1 de dezembro de 2013

Ele passou os olhos do jornal amassado nas mãos para a frente - quase que em uma tentativa de dispersão, cuja vira em seguida. Teus olhos desceram para o jornal, mas então se ergueram novamente, sendo os olhos castanhos de antes a primeira e singular coisa que vira. Aquelas falhas de percepção que sofremos, ao menos dez mil vezes por ano. Teus olhos focaram os dela, perdidos em um ponto qualquer do metrô. E, ainda bem, não era hora do rush. A moça pareceu acordar do devaneio, tendo teus olhos atraídos para o oceano dos dele. Ele pensou em sorrir, mas o que diabos ela pensaria? Ela pensou em gesticular com as sobrancelhas, mas quem o fazia? Ele a fitou enquanto ela fingia não vê-lo, mas o enxergava com clareza. Ele dobrou o jornal nas mãos; ela suspirou. Um senhor passou no caminho entre eles e, por um momento, perderam-se. Ela o encontrou procurando-a. Ele sorriu aliviado, mas então se levantou. Sua descida, seu ponto final, seu fim. Ele passou pela porta e suas costas foram a única e singular coisa que ela viu. Talvez devesse ter gesticulado com as sobrancelhas. Mas quem o fazia? Ela poderia tê-lo feito, ao menos o teria por mais um breve segundo antes de se perderem na eternidade.