12 de novembro de 2010

o amor do sol e da lua, dele e dela

Como voltar ao passado, você se lembra? Você se lembra de quando nós andávamos e andávamos e parávamos em frente ao mar? Toda aquela agua que, diante de qualquer par de olhos que ousasse observa-la, era azul. E não há ninguém que convencer-me-a ser outra cor. Aquela areia branquinha sob nossos pés faziam cócegas e logo depois eu estava sentada em seus ombros. Seus pés arrastavam-se depressa pela areia e eu podia jurar sentir meu rosto roçando naquela longínqua extensão branca. Ali, sentada em seus ombros sentindo um extremo medo de cair, mas sabendo que não aconteceria, sentindo aquele vento acariciar meu rosto como nunca sentira antes, sentindo seus lábios encostarem levemente na minha perna, desejei que isso nunca houvesse fim. Percebi não mais estar sobre você, quando senti a agua azul tocar todo o meu corpo, o paralisando de tão fria. Você olhava-me sorrindo como um menino olhava vidrado uma bola cara na vitrine de uma loja. Você parou assim que notou minhas bochechas corando e quando sentiu a agua em seu rosto. Começou ali, aquelas brincadeiras típicas de crianças no verão. Éramos duas crianças, então, se quiser nos chamar assim. Mas éramos duas crianças felizes. Então, ali mesmo, olhando-te com aquele brilho nos olhos que eu tanto amava, sentindo aqueles espirros de agua gelada tocar meu rosto, que eu desejei ter você pra sempre. O céu azul, agora, dava lugar ao lindo espetaculo que era o crepúsculo. Enfrentava o por-do-sol como o sexo entre o sol e a lua. Diria, então, que era amor. Parecia tão lindo, como se fosse um casal apaixonado fazendo amor para todos os que quisessem, observarem. Seus braços passaram por minha cintura e seu queixo encostou-se em meu ombro. Era fascinante presenciar um espetaculo tão comum e, ainda sim, tão lindo, com você. Olhei pra você e pensei em lhe dizer tantas coisas. Eu passaria aquele fim de tarde, a noite inteira dizendo-lhe o quanto eu te amo. Poupei-me de palavras quando vi um sorriso nascer em seus lábios. Você sabia o que eu queria dizer, apenas olhando o brilho dos meus olhos. Era fácil dizer-te coisas que, com palavras, eu jamais saberia explicar. Por isso, e por muitas outras coisas, naquele mesmo momento, desejei anular meus pedidos anteriores. Eu não precisava de desejos. Você estava ali, junto a mim, sentindo a agua gelada rodear nossos corpos, esquentando-me apenas com o seu calor próprio, olhando-me como eu sempre sonhei em ser olhada, sorrindo-me um sorriso que eu sempre desejei ver, amando-me - porque você o fazia - como eu sempre amei e sempre esperei que você me amasse. Eu tinha o presente com você. O futuro começa quando acordarmos amanha de manha. O que ainda demorara. Ali, olhando-te assim, com esse brilho nos olhos e esse sorriso nos lábios, desejei que ninguém, nunca, jamais, tirasse esse brilho e esse sorriso de você. - Eu te amo. - Quebrou, ele, o silencio, com um sorriso e brilho nos olhos. - Eu te amo. - Imitou ela, sabendo que não era necessário mais que isso. - E eu sempre vou te amar. - Mas, ainda sim, ela o fazia.