30 de dezembro de 2009

pôr-do-sol

Eu sempre terei um pôr-do-sol como referencia para pensar em voce. A cada finzinho de tarde que se aproxima eu vou para aquela montanha que tem perto de minha cidadezinha do interior. Quando a tardezinha chega eu vou para la, sento-me bem ao alto e espero o por-do-sol chegar. O ceu vai tomando uma cor amarela, meio aralanjada, ate o vermelho comparece. Entao eu me ponho a admirar, bem tranquila, aquela cena contagiante e unica. Ponho-me a imaginar como seria se voce estivesse aqui comigo, se voce passasse todo esse tempo ao meu lado, dizendo-me que eu era tao linda quanto a magia que se forma diante de mim, mesmo sem acreditar, eu iria adorar ouvir isso de voce. As vezes o tempo passa tao depressa, que eu nao vejo quando a noite cai por completo, e permito-me dormir debaixo de uma arvore bem proxima. Ali diante de tal magia que e o por-do-sol, diante da arvore, da noite, das lembrancas, dos pensamentos, as lagrimas sao a unica coisa que eu sinto em meus labios, o vento e a unica coisa que eu sinto no meu corpo, e a saudade, e a unica coisa que eu sinto em meu coracao. Mas eu sempre terei o oceano, pra me ajudar a lidar com essas emoçoes, com a saudade, e essa coisa toda. O oceano leva consigo minhas lagrimas, minhas angustias, minhas saudades, minha lembrancas ruins. O oceano leva consigo tudo que eu tenho, mesmo nao me deixando nada, eu fico feliz. Alias, ele leva tambem o meu amor, que dele, ha muito eu tento me livrar. Eu queria poder esquecer o amor que eu sinto por voce, queria poder nao mais ouvir as musicas, e lembrar de voce. Queria poder ir para a montanha e nao pensar somente em voce. Mas tudo que eu realmente quero, é voce. Agora me diga, por que ? Por que eu devo querer-lhe, se tanto me magoou ? Me iludiu dizendo que viria me buscar, e simplesmente nao veio !? Sei o que voce deve estar pensando, que eu sou uma completa idiota por amar. Eu concordo, eu odeio amar tanto alguem. Ainda mais quando esse alguem me odeia. Mas eu nao tenho culpa, se sempre que vejo o por-do-sol, eu lembro de voce. Parar de ver o por-do-sol ? Parece simples, mas se viver sem voce ja e um tormento, imagine sem o por-do-sol ? Devo-lhe dizer que prefiro pensar em voce, todo finzinho de tarde, do que nao pensar nunca.
Musica em italico - Sunrise Sunset - New Years Day

29 de dezembro de 2009

por entre as arvores

Só em meu quarto vazio comeco a lembrar de todos os momentos que nos tivemos juntos. Lembro-me bem de quanto passavamos horas e horas conversando na calcada, sentados no meio-fio. Brincavamos e conversavamos sobre tudo, ate ja brigamos ali. Lembro-me tambem de quando nos conhecemos. Eu te odiava, nunca escondi. Voce era uma crianca, completamente ridicula, um tonto que vivia implicando comigo, me batendo e me chamando de menininha mimada. Hoje eu dou varias gargalhadas lembrando desses momentos ao teu lado. Lembro-me daquele nosso beijo, o primeiro e ultimo, nosso segredo mais oculto, que agora nao e tao oculto e nem tao secreto assim. Mas lembro-me tambem, das tardes ensolaradas que passamos nos refrescando tomando banho de mangueira na rua. E das noites tranquilas e escuras que passavamos abracadinhos sentados bem a frente de minha casa.
Nada mais sobrou além das memorias de quando eu tinha o meu melhor amigo, é, foram so as lembrancas, as memorias, as cartas e fotos que me restaram da nossa grande e eterna amizade. Hoje eu nao tenho mais nada, alem das nossas recordacoes. Ah, e tenho as lagrimas. Lagrimas de saudade daquele tempo tao feliz, tao magico e tao.. tao unico.
E seu rosto, eu posso ver... sim, o seu rosto. Eu vejo o teu rosto a cada cantinho da rua que eu olho, a cada cantinho de minha sala, de meu quarto. A cada musica que escuto, ouco voce cantando, a cada carta que leio imagino voce lendo para mim, a cada foto que tiro sozinha, vejo voce ao meu lado, bem pertinho de mim.
Por entre as arvores, eu te encontrarei, lhe verei novamente, eu sei. Entao poderemos ser felizes juntos, viver momentos magicos como aqueles que vivemos um dia, e que acabou, por desejo divino. Sei que iremos nos encontrar na floresta onde costumavamos tomar banho de cachoeira no finzinho de tarde. Encontrar-lhe-ei algum dia, em uma linda tarde de outono, quando as flores das arvores estiverem ao chao, e quando o ceu mais azul impossivel estiveres sobre nos, sim, eu lhe encontrarei, meu amor.
Musica em italico - Through The Trees

28 de dezembro de 2009

eu prefiro a lua

Porque as coisas não são como costumavam ser
Ela disse que a batalha estava quase vencida
E que estávamos a apenas algumas milhas do sol
Sabe o sol ? Eu o odeio. Alias, nao o odeio, ele e apenas insignificante. Veja bem, quando estamos em pleno dia, e la esta o sol, lindo e brilhante no ceu. De subito, uma nuvem branquinha, mais parecendo um algodao que acabara de ser feito, na mao de uma linda criancinha pronto para ser comido, atrapalha sua visao, entao voce ja nao ve mais o sol. A nuvem toma seu lugar e entao ja nao ha mais brilho no dia, ja nao ha mais os raios do sol em nosso rosto, iluminando nosso sorriso. Por isso e por outros motivos, que eu amo a lua. Quando vai chegando de noitinha, a lua comeca a desfilar, parada, no lindo ceu escuro. As estrelas comcam a nascer em sua volta, tornando aquela vista a mais belas de todas que eu ja vira. E por mais que as estrelas bilhem maravilhosamente, elas jamais tirarao o brilho da lua. Porque a lua tem um brilho proprio, um brilho que nuvens nao podem tira-lo, um brilho que as estrelas nao pode arrancar nem tomar o lugar. A lua simplesmente existe, e nada no mundo tira seu brilho. Nada no mundo rouba seu lugarzinho na imensidao escura, que e o ceu.

8 de dezembro de 2009

        o céu lá em cima me lembra você, amor

Entao, bem atenta, eu olhei para o ceu escuro bem a cima de mim. Olhei bem fundo, olhei como nunca havia olhado antes. Olhei com cautela e um certo desespero. Olhei preocupada e calmamente. Olhei com o coracao. Entao, em minha mente, me veio voce. Lembrei-me de quando nos saimos de noite para caminhar ao redor da pracinha, onde eu cresci. Onde eu aprendi a andar de bicicleta. Onde eu cai pela primeira vez. Onde eu brinquei com meu primeiro amiguinho. Onde dei meu primeiro beijo. Ah, lembro-me do nosso primeiro beijo. Voce segurou a minha mao e me olhou com ternura e, entao, me beijou. Pode ter sido ha muito tempo atras, porem, eu me lembro como se fosse hoje. Talvez tenha sido o melhor beijo da minha vida. Mesmo que depois tenhamos nos beijados mais vezes. Afinal, aquele havia sido o nosso primeiro beijo. Nosso. Naquela pracinha eu vivi momentos unicos da minha vida. Todo dia antes e depois da escola, nos nos encontravamos la. Conversavamos por horas a fio depois da aula. As vezes matavamos aula para ficarmos juntos. Lembro-me da vez em que voce gravou as nossas iniciais em uma arvore, dentro de um coracao flechado. A mais bela arte que eu ja vira. O mais belo desenho. As mais belas letras, escritas pela mais bela pessoa q'eu ja vira antes. Quando sua mao tocava a minha, tudo parecia perfeito, tudo parecia unico e o tempo parava. O tempo parava quando eu estava ao teu lado. Eu tinha voce. Mas nao para sempre.
Como eu sempre fazia, estava indo para a pracinha lhe encontrar, para passarmos mais uma tarde juntos, conversando, admirando as arvores, catando e comendo macas. Gostaria que pudesse ser assim, outra vez. Cheguei e, entao, eu nao o vi. Estava na mesma hora que nos encontravamos todos os dias. Eram exatamente 13:00. Sentei-me no banco que costumavamos nos sentar, e me pus a esperar. Duas horas. Tres. Quatro. Entao, eu vi que nao iria aparecer. Caminheiro calmamente ate a nossa arvore - onde voce havia gravado nossas iniciais - e vi. Um papel. Deveria ser uma carta, ou um bilhete. Meu coracao deveria estar para sair de minha boca. Abri e me pus a ler.
"Perdoe-me, minha amada. Todos os momentos que passei ao teu lado, jamais esquecerei. Todas as nossas conversas, eu jamais conversarei com outro alguem. Todos os seus beijos, jamais serao de outra. Mas e nesta pequena e humilde carta, que eu lhe digo adeus. Perdoe-me por nao ser tao perfeito como voce merece. Perdoe-me por nao ter lhe dado todo o amor que eu deveria lhe dar. Perdoe-me pelas vezes que fui impertinente, grosseiro e insensivel. Perdoe-me, mais do que tudo, por te deixar agora. Minha pequena, eu para sempre lhe amarei. Para sempre lembrarei do teu sorriso de encontro ao meu. Nosso amor e como o vento. Nao posso ver, mas posso senti-lo.
De seu amado, ou nao tao amado assim. "
Acordei e estava deitada sobre a raiz de uma enorme arvore. Ela parecia nao ter fim. Dentre as folhas eu via quase nada dos raios do sol. Mal enxergava direito, mas me levantei mesmo assim. Entao me lembrei. O tempo o esperando. A arvore. O bilhete. Meu coracao. Escuro. Fui me lembrando vagamente do que ocorrera. Assim que consegui me lembrar. Lagrimas. Lagrimas saim de meus olhos como uma cachoeira. E assim foram por dias, meses e anos. Ele se fora. Havia me deixado. Ele foi e nao tive nem a chance de lhe dizer que eu precisava dele. Nem a chance de dizer-lhe que ele era, para mim, as estrelas brilhando no escuro da noite. Meu raio de sol. Meu canto do passarinho ao amanhecer. Ele se fora, e me deixara apenas um bilhete, sem uma despedida frente a frente. Nem um abraco, nem um 'Volto assim que puder.'. Nem uma explicacao mais detalhada. Mas, como toda mulher apaixonada, eu o esperei. Namorei, casei, tive filhos e netos. Estou quase tendo um bisneto. Mas ainda o espero. E quando ele voltar, estarei de bracos abertos. E lhe darei uma bronca por ter ido embora e nao ter me levado consigo. Ainda nao sei o motivo pelo qual me deixou. Mas eu o entendo. Ele tinha um mundo a conhecer. Ele tinha planos, e eu nao queria sair de minha pequena cidadezinha. O perdoo, e tambem pesso-lhe perdao por nao ter tido tamanha coragem. Muitos anos se passaram e eu estava sentada no mesmo banco da pracinha que costumavamos sentar. Era noite, e eu observava o ceu estrelado. As luzes neon nos bares e os farois vindo dos carros, iniciam uma melodia dentro de mim, aquela melodia que eu so escutava quando estava perto de perto. Quando voce tocava minhas maos e me beijava. Olhei mais a fundo do ceu e entao, em minha mente, me veio todos os momentos ao teu lado. Todas as lembrancas, os sorrisos iluminados. Os olhares cautelosos. Os beijos cheios de desejo. Entao, nesta noite, o ceu la em cima me lembra voce, amor.
Musica em italico - This Time ( August Rush )

4 de dezembro de 2009

                            Cronica.

Sentei-me em um botequim perto de minha casa. Precisava e queria beber, entao, pedi uma vodca. Na verdade, eu queria mesmo era inspiracao. Mas eu queria inspiracao em fatos simples, do cotidiano, da realidade. O garcom veio, e entregou-me a vodca. Serviu-me, entao dei um gole. Me pus a observar o canto do estabelecimento. Mais um gole. Outro. E mais outro. (...) Depois de alguns goles de vodca a mais, acho que ja estava embreagado. Deixei o dinheiro na mesa, e sai. Me pus a andar pelas ruas calmas de Zaragoza. Havia mendigos nelas. Pedindo o minimo de esmolas possiveis. Dependendo de pessoas caridosas, que nao existia muito por ali. Olhei de novo, e vi uma familia composta pelo pai, mae, e o filho, que aparentava ter uns cinco anos de idade, sentados a beira da fonte. Procuravam nela, moedas, deduzi. Bom, encontraram, eu acho. Os vi caminhar para o botequim onde eu estava bebendo a pouco. Escondi-me na porta, e me pus a observa-los. O pai contou bem as moedas e pediu ao garcom uma fatia retangular de bolo de chocolate. A mae tirava da pequena bolsa algumas velhinhas. E o menino estava euforico sentado em sua cadeira. O bolo chegou e, a mae, pois as velhinhas em cima. Consegui ouvir, mais ou menos pois estava longe, o que deveria ser um "Parabens pra voce...". O menino soprou as velinhas e levou a pequena fatia a sua boca, e a devorou. A mae, olhou a sua volta, e seus olhos encontraram os meus. Ela havia ficado constrangida, mas sorriu logo apos. Sorri para ela. Voltei para minha casa cambaleando, acho que bebera demais. Minha esposa ira me matar. Mas eu havia conseguido algo. Minha inspiracao das coisas mais simples. Minha inspiracao viera do cotidiano. Aquele sorriso havia de ser puro. Queria eu que minha pequena e humilde cronica acabasse com a pureza d'aquele sorriso. Talvez esteja cercado de um milhão de pessoas E eu ainda me sinto sozinho ( Home - Michael Buble )