"Ah, quem dera eu pudesse arrancar o coração
do meu peito e atira-lo na correnteza,e
então não haveria mais dor, nem saudade,
nem lembranças."
Era uma manhã como outra qualquer, em uma hora qualquer, mas como nos últimos meses, eu acordara bem cedo. Levantei, abri a janela de meu quarto, esperando que o sol o invadisse, e o iluminasse, pelo menos uma vez. Mas não. A chuva e o vento tomaram conta dele, e eu apenas debrucei na janela, para ver esse fenômeno tão lindo que é a chuva, tão poderoso, tão perfeito, e junto de um vento forte, um céu escuro, tornava meu dia ainda mais... triste. Fui arrumar meu quarto. Arrumei minha cama, ah, minha cama, que por noites e mais noites eu dormi pensando em você, dormi pensando no dia em que nós pudessemos viver a sós, felizes, com nossos filhos em uma casa no meio de um grande jardim, e que eu sorriria tão facilmente como um dia sorri. Fui catar algumas roupas que estavam espalhadas pelo chão e algumas em cima da mesa do computador, as coloquei para lavar, e junto delas, minha froinha de sapinho do meu travesseiro, travesseiro no qual estão armazenadas milhares e milhares de lágrimas que eu, por mais um descuido, deixei cair. Eu tinha prometido a mim que não choraria nunca mais, que não demonstraria nenhum tipo de emoção, seja ela triste ou alegre. Eu simplesmente prometi que meu coração nunca mais iria se machucar. Prometi que não me deixaria iludir assim, tão facilmente. Mas eu falhei, como sempre. Eu me deixei levar pelas belas palavras que você me dissera, me deixei levar pelas raras vezes que você disse "você é o amor da minha vida". Eu não fui forte o suficiente pra convencer a mim mesma, que era só mais uma ilusão. Eu me deixei levar pelas vezes que você me beijou,um beijo tão doce, parecia ser tão sincero, tão puro. Mas não. Simplesmente era apenas mais um beijo pra você, mas não pra mim. Eu sei que poderia ter sido forte, e pensar que eu me sentia bem ao seu lado simplesmente porque você era legal, mas não porque eu te amava. Por que você fez isso ? Porque me iludiu tanto, me deu presentes e mais presentes, não que eu ligasse para eles, mas eram seus presentes, e tudo que vinha de você, pra mim, era como ouvir 'eu te amo'. Essas três palavrinhas tão simples, mas tão bonitas, tão comuns, mas tão raras de se ouvir sinceramente. Três palavrinhas que eu te disse por milhares de vezes, com todo o amor do mundo, mas essas três palavrinhas você me disse, não tão sinceramente assim, algumas duas ou três vezes. Agora eu vivo me perguntando, por que você ? Que é tão distante de mim, mas tanto sabe da minha vida quanto eu. Tão sincero, e tão mentiroso com seu próprio sentimento. Tão complicado e tão fácil de se entender. Tão lindo e tão perfeito pra mim. Por que você me fez tão feliz por algum momento da minha vida ? Me trouxe flores, sentou ao meu lado no sofá para ver TV, até veio à minha casa para conversar com o meu pai sobre nós. Por que fez tanto, se esse tanto, hoje, já não é nem motivo para me alegrar ?! Eu decidi não mais gastar minhas noites de sono pensando em você, decidi não mais enxarcar meu travesseiro de lágrimas derramadas por sua causa. Bom, hoje, quinta-feira, eu acordei tarde, muito tarde...