30 de dezembro de 2010

como a historia termina

Eu podia jurar que ouvi você dizer qualquer coisa parecida com "eu sinto sua falta". Talvez os moveis tenham escutado também. Ou não. As flores, antes vermelhas sangue, mortas. O vento, antes ameaçador e forte, agora sussurra ao meu ouvido todas as noites. Algo que eu nunca nem procurei entender. Já não posso mais chorar, pois acho que todas as lágrimas secaram nos meus olhos que agora brilham bem mais que antes, de saudade. Já não consigo nem gritar, pois minha garganta se fechou como algo mais aqui dentro do meu peito. Quem eu sou? Que eu não sou? Quem eu poderia ser se você ainda estivesse aqui? Se você só estivesse aqui. Entenderia porque não haveria lágrimas. Entenderia a garganta fechada. Entenderia o sussurro ao pé do ouvido. Só bata na porta, não te deixarei do lado de fora no frio. "Entre, sente-se um pouco." Não serei arrogante. "Quer uma cerveja? Eu bebo com você." Não te deixarei de garganta seca. "Quer um bolo? Eu fiz o seu preferido." Também não te deixarei de barriga vazia. "Diga-me, por que?" Mas também não deixarei de perguntar. E você não dirá nada. Simplesmente vai me olhar com aquele par de olhos castanhos que brilham tanto quanto os meus e abaixar a cabeça. Vai girar o copo e me olhar novamente. Vai me ver chorar aquelas lágrimas que eu achei que não existiam mais. Vai ver como eu tenho sido ultimamente. So a armadura bem, por dentro, lixo. Enfim vai olhar bem nos meus olhos e dizer "eu te amo". E eu vou acreditar, como sempre acreditei. Vai levantar e ajoelhar bem a minha frente. Vai por uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e sorrir pequeno. Vai dizer que sentiu minha falta. E vai escutar que eu senti também. Vai se inclinar para mim e me beijar os lábios. Irei beija-lo também. Vai levantar e puxar-me para si. Vou encontrar meu rosto em seu peito e chorar baixinho, sem que ouça. Vai pedir desculpas novamente. Direi que não peca outra vez. Apenas fique em silencio e dance comigo essa musica. Você dirá que eu sou maluca, não há musica. Apenas dance, por favor. Você dançará. Como aquela que dançamos no baile. Você ira me girar e sorrir feito aquele adolescente magricela. Eu te direi quando foi que eu me apaixonei por você. Você dirá que se apaixonou por mim antes, mesmo sabendo que não foi. Ira ficar bravo comigo por eu discordar. Darei-lhe um beijo carinhoso e você entendera o por que. Você sorrira pra mim ao me ver sorrindo pra você. Você ira rir da minha cara de boba e eu vou te bater por rir da minha cara de boba. Pedirei que durma comigo essa noite. E você dirá que não era preciso perguntar, só te arrastar ate o quarto no andar de cima. Eu vou rir e corar. Você vai acariciar minhas bochechas vermelhas e beijar meu rosto por inteiro. Deitaremos bem juntinhos na enorme cama, de conchinha. Com os olhos fechados, eu vou dizer "eu te amo". Com os olhos fechados, você vai dizer "eu te amo mais." Vai me fazer carinho ate que eu adormeça. E depois vai adormecer também. Faça isso, quero dizer, somente venha ate aqui. Deixe tudo acontecer naturalmente depois. Só venha e me faça sorrir para eu te fazer rir.

14 de dezembro de 2010

luzes de Natal

Eu olho a minha volta e o que eu vejo são luzes por toda a parte. Crianças correndo, todas cobertas por dezenas de agasalhos. Ao contrário de algumas pessoas que passam pelas ruas com rostos nem um pouco satisfeitos, sempre gostei do frio de Londres. E aquela cidade cinza, com um tom de saudade e solidão, acho que foi feita pra mim. Especialmente. As árvores secas e branquinhas por causa da neve enchem meus olhos de brilho. Sentada bem ali, vi um senhor sentar-se ao meu lado. Ele mantinha um pacote que continha, na minha cabeça e ali dentro também, pedacinhos de pão. Ele abriu e acho que começou a esperar por alguém. Ou alguma coisa.
- Você sabe que os pombos só passam por aqui durante o dia, não é? – Perguntei, curiosa pra saber sua resposta.
- Sim. – Foi só o que ele disse, e nem olhou para mim.
- Mas então, por que o senhor tem esse pacote de pão?
- Você é metida assim mesmo, garota?
- Não. Quero dizer, eu só queria entender. – Virei-me para frente. Ele estava mais do que certo. – Desculpe.
- Você não é daqui, não é mesmo? – Ele continuava sem olhar para mim.
- Não, não sou.
- E a quanto mora aqui?
- Desde, bom... não tem muito tempo. – Abracei-me, como se meu abraço pudesse me tirar dali e levar-me para minha cama, onde eu pudesse chorar em paz.
- Desculpe, eu que estava sendo curioso demais agora.
- Tudo bem. – Consegui sorrir um pouco. - Por que sempre as coisas têm que dar errado? Eu queria saber o porquê essas luzes me deixam tão aflita e por que casais que passam por aqui de mãos dadas me fazem chorar. Eu queria entender por que eu terei que passar este natal sozinha. Eu e o vinho debruçados na janela, observando essa cidade linda aos meus olhos sem nenhum habitante. Pensar que todos estarão com suas famílias e eu, com meu vinho. Aí lágrimas vão descer por meus olhos, sem ao menos pedir permissão. Depois um louco qualquer vai passar com uma garrafa de bebida lá em baixo e vai olhar pra mim com olhos de pena. Vai querer me chamar para beber também e dividir meus problemas com ele. Mas ele não vai dizer nada. Ele vai dar um sorriso melancólico assim como tudo nessa cidade, e vai continuar seu trajeto de bêbado solitário. Talvez eu devesse ir com ele, mesmo sem ser chamada. Mas eu sou tímida demais, sem graça demais. Talvez tenha sido por isso. A vida ao meu lado não tem tanta graça. Sair todos os dias e ir a festas todas as noites, com certeza, é melhor do que passar os dias em casa ou passeando pelas pracinhas e assistir filmes as noites, ou só dormir juntinho. Uma festa, com certeza, é melhor do que sentar em um bar com música ao vivo de noite, conversar e, quando chegar em casa, trocar carinhos e amar. Fiz bem, eu acho, vindo para cá. Todos aqui dão a impressão de solidão, mesmo não sendo. Quando olho estas pessoas, sinto como se eu fosse a única solitária daqui. Eu e meu apartamento, as vezes, parecemos intrusos, aos meus olhos. Talvez eu devesse pegar o primeiro avião amanhã e voltar para onde eu vim. Mas como? Encontrar aqueles olhos castanhos brilhando por outro sorriso? Encontrar aquele sorriso que eu tanto amo sorrindo para outros olhos? Encontrar aquelas mãos que se encaixavam tão bem nas minhas, balançando outras? Encontrar aquele cabelo engraçado mudado? Encontrá-lo feliz? Egoísmo meu, eu sei. Eu quero mesmo que ele seja feliz, de coração, mas por que não comigo? Por que não com meus olhos, meu sorriso, minhas mãos? Por que não deitar ao meu lado toda noite? Por que não me acordar toda manhã com beijos pelo rosto? Nós costumávamos ser felizes. Nós riamos um do outro e sorriamos também. Nós nos amávamos como nunca achei que outro casal poderia amar. Nós dormíamos juntos e passávamos horas conversando e fazendo planos para o amanhã. Um amanhã que nunca veio. Nós costumávamos ser um casal feliz, que passeava nos dias ensolaradas, que via filmes de todos os tipos à noite e que dormia junto. Que ia a festas algumas vezes, mas que preferia um barzinho com musica ao vivo. E agora, o que nós somos? Somos o sinal ruim de uma televisão chiando? Somos as luzinhas de natal apagadas durante todo o ano? Somos as praias vazias nos dias de inverno? Somos a lembrança de um beijo que nunca foi dado? Depois de tudo, o que nós somos? Só lembranças? – Eu chorava, sem nem perceber. O senhor continuava sentado ao meu lado, com os olhos fixos em alguma coisa. Vi um pombo chegar e para à sua frente. Suas mãos pegaram alguns pedacinhos de pão e deram para ele. Ele se virou para mim.
- Nada na vida acontece como a gente quer. Vai viver a vida que uma hora sua vez chega. As coisas acontecem quando você menos espera. – Então, aquele senhor simpático e curioso levantou e foi embora. Eu continuei ali, observando as crianças, que agora quase todas já tinham ido embora, correndo. Guardei minhas mãos no casaco ao perceber as lojas começando a fechar. Levantei e fui pra casa. Meu vinho me esperava. No caminho de casa, que não era muito longe, as pessoas iam diminuindo o passo, como se perdessem a pressa de chegar em casa. Vi sorrisos que pareciam ser sinceros. Vi olhos brilhando que me fez lembrar de como os meus olhos brilhavam. Entrei no elevador e esperei. Havia uma moça com um bebê lindo nos braços. Ele sorriu para mim da forma que ninguém sorria mais. Abri a porta e tranquei. Peguei o vinho na mesa que já gritava de saudades de mim. Sentei na minha cama e juro que tomei a garrafa inteira de vinho. De madrugada, não sei se foi sonho ou não, escutei meu telefone tocar em cima da mesinha.
- Alô? – Disse com uma voz de sono que eu até duvidei que fosse minha.
- Meus olhos já não brilham mais, meus sorrisos já não fazem mais nenhum par de olhos castanhos brilharem, nem lábios sorrirem. Minhas mãos não se encaixam mais como se encaixavam nas suas.
- Hã?
- Eu te amo.
- Eu te amo. E eu estou bêbada.

13 de dezembro de 2010

sonhar e alcançar o ∞

Você ainda é o único. Talvez dizê-lo seja tão difícil quanto senti-lo. Pelo menos é o que a cama fria diz. Difícil sentir e, ainda assim, saber que não é tão simples. Ás vezes, ou melhor dizendo, quase sempre, nada que queremos, temos. Eu queria, quis e tinha. Tive por muito tempo que hoje já não sei se ainda tenho. Estranho dizê-lo se, por tanto tempo tive, por tanto teria que tê-lo ainda. Mas não. Na verdade, tudo é tão estranho quanto acordar em uma manhã de domingo, que deveria ser ensolarada, e sentir o frio invadindo sua janela. Tão estranho quanto tatear sua cama e nada encontrar. Tudo é estranho, inclusive você. E você, com toda sua estranhice e esquisitice, seu cabelo engraçado e o corpo magrelo queimado de sol, fez-me ver o que eu jamais vira. Aí, você percebe que as coisas mais estranhas são aquelas que mais te fazem feliz. Um dia cinza, nublado e chuvoso talvez não te faça sorrir tanto quanto um dia amarelo, quente e com um sol de queimar os olhos. Mas para mim, sim. Sempre preferi dias cinzas a amarelos. Talvez todo o sentimento esteja aí, nessa diferença gigantesca. Sol e chuva, frio e calor. Você e eu, eu e você. Fácil até dizer: eu e você. Fácil, na verdade, é amar você. Fácil é sentir-se sozinho quando o mundo não está lá por você. Fácil é chorar sozinho no quarto escuro de madrugada, na esperança de sentir um corpo deitando ao seu lado e pedindo desculpas. Fácil é achar que, no fim, tudo vai acabar bem, como nos contos de fada. Aprendi com você que a vida é mais dura do que eu achei que seria. Aprendi com você a não acreditar mais em contos de fadas. Talvez, o segredo esteja aí. Sonhar um pouco como a Bela Adormecida, não dói. Esperar alguém que o faça feliz, como a Branca-de-Neve, ,não o faz mais fraco. Fortes são aqueles que, vivendo toda a realidade que a vida nos faz viver, ainda são capazes de sonhar. Fechar os olhos toda a noite antes de dormir e imaginar. Imagine sorrisos, abraços, beijos. Imagine eu e você e você verá que não é tão absurdo e infantil quanto você diz ser. Sonhar é a única coisa que tem me mantido viva todo esse tempo longe. O seu sorriso nunca foi tão radiante como nos últimos dias. Seus olhos nunca brilharam tanto ao encontrar os meus e suas mãos nunca encaixaram-se tão bem nas minhas, como ontem. Os sonhos são as únicas coisas que me mantém perto de você, quando nada mais consegue. Fechar os olhos e imaginar é o que mantém a energia que ninguém mais me transmite. Dormir e sonhar com seus olhos, seu sorriso, suas mãos nas minhas é o que me mantém acreditando naquilo que muita gente já deixou de acreditar. Naquilo que muita gente sentiu e o viu despedaçar. Sonhar é o que me faz acreditar que tudo vai mudar e, qualquer noite dessas, vou sentir você deitando ao meu lado, dando-me um beijo de boa noite e dizendo o quanto me ama. Você é o que mantém o amor que eu pensei nunca mais sentir, vivo aqui dentro de mim.

9 de dezembro de 2010

sinto falta de mim e mais ainda de você

Eu sinto falta do som da sua voz. E de quem eu costumava ser quando você ainda estava aqui. Sinto falta de quem você era e do que costumávamos fazer. Amanhecer e ter a certeza de que você estaria ali, não aqui, mas ali. Eu tinha certeza de que um sorriso surgiria durante o dia. Ou mais. Eu dormia na esperança de acordar com sua voz me chamando de alguma forma. Eu ficaria bem, mesmo gritando por dentro, apenas por saber que você estaria ali, quieto. O silencio entre nos dois sempre foi muito presente. No entanto, era confortante te-lo. Permanecer em silencio, quase sem nem respirar, apenas para ouvir a sua respiração. Até o teu sorriso tinha barulho em meio a todo o silencio. Todo som que vinha de você, parecia musica. Tornou-se algo constrangedor, esse tal silencio. Aperto os olhos como se pudesse ler a sua mente e entender, de alguma forma, o por que. Por que tudo não é mais como antes. Por que eu sinto como se não fosse mais bem-vinda. Talvez porque eu não seja. Eu sinto falta do toque gelado dos seus pés que eu nunca senti. Das faiscas que eu sentia surgindo dentro de mim quando você se aproximava, mesmo nunca tendo o feito. Das borboletas no estômago de ouvir sua voz. Eu atravessaria o oceano, agora, se soubesse que eu não teria que voltar. Eu sinto falta dos planos que fizemos, da noite que nunca tivemos. Eu sinto falta de olhar no par de olhos castanhos mais lindos do mundo, que eu nunca olhei. Eu sinto falta das mãos nas minhas que eu nunca tive. Eu sinto falta de escrever sobre você e nunca lhe mostrar. Sinto falta de quando dormíamos juntos, tão perto que nunca o fizemos. Sinto falta de lhe fazer carinho antes de dormir, carinho que eu nunca fiz. Sinto falta de sorrir com o seu sorriso, sem nem -lo. Sinto falta de sentir seus lábios nos meus, lábios que eu nunca beijei. Sinto falta de tudo, e do nada, ao mesmo tempo. Sinto falta de tudo aquilo que eu nunca tive, mas que sonhava em ter. Mas sinto mais falta mesmo de ter você. O resto é consequência. Consequências boas. E que eu nunca terei.