4 de dezembro de 2009

                            Cronica.

Sentei-me em um botequim perto de minha casa. Precisava e queria beber, entao, pedi uma vodca. Na verdade, eu queria mesmo era inspiracao. Mas eu queria inspiracao em fatos simples, do cotidiano, da realidade. O garcom veio, e entregou-me a vodca. Serviu-me, entao dei um gole. Me pus a observar o canto do estabelecimento. Mais um gole. Outro. E mais outro. (...) Depois de alguns goles de vodca a mais, acho que ja estava embreagado. Deixei o dinheiro na mesa, e sai. Me pus a andar pelas ruas calmas de Zaragoza. Havia mendigos nelas. Pedindo o minimo de esmolas possiveis. Dependendo de pessoas caridosas, que nao existia muito por ali. Olhei de novo, e vi uma familia composta pelo pai, mae, e o filho, que aparentava ter uns cinco anos de idade, sentados a beira da fonte. Procuravam nela, moedas, deduzi. Bom, encontraram, eu acho. Os vi caminhar para o botequim onde eu estava bebendo a pouco. Escondi-me na porta, e me pus a observa-los. O pai contou bem as moedas e pediu ao garcom uma fatia retangular de bolo de chocolate. A mae tirava da pequena bolsa algumas velhinhas. E o menino estava euforico sentado em sua cadeira. O bolo chegou e, a mae, pois as velhinhas em cima. Consegui ouvir, mais ou menos pois estava longe, o que deveria ser um "Parabens pra voce...". O menino soprou as velinhas e levou a pequena fatia a sua boca, e a devorou. A mae, olhou a sua volta, e seus olhos encontraram os meus. Ela havia ficado constrangida, mas sorriu logo apos. Sorri para ela. Voltei para minha casa cambaleando, acho que bebera demais. Minha esposa ira me matar. Mas eu havia conseguido algo. Minha inspiracao das coisas mais simples. Minha inspiracao viera do cotidiano. Aquele sorriso havia de ser puro. Queria eu que minha pequena e humilde cronica acabasse com a pureza d'aquele sorriso. Talvez esteja cercado de um milhão de pessoas E eu ainda me sinto sozinho ( Home - Michael Buble )