29 de novembro de 2010
tudo que ela quer é ser mais que uma memória
Ela passa suas noites em bares e baladas. Ela bebe ate que esqueça tudo. A dor, a saudade, o coração machucado, tudo. Ela ri e diz que odeia o amor. Que nada doí mais que o amor, e que ele não serve mais. Ela chora por saber que as lembranças são fortes demais para serem esquecidas com algumas garrafas de vodka. Ela grita, implora pra Deus que arranque seu coração. Ela acredita que doeria muito menos. Talvez doa mesmo. Ela desce vagarosamente escorada somente pela parede. Nenhuma mão ajudando, nem um consolo. Nada. Ela olha a vodka branquinha dentro da garrafa e chora, como se o visse ali dentro. Por que?, ela pergunta. Ela espera por uma resposta que nunca veio. Ela levanta querendo continuar ali, caminha devagar sem soltar a garrafa de vodka, como se não o soltasse. Ela volta para seu apartamento na rua de baixo, por aquelas ruas escuras. Ela agradece. Ela não quer que o mundo a veja desse jeito, eles não a entenderiam. Ela senta no muro do enorme edifico e sonha. Acordada. Tudo aquilo que ela viveu um dia, não muito distante, daquele. Como pode acabar assim, tão depressa?, ela procura por uma resposta na garrafa. La dentro, no fundo da garrafa, ela vê sorrisos. Ela vê risos, abraços, noites de amor que pareciam não ter fim. Ela viu promessas que nunca foram cumpridas. Ela viu amor, felicidade, união. Ela viu brigas, discussões, pazes. Ela viu olhos brilhantes olhando outros olhos não tão brilhantes, mas com o mesmo amor. Ela viu paz, certeza de que era assim que tinha que ser. Ela viu musica, dança, pés gelados encostados em outros não tão gelados. Ela viu uma cama imensa, dois corpos deitados, planos de um futuro que não viria. Nunca. Ela viu lágrimas, saudade e depois sorrisos. Ela balançou a cabeça, querendo se livrar de tudo aquilo. Ela sabia que não adiantaria. Em sua mente, haviam copias de lembranças que ela não poderia - e não queria - esquecer. Ela abriu a porta do apartamento com tanta dificuldade, que pensou em dormir ali mesmo, no chão frio. Talvez ela merecesse. Ele não achava isso. Ela jogou o resto da vodka na pia e depois a garrafa fora. Sentou na cama e esperou. Como se o telefone fosse tocar. Como se a porta que ela deixou destrancada fosse se abrir e ele aparecer ali. Como se, um dia, tudo fosse voltar a ser como era a um mês atrás. Como se tudo aquilo fosse um pesadelo, mas que ela sabia que não era. Ela teria que conviver com isso, ela poderia. Mas ela não queria. Ela não queria esquecer o que a fez tão feliz, mesmo que por pouco tempo. E ela não esqueceria, nunca.