eu sei que já faz tempo. Sei que o céu, agora, é de um laranja sem fim. E o vento corre rápido. Como o tempo. Sei que lótus já nasceu. Lembra que você costumava dizer que era tal como nosso amor? Eu sei, eu sei. Já faz muito e só agora lhe escrevo. Acontece, Vicente, que por muito tempo fitei o papel em branco. De um branco puro, leve. A caneta negra em minhas mãos dançavam por meus dedos. E nada saía. Por muito criei diálogos, desculpas, saudades. Mas jamais pude exterioriza-los. Eu sei, Vicente, orgulhosa que sou, demoraria de qualquer jeito. Mas veja, Vicente, agora lhe escrevo. Não acho que devo pedir-te desculpas ou escrever-te como imaginei nosso reencontro. Escrevo-te coisas boas. Eu sei, eu sei. Logo eu, tão pessimista. Aprendi a ser melhor depois que se fora. E não pense que foi melhor assim, aprendi de forma tão doída. E ainda dói. Eu sei, Vicente, ainda não disse a que vim. A que lhe escrevo. Escrevo-te somente para relembrar do nosso amor infindo. Eu sei, Vicente, que você não crê nessas coisas espirituais. Mas veja que, mesmo depois de muito, escrevo-te minhas saudades. E que saudades, Vicente, que saudades.