você. Havia duas ou três a minha frente. Um garoto segurando um taco de beisebol e reclamando que você matara Nick. Depois a mulher, que o que faltava era começar a chorar ali mesmo. Você matou o Nick. Eu segurava apenas um livro. O seu livro. Eu não iria reclamar que você havia matado o Nick.
- Ola! - Consegui dizer depois de alguns segundos tentando olhar para os seus olhos baixos, concentrados no livro. Os encontrei. Acho que meus lábios sorriram como já não sorriam a tempos.
- O-ola! - Você gaguejou. Eu não consegui segurar um mini sorriso nascendo no canto dos meus lábios. Você levanta. - Pessoal, eu vou dar uma parada, mas eu já volto.
Caminhamos juntos, adentrando a biblioteca. Havia livros que eu jamais pensei em ver.
- Então... - Dissemos juntos. Nosso riso encheu aquele lugar cheio de livros de alegria. Ou sem-gracice.
- Eu li seu livro. - Você disse. - Gostei bastante. Parabéns!
- Obrigada. Não esta vendendo muito.
- Se eu fosse eles ali naquela fila, estaria pedindo seu autografo, não o meu.
- Ah, claro.
(Silencio)
- Quanto tempo! - Você disse, por fim, quebrando o silencio.
- É verdade, faz bastante tempo desde... Enfim. - Meus olhos baixaram e encontraram as paginas do livro nas minhas mãos.
- Como tem passado? - Seus olhos em mim fizeram com que eu levantasse novamente o rosto. Coloquei uma mecha do cabelo pra trás.
- Bem, eu estou bem, mas... - Procurei as palavras. Não as encontrei. - Bem, acho que eles la fora ficaram chateados por você ter matado o Nick. - Sorri.
- Eles vão entender. Não haveria graça, certo? - Balancei a cabeça, consentindo. - Você sumiu.
- Eu te liguei algumas vezes, na verdade. Mas você não atendeu, nunca. - Lutei com as palavras.
- Eu não podia. Eu... - Você também pareceu procurar as palavras. - Eu fiquei machucado.
- Eu sei. Acho que te devo desculpas.
- Não, tudo bem. Quero dizer, eu te entendo. Mas ficar longe de você foi... complicado. - Você sorriu triste.
- Desculpe.
- Tudo bem, passou, certo? - Eu não queria responder.
- É.
- Quer que eu autografe? - Você apontava para o livro em minhas mãos.
- Ah, claro, por isso que eu vim aqui. Você esta morando na cidade agora, certo?
- É, mas amanha eu parto para Londres.
- Ah, Londres, claro. - Você me devolveu o livro. - Não nos veremos mais, então?!
- Não e muito provável nem saudável.
- Tudo bem, então. - Tentei esconder ao máximo as lágrimas nos meus olhos. As pessoas gritavam do outro lado da estante.
- Eu tenho que ir agora, eles me esperam.
- Claro, vai la. Cuide-se.
- Você também.
Abri o livro:
"Eu te amo e sempre vou te amar."