youre barely sober
I hear your voice
You´re calling out from me to you
I pour a drink
You´re moving quick
(Inside Of You - The Maine)
Eu achei que tudo ficaria bem quando você disse aquelas três palavrinhas. Três palavrinhas que eu nunca senti que fossem tao minhas como desta vez. Eu vi estrelas em um dia ensolarado, vi folhas ao chão na primavera e senti calor no inverno. Eu quis, mais que todos os momentos da minha vida, olhar pra você. Sentir que você era realmente meu e que nada, e nem ninguém, mudaria isso. Eu queria deitar com você na minha cama pequena de solteiro, e dormir agarradinha com você por toda a noite e por todo o dia. Eu queria sentir seu nariz passeando por meu rosto, minhas mãos te fazendo carinho como sempre sonhei em fazer. Eu me enganei quando achei que tudo estava bem.
Eu fechei os olhos com forca, esperando que o pesadelo acabasse. Não acabou. Talvez não fosse um pesadelo. Eu quis gritar. Quis gritar pra que o mundo inteiro escutasse o quanto eu te amo, o quanto eu sinto sua falta. Não o fiz. Limitei-me a chorar baixo, encharcando meu travesseiro de lágrimas. Eu quis ter um sonho bom com você, onde você viria em minha direcao dizendo que tudo ficaria bem, que você estaria comigo todos os dias. Mas eu não dormi. Como dormir se, toda noite, eu tinha um boa noite seu? Você dizia que era impossível desligar o telefone quando eu fazia aquela voz quase suplicando que ficasse, nem que por mais dois segundos. Por mais que você dissesse que precisava desligar, eu sei, você nunca quis.
Na noite seguinte o telefone não tocou. Meu coração não disparou e nem minhas mãos transpiraram. Eu não sorri e muito menos gargalhei. Eu não senti. Ou melhor, a única coisa que eu sentia era saudade de um tempo que não voltaria. Saudade de noites que eu não passaria outra vez. Saudade de alguém que preferiu ir, e me deixar aqui, sozinha, obrigada a viver de cartas, fotos e gravacoes de telefone. Ate que a gravação que eu fiz quando você disse a coisa mais linda que alguém já havia me dito, serve agora. Eu sobrevivo graças a ela.
Eu quis, por inúmeras vezes, ir na sua casa. Iria bater na porta, e dizer, Oi, eu só vim aqui dizer que.. bom, eu sinto sua falta. E bom... eu te amo!, talvez eu devesse, mas não o fiz. Nunca. Aprendi a respeitar a vontade dos outros, por mais que me fizessem mal. Eu sempre te amei o o suficiente, mas descobri que eu te amava o bastante para te deixar ir, e se, você quisesse, voltaria. Meu erro foi crer que você iria voltar. Mas eu não culpo você, o erro foi meu, talvez eu não seja a dona da razão como você sempre dizia. Talvez eu não fique linda com vergonha como você sempre dizia.
Talvez você não me conhecesse o bastante para achar que, por loucura, simplesmente por loucura, hoje eu estaria aqui, na sua secretaria eletronica, dizendo essas coisas. Dizendo que, por mais que o tempo tenha passado, mesmo que você não sinta mais o mesmo de antes, eu continuo irrevogável e indiscutivelmente apaixonada por você.