noite nunca fosse ter fim, como se isso nunca fosse ter fim. As estrelas artificiais do meu quarto já nem brilham mais, apaguei a luz faz tempo. Logo, vim pra cá, as de verdade brilham, não aos meus olhos, posso garantir, mas talvez nos dele. Nos meus, bom, já nem cores existem mais. Tudo tão preto e branco, nem cinza, preto e branco. Tudo tão confuso. Penso que a uns cinquenta ou sessenta anos atrás tudo seria mais fácil, sei lá, só acho. Não, não pergunte-me porquê, sinto como se tivesse sido. Talvez se minha época fosse aquela, poderia observar mais as estrelas que tanto venero. Ah, não é por causa dessa poluição toda, não, talvez até seja, só que pela poluição dos meus olhos marejados de pensamentos tão bons, menina, tão bons que chega à uma nostalgia tão grande. Dói tanto se quer pensar em momentos que tive, que vivi e revivi em minha mente e que nunca mais terei de volta. Vou adormecer aqui, menina lua, diário das minhas madrugadas, tudo naquele quarto lembra momentos tão bons que creio que não conseguirei ao menos fechar os olhos. Faça-me companhia, lua, tenho me sentido muito sozinha sem o causador da minha alegria, das minhas lágrimas e utopias. Fique aqui, lua, cuide de mim só essa noite, talvez ele volte amanhã pela manhã. Só espere comigo. Não se importa de esperar, não é mesmo? Mesmo que dure para sempre? Mesmo que esperar signifique escutar-me, todas as noites, questionar por quê ele nunca voltou? Mesmo que esse esperar seja eterno, lua? Mesmo que... 

"At night when the stars
Light up my room
I sit by myself
Talking to the moon"
(Talking to The Moon - Bruno Mars)

5 de maio de 2011

Fear of feel fear

Eu tenho vinte e um anos disto, de tentar formar palavras que descrevam o significado de um sentimento que eu insisto em ter. Que eu insisto em sentir. Tenho vinte e um anos de um amor inigualável por um alguém que me ama  tanto, que me daria o céu se eu pedisse, bem aqui, dentro da minha cabeça. Vinte e um anos de uma incerteza profunda sobre o que sinto, o que pensas e o que vivemos. Essas incertezas que nos tiram o sono, dessa insônia profunda e aterrorizante. Desses terrores sem bicho papão ou mulas sem cabeça, aqueles terrores piores, tal como o amanhã ou a incerteza de um fim. Terrores até parecidos como esses bichos que não deixam nossos filhos dormirem, mas os nossos medos, medos de adultos, medos que são reais. Medos que, uma hora ou outra, pode até ser agora mesmo, vão chegar. Vão tirar teu sono, vão te criar lágrimas e, às vezes, até um sorriso de mentirinha, daqueles que a gente sorri só pra não ter que explicar nossos medos, simplesmente porque não sabemos como fazê-lo. Penso, na maioria das vezes, se é normal sentir medo. Esses medos que há quem diga que são inúteis, que são infantis. Penso se sou frágil demais ou são eles que se acham fortes o suficiente pra dizer o que sinto. Não são de nada, essas pessoas. Tenho medo, muitas vezes, de sentir medo. E, outrora, medo de sentir medo do medo. Tudo por causa daqueles que riem somente porque sinto. Mas eles nada sentem, não é mesmo? Tenho medo de tanta coisa, meu anjo, que as vezes me certifico que estou acordada ou em um pesadelo. Daqueles que você corre o tempo inteiro, grita e pede ajuda, e nada vem. Seus pés não se movem, seus gritos não passam do pensamento e sua ajuda nunca chega. Um dia tive medo da noite, faz tempo, eu mal sabia que um dia a noite seria minha unica companheira. Tenho vinte e um anos e tenho medo, não nego. Medo de perder meu pai, de ficar só, mais até do que já sou. Tenho medo do amanhã, pode ser aquele daqui a alguns anos ou aquele amanhã que chega com o sol. Algumas vezes, só algumas, tenho medo de altura, mas um dia ainda observo Londres do lugar mais alto de lá. Sim, lá mesmo, na imensa roda gigante. Já tive medo de amar tanto Londres, mas ela é tão parecida comigo. Aquele céu quietinho, cinza. Aquelas árvores às vezes despidas. Aquele ar de melancolia que todo mundo precisa ao menos uma vez na vida, mas que eu preciso quase sempre. Tenho medo de levantar da cama toda manhã e não saber o que vai acontecer até eu me deitar. Tenho medo de cantar bem alto e não ser alto o suficiente para que eu me sinta melhor. Sentir isso - o medo - é meio engraçado, muitas vezes é ruim, a maioria delas, porém muitas vezes, o medo é a unica coisa que nos mantém vivos. Hoje é meu aniversário. Tenho vinte e dois anos e uma unica certeza: tenho medo de um dia não sentir mais medo.