14 de setembro de 2012

aquarela de amor


essa morena
de dia pequena
de noite serena
me faz só cantar
cantigas de amores
sem dores, só mar
essa morena
de noite tão bela
de dia aquarela
que pinto no ar 

12 de setembro de 2012

abrigo de mim

Vicente chegou e pôs seus sapatos cheios de terra sobre a mesa de centro. Pegou um cigarro com dificuldade do bolso do paletó e tirou o isqueiro do bolso traseiro do jeans surrado. Acendeu o cigarro e tragou, jogando a fumaça no ar.
_ Sabe o que é? - começou. Eu o olhei confusa, apertei os olhos e os lábios um no outro. - O tempo lá fora não anda nada bem, nada bem. - tragou, novamente, o cigarro. - E eu venho precisando de um abrigo, sabe? Um abrigo que me abrigue, não um albergue de uma noite só. Um abrigo que me proteja, noite e dia, faça chuva ou sol, arco-íris ou casamento de viúva. - riu com sua frase idiota. Pegou o cigarro por entre o indicador e o polegar e o olhou, pondo na boca novamente - Sabe o que é? - ele me olhou nos olhos. Tragou o cigarro e jogou a fumaça em meu rosto - Tô precisando mesmo é de você.

infindo amor pintado a óleo

Veja só, meu bem, o céu dia desses me lembrou você. E eu me deixei derramar lágrimas sobre o parapeito da janela. O céu parecia tela pintada a óleo e o quarto, de um breu absurdo, fez o meu peito doer. O céu me lembrou você e a saudade guardada aflorou, transbordando por meus olhos que, outrora secos, iluminados, brilhavam amor. E agora nem sequer brilham, são feito cachoeiras infindas. Como o meu amor.