5 de maio de 2011

Fear of feel fear

Eu tenho vinte e um anos disto, de tentar formar palavras que descrevam o significado de um sentimento que eu insisto em ter. Que eu insisto em sentir. Tenho vinte e um anos de um amor inigualável por um alguém que me ama  tanto, que me daria o céu se eu pedisse, bem aqui, dentro da minha cabeça. Vinte e um anos de uma incerteza profunda sobre o que sinto, o que pensas e o que vivemos. Essas incertezas que nos tiram o sono, dessa insônia profunda e aterrorizante. Desses terrores sem bicho papão ou mulas sem cabeça, aqueles terrores piores, tal como o amanhã ou a incerteza de um fim. Terrores até parecidos como esses bichos que não deixam nossos filhos dormirem, mas os nossos medos, medos de adultos, medos que são reais. Medos que, uma hora ou outra, pode até ser agora mesmo, vão chegar. Vão tirar teu sono, vão te criar lágrimas e, às vezes, até um sorriso de mentirinha, daqueles que a gente sorri só pra não ter que explicar nossos medos, simplesmente porque não sabemos como fazê-lo. Penso, na maioria das vezes, se é normal sentir medo. Esses medos que há quem diga que são inúteis, que são infantis. Penso se sou frágil demais ou são eles que se acham fortes o suficiente pra dizer o que sinto. Não são de nada, essas pessoas. Tenho medo, muitas vezes, de sentir medo. E, outrora, medo de sentir medo do medo. Tudo por causa daqueles que riem somente porque sinto. Mas eles nada sentem, não é mesmo? Tenho medo de tanta coisa, meu anjo, que as vezes me certifico que estou acordada ou em um pesadelo. Daqueles que você corre o tempo inteiro, grita e pede ajuda, e nada vem. Seus pés não se movem, seus gritos não passam do pensamento e sua ajuda nunca chega. Um dia tive medo da noite, faz tempo, eu mal sabia que um dia a noite seria minha unica companheira. Tenho vinte e um anos e tenho medo, não nego. Medo de perder meu pai, de ficar só, mais até do que já sou. Tenho medo do amanhã, pode ser aquele daqui a alguns anos ou aquele amanhã que chega com o sol. Algumas vezes, só algumas, tenho medo de altura, mas um dia ainda observo Londres do lugar mais alto de lá. Sim, lá mesmo, na imensa roda gigante. Já tive medo de amar tanto Londres, mas ela é tão parecida comigo. Aquele céu quietinho, cinza. Aquelas árvores às vezes despidas. Aquele ar de melancolia que todo mundo precisa ao menos uma vez na vida, mas que eu preciso quase sempre. Tenho medo de levantar da cama toda manhã e não saber o que vai acontecer até eu me deitar. Tenho medo de cantar bem alto e não ser alto o suficiente para que eu me sinta melhor. Sentir isso - o medo - é meio engraçado, muitas vezes é ruim, a maioria delas, porém muitas vezes, o medo é a unica coisa que nos mantém vivos. Hoje é meu aniversário. Tenho vinte e dois anos e uma unica certeza: tenho medo de um dia não sentir mais medo.