12 de setembro de 2011

É meu novo jeito de dizer "não vá"

Certa noite, assim que a lua começou a iluminar meu quarto e as estrelas, o céu escuro, pensei em como tudo poderia ter sido. Pensei em como seriam minhas noites. Se a magia nela presente hoje continuaria, seria substituída por outra ou se apenas iria embora. É, assim, de qualquer jeito, com uma bolsa pendurada nos ombros e um adeus pelas costas. Do mesmo modo como você teria feito na minha humilde imaginação. Aliás, pensei em como seria a noite do dia em que você, supostamente, me deixaria. As xícaras de chocolate quente que teríamos feito continuaria sobre a mesinha de centro, deixando o vidro embaçado. O cobertor sobre o sofá seria como se você voltasse logo. Como se você fosse voltar. A televisão ligada no jogo do seu time, agora, teria apenas aqueles chuviscos de uma televisão sem sinal. Assim como você. Seu sapato, que você deixara aos pés do sofá, agora deveria estar em algum lugar dentro da sua bolsa mal arrumada. Falando nisso, você teria esquecido seus cinco tipos de condicionador para o cabelo. Talvez eu os usasse, caso você não voltasse para pegar - que com certeza não voltaria -, só para saber se as quase duras horas gastas no banheiro serveria de alguma coisa. Se caso você voltasse, brigaria por tê-los usado. E eu por ter usado meu coração frágil. Mas você não voltaria, eu saberia disso e teria certeza antes de usá-los. Acho que ganharia. Na escada, peças de roupas minhas iam subindo os degraus. O som do nosso riso misturado ecoava dentro de algum lugar na minha cabeça, e doía dentro de algum lugar no coração. Pobre coração, quando o teu estava comigo era tão menos doloroso. Tuas mãos imaginárias puxariam-me para o quarto que, para mim, ainda era nosso. A cama desarrumada, travesseiros ao chão e o lençol cobrindo o teu corpo sobre a cama, que estaria cobrindo o meu debaixo de ti. O som da última música que cantara estava preso em meio ao lençol amassado. O sacudi e lá estavam as doces palavras saídas da sua boca para o meu ouvido, bem de pertinho, tão perto que eu mal poderia escutar. Nossas mãos entrelaçadas sobre as nossas cabeças era a imagem que não largava meu pensamento. Nossos corpos misturados transpiravam, sua boca beijava minha testa. Meu rosto, pescoço, meu corpo. Nossos gemidos sussurrados, apagados com as lágrimas insistentes que caiam dos meus olhos, que de acordo com você, eram cor de mel. Tudo, ao seu ponto de vista, era doce, fácil. Era tudo questão de saber interpretar tudo a nossa volta. E você interpretava nós dois tão bem que me fez acreditar que seria para sempre. E houve as promessas, que ficaram jogadas e escondidas debaixo da cama, depois que o colchão absorveu junto com o nosso suor, com as minhas lágrimas. Se era tudo questão de interpretação, deveria eu interpretar seu adeus jogado pelas costas, que teria doído mais que aquela bola no meu estomago quando jogamos futebol? Aliás, deveria eu saber o porque você teria ido? Deveria eu saber se voltaria? Ou se não mais notícia daria? O relógio marcava alguma coisa depois das três da manhã e você continuava a dormir o meu lado. Seu braço me abraçava como se eu pudesse ou quisesse fugir para longe de você. Como se eu conseguisse. Minha risada misturada com choro e uma dor imensa de te perder o acordara. Seus olhos estavam desesperados por um motivo e percorriam todo o quarto em busca de alguma coisa que poderia ter me feito ficar naquele estado. Sorri o sorriso mais bobo e torto e beijei tua testa.
- Eu amo você.
- Eu não vou embora.
- Eu sei, eu sei.

E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
(Mil Pedaços - Legião Urbana)