Ela tem os olhos como os céus mais azuis
Como se eles pensassem em chuva
Detesto olhar para dentro daqueles olhos
E enxergar o mínimo que seja de dor
Esta tudo branco, e a unica coisa que eu consigo enxergar, eh uma menininha brincando em um balanco cor-de-rosa no meio do nada. De subito, eu acordo, transpirando. Olho a minha volta e la esta ele, meu quarto, do mesmo jeitinho que eu deixei quando me deitei para dormir, so que claro, agora. O sol iluminava meu qurto pelas brexas da janela, e o frio do ar condicionado me fazia tremer. Preferiria o frio de uma noite fria, porem, linda. Levantei-me e pus a me arrumar. Abri a janela, e o sol invadiu por completo o meu quarto, ilumindo cada cantinho escondido. Olhei para o jardim, e entao vi. Uma bela manha de sabado. Lembrei-me de meu sonho, aquele que vi uma garotinha brincando em um balanco. Tinha que ser rosa tal balanco ? Por que as meninas sempre gostam de rosa, e se um menino gostar, desconfiam da masculinidade dele ? Bom, nao vou discutir sobre isto agora. Tentei lembrar bem do rostinho da garota, mas estava muito distante, e eu ja nao me recordava muito bem. O sabado passou, muito bem, posso dizer. E entao, a noite. A melhor parte da minha vida, eh a noite. Nao porque eu costumo sair todas as noites, nao porque eu costumo ir a festas. Mas porque eh quando vem os sonhos. Os sonhos nos quais eu posso ser quem eu quiser. Posso ser a mocinha ou a vila, a menininha ou a mulher, um anjo ou um demonio. Anjo. Falar sobre anjos me traz uma enorme calma, aquelas criaturas vestidas de branco, com azas brancas. Nao. Anjos nao tem que ser como sao nos contos de fadas. Nos meus sonhos, meus anjos podem ser azuis com azas cor de laranja. Ou podem ser laranjas com azas roxas. Ou.. pretos. Mas tudo bem, eu prefiro os brancos. Chegou a noite, como eu havia dito. Entao, eu adormeci. Eu estava passeando por um lindo jardim, cheios de flores coloridas, cheio de arvores e com um banco bem no meio. A grama verdinha e molhada, faria cocegas se andasse descalco ali. Entao, eu o vi. De costas para mim, sentado no banco, la estava ele. De preto, e ereto. Tinha uma perfeira postura, e olhava fixamente para frente. Aproximei-me e sentei-me em seu lado. Nada falei. Fiquei olhando fixamente para o mesmo lugar que ele olhava a tempos.
"Oi." Eu consegui dizer.
"Ola."
"Como se chama?"
"Importa-te?"
"Desculpe-me, so gostaria de saber."
"Nao, nao gostaria."
"Quem eh voce, para me dizer o que eu gostaria, ou nao?"
"Ja disse, nao te importa."
Entao eu o olhei, ele me observava. E entao eu vi. Aquele sorriso. Aquele sorriso me trazia lembrancas, bem distantes. Lembrancas de minha infancia. Do parque em que eu costumava brincar, do balanco. Do balanco cor-de-rosa. Espere! Balanco cor de rosa. Oras, era o mesmo balanco que a menina de meu sonho brincava, entao... entao era eu. Eu era a garotinha do balanco. Olhei fixamente para seu rosto. Lembrava-me momentos lindos de minha vida. Lembrava-me daquele parque de diversoes que eu costumava ir quando pequena. E entao, uma angustia. Eu continuava a olha-lo fixamente, e veio-me uma vontade imensa de chorar. Desviei meu olhar de seu rosto. A angustia e as lagrimas ja brotando em meus olhos, passaram. Entao, virei-me para ele novamente, e seus olhos estavam brilhando. Azuis como o ceu, e como o mar. Olhei mais afundo em seus olhos e entao...dor. Desviei-me dele, e me levantei. Ele, de subito, levantou em seguida. Seus cabelos nao muito pequenos, mas nem muito grandes, voaram com seu gesto.
Seu cabelo me lembra um lugar quente e seguro
Onde, como criança, eu me esconderia
E rezaria para que o trovão
E a chuva
Passassem quietos por mim
Aqueles cabelos, me lembravam um lugar aconchegante, quentinho e extremamente seguro. Lembro-me que me escondia neste lugar, quando as chuvas tomavam conta do ceu cheio de nuvens. Os trovoes eram os unicos barulhos, e os relampagos, a unica luz. E entao, neste lugar, calmo e tranquilo, eu esperava que a tempestade passasse por mim, em silencio, sem me incomodar. Nao me lembro mais do sol luzes invadindo meu quarto, nem do frio do ar condicionado. Nao lembro de mais nenhuma bela manha de sabado, nem me lembro dos sonhos. Talvez, aquele cantinho quente e aconchegante, tenha se tornado eterno. E nele, eu vivi o resto da minha eternidade com o meu anjo. Pena que ele era um anjo que vestia preto.
Musica em italico
( Sweet Child O' Mine - Guns N' Roses )