Procurei em todos os cantos e você estava justamente no último lugar que eu procuraria. Lá estava você, com metade do corpo na grama verde e a outra no tronco da enorme macieira. Você sorria para mim como se pudesse me ver escondida em meio àquelas árvores. Talvez você estivesse mesmo vendo. Cada passo que eu dava, que eu me aproximava, seu sorriso aumentava. O seu sorriso era daqueles iluminados, tortos, bobos e encantadores. Daqueles que me fazem suspirar. Seu sorriso era seu, isso bastava. Como todos os seus defeitos que te faziam ser você. Essas coisas sempre bastaram pra mim. Nunca precisei de mais que um sorriso seu, ou um elogio ou até uma briguinha boba. Era seu? Vinha de você? Basta. Porque, preciso dizer-lhe, nunca fui suficiente pra ninguém, talvez nem pra mim. No entanto, tudo sempre foi o suficiente pra mim, exceto eu mesmo. Acontece que nunca percebi: nada nunca bastou pra mim. Eu aceitava e dizia "sim, senhor, obrigada". No fundo, eu gritava dizendo "não, dessa vez, não". Nunca nada bastou, nada nunca foi o suficiente, até você surgir. Não como algo inesperado. Você veio como a chuva, devagarinho, as nuvens foram escurecendo, um pingo ou outro foram surgindo e lá estava você. E você sempre sorrindo, com aquele seu ar de tudo-vai-se-acertar, fez eu sentir que algo era suficiente. Seus sorrisos, implicações, beijos, abraços, olhares, brigas, tudo era o suficiente pra me fazer feliz. E você sempre soube disso. Você sempre soube de tudo, antes até do que eu. Você adivinhava meus sorrisos e caras do outro lado do telefone e, muitas vezes, usava isso de propósito. Você me elogiava ou falava algo bobo só porque sabia que eu coraria e sorriria. Eu odiava e amava quando você fazia isso. Você se importava se eu me sentiria feliz ou não. Você se importava se me machucaria ou não. Você se importava, sabe, era o suficiente. Entretanto, a única coisa que era suficiente pra me fazer te amar, era que você me amava. Isso bastava, sempre bastou e vai ser sempre o suficiente. Não preciso dizer-lhe que são seus olhos ou seus sei lá quantos tipos de sorrisos. Ou o jeito como você fala, tão doce, ou até o jeito como você briga comigo. Ou como você sente ciúmes de mim ou me faz ter ciúmes de você. Não preciso dizer que são as músicas que você canta pra mim ou ou textos que você me escuta falar. Você me ama, isso é o suficiente, simplesmente porque eu nunca tive alguém aqui por mim, como eu tenho você. Você me ama e me fez amar você, isso é o bastante. Os seus sorrisos, olhares, bom, essas coisas fazem parte de você. E como o fato de você me amar está praticamente relacionado a todas essas coisas, bom, dá no mesmo. Pensei sobre tudo isso no simples segundo que eu olhei você sorrir pra mim, antes de me deitar ao seu lado e ficar ali o resto do dia.