9 de dezembro de 2010

sinto falta de mim e mais ainda de você

Eu sinto falta do som da sua voz. E de quem eu costumava ser quando você ainda estava aqui. Sinto falta de quem você era e do que costumávamos fazer. Amanhecer e ter a certeza de que você estaria ali, não aqui, mas ali. Eu tinha certeza de que um sorriso surgiria durante o dia. Ou mais. Eu dormia na esperança de acordar com sua voz me chamando de alguma forma. Eu ficaria bem, mesmo gritando por dentro, apenas por saber que você estaria ali, quieto. O silencio entre nos dois sempre foi muito presente. No entanto, era confortante te-lo. Permanecer em silencio, quase sem nem respirar, apenas para ouvir a sua respiração. Até o teu sorriso tinha barulho em meio a todo o silencio. Todo som que vinha de você, parecia musica. Tornou-se algo constrangedor, esse tal silencio. Aperto os olhos como se pudesse ler a sua mente e entender, de alguma forma, o por que. Por que tudo não é mais como antes. Por que eu sinto como se não fosse mais bem-vinda. Talvez porque eu não seja. Eu sinto falta do toque gelado dos seus pés que eu nunca senti. Das faiscas que eu sentia surgindo dentro de mim quando você se aproximava, mesmo nunca tendo o feito. Das borboletas no estômago de ouvir sua voz. Eu atravessaria o oceano, agora, se soubesse que eu não teria que voltar. Eu sinto falta dos planos que fizemos, da noite que nunca tivemos. Eu sinto falta de olhar no par de olhos castanhos mais lindos do mundo, que eu nunca olhei. Eu sinto falta das mãos nas minhas que eu nunca tive. Eu sinto falta de escrever sobre você e nunca lhe mostrar. Sinto falta de quando dormíamos juntos, tão perto que nunca o fizemos. Sinto falta de lhe fazer carinho antes de dormir, carinho que eu nunca fiz. Sinto falta de sorrir com o seu sorriso, sem nem -lo. Sinto falta de sentir seus lábios nos meus, lábios que eu nunca beijei. Sinto falta de tudo, e do nada, ao mesmo tempo. Sinto falta de tudo aquilo que eu nunca tive, mas que sonhava em ter. Mas sinto mais falta mesmo de ter você. O resto é consequência. Consequências boas. E que eu nunca terei.