Vicente chegou e pôs seus sapatos cheios de terra sobre a mesa de centro. Pegou um cigarro com dificuldade do bolso do paletó e tirou o isqueiro do bolso traseiro do jeans surrado. Acendeu o cigarro e tragou, jogando a fumaça no ar.
_ Sabe o que é? - começou. Eu o olhei confusa, apertei os olhos e os lábios um no outro. - O tempo lá fora não anda nada bem, nada bem. - tragou, novamente, o cigarro. - E eu venho precisando de um abrigo, sabe? Um abrigo que me abrigue, não um albergue de uma noite só. Um abrigo que me proteja, noite e dia, faça chuva ou sol, arco-íris ou casamento de viúva. - riu com sua frase idiota. Pegou o cigarro por entre o indicador e o polegar e o olhou, pondo na boca novamente - Sabe o que é? - ele me olhou nos olhos. Tragou o cigarro e jogou a fumaça em meu rosto - Tô precisando mesmo é de você.