24 de janeiro de 2011

You make it seem so easy

to love me for who I really am.
Ela olhou o céu e o desejou ali. Ele olhou o céu e a quis ao seu lado. Ela disse, bem baixinho e ao telefone, o quanto queria que uma estrela-cadente passasse por ali, pra que seu pedido se realizasse. Ele perguntou, Que pedido? Ela não respondeu, apenas sorriu. Ele insistiu. Ela não disse. Ele ficou bravo. Ela riu. Ele ficou ainda mais bravo. Ela disse o quanto o amava. Ele não acreditou, não por hora. Ela sorriu. Ele disse "eu também te amo". Ela sorriu aquele sorriso que ele tanto gostava. Ele disse o quanto amava vê-la sorrindo. Ela o lembrou que ele não poderia ver. Ele disse "mas eu imagino, e e lindo." E ela sorriu, de novo. Sorrir era fácil com ele. Tao fácil quanto respirar. Era fácil querê-lo ali a todo momento. Era fácil sorrir apenas com o som da sua voz. Fácil dizer o que pensa. Fácil demais, porque era ele. Ele. Sempre foi e continuaria sendo ele. Ate que seu coração parasse de bater. Ate que seus olhos não transmitissem mais brilho. Que seus lábios não sorrissem um sorriso tão lindo. Que sua voz não a fizesse derramar. Será ele pra sempre. Ela tinha medo só de pensar em ter que viver uma vida em que ele não estivesse presente. Ela tinha medo de quando ele fosse. Toda a dor que a invadiria por meses, as lágrimas, a insônia, os lençóis sem lavar, as plantas mortas, o ar de saudade. E o depois. Por mais estranho que seja, ela tinha medo do que viria depois da ausência. Ela não queria viver com a ausência, mas viver sem essa ausência por conseguir continuar, seria pior. Seria a prova de que não havia amor. Mas havia, havia muito amor. Ela o amava e continuaria amando. Porque ele era sua razão de viver. Como pode alguém viver sem uma razão? Ele era a dela, e ela não queria outra. Ela tinha medo de acabar se acostumando com a ausência. Tinha medo de conseguir trocar os lençóis, de não sentir mais lágrimas toda noite. Medo de conseguir dormir e medo de encontrar as rosas brancas em seu jardim. Tinha medo porque a dor do quando ele fosse seria a única prova de que, um dia, tudo foi real. Que tudo existiu, inclusive o amor. Ela tinha medo de quem ela seria, depois que ele fosse. Ela não queria viver sem ele. Sem aquela voz do outro lado do fio dizendo o quanto sentiu saudades, o quanto ama seu sorriso, o quanto adora quando ela da crise de risos. Ela não queria não ter em quem pensar antes de dormir. Não queria não ter que esperar nenhuma ligação. Ela não queria viver sem ele. Ele não queria passar o resto da vida sem ela. Ela não queria vê-lo com outra. Ele não queria encontra-la na rua, sorrindo nos braços de outro. Ela o queria feliz. Ele a queria feliz. Mas ambos os queriam felizes juntos. Together.

12 de janeiro de 2011

I don't know when, but I want you around.
- Você começa a se perguntar se você poderia encontrar alguém como ele. Com todos os defeitos e qualidades. Se haverá outra pessoa que mereça suas lágrimas. Mas você se pergunta também, se ele mereceu algum dia. Se as lágrimas guardadas em seu travesseiro e seus risos presos no fio do telefone deveriam ser para ele. Deveriam ser dele. Assim como você foi. E você foi. Foi dele todos os dias que ele ligou e que não ligou também. Foi dele todas as vezes que ele disse "eu te amo", e os dias que não disse também. Foi dele todas as vezes em que ele te fez rir e as vezes que ele te fez chorar. Foi dele quando ele ligou só pra dizer "eu estava com saudade" e quando ele ligou só por que disse que ia ligar. Foi dele todas as noites e todas as manhas. Foi dele o dia inteiro, durante o tempo todo. Foi dele ate mesmo quando ele não foi seu. Foi dele por que ele fazia você se sentir dele. Somente dele. Mas talvez você não devesse ter sido. Você senta no sofá, olha a casa vazia, olha o telefone sobre a mesa, apagado. Escuta aquele som e o pega nas mãos. Nada. Você permaneceu ao lado do telefone o tempo todo, esperando uma ligação que nunca veio. Nunca. Você olha de novo a casa que sente a ausência dele tanto quanto você. Dói. Dói por que ele costumava estar ali a todo tempo. Ele costumava acordar você com beijos e dizer o quanto você dormiu. Ele te puxava pela mão e te arrastava ate a cozinha, um gesto desesperador de café-da-manha. Você o via comer, enquanto ele comia olhando você. Ele sorria vez ou outra e te roubava um beijo vez ou outra também. Ai você o lembrava do horário do trabalho. Ele te odiava quando você lembrava. Ele te empurrava pro sofá e subia em cima de você. Olhava você nos olhos, serio. Você perguntava o que havia acontecido para aquele sorriso ter se transformado nisso. Em uma bela expressão difícil de entender. E ele dizia "nada, só queria ficar mais um pouco com você.". Ai você se perguntava, poderia encontrar alguém como ele? Não. Mas hoje você não sabe mais responder essa pergunta. Isso por que antes ele fazia você saber a resposta. Ele fazia você saber que como ele, ninguém. E não havia mesmo. E talvez ainda não haja. Você só não o tem por perto pra lhe mostrar isso. Você se pega com lágrimas nos olhos, e as impede de descer. Sente aquele vazio dentro do apartamento passar pra dentro de si. Você sente medo. Medo de que não haja alguém como ele. Nem melhor, nem pior. Igual. Igual não teria, você sabia disso. Mas você não queria mais ninguém. Queria ele, com os defeitos e qualidades. Ele, com ciumes da própria sombra, com aquela voz meiga que as vezes se tornava tão agressiva que te fazia rir. Ele, que te fazia sorrir com pouco, chorar e rir por coisas absurdas. Ele, que brigava por você chorar. E ameaçava. Ameaçava mesmo, desaparecer se te ouvisse chorar novamente. Ele, que brigava por nada, por nada mesmo, e depois estava la, te chamando de amor. Ele que te fazia feliz com tão pouco, e que não sabia disso. Ele, que te ensinou tanto e que aprendeu muito com você. Ele que tinha medo, por mais que não admitisse, de te perder. "E se você sumisse?". Ele tinha medo. Tanto quanto você. Ele que ficava bravo o bastante pra não falar mais com você, quando você bebia uma dose de vodka. Logo ele que chegava as seis em casa depois de ter bebido tanto. Mas o que você poderia fazer? Era ele. Ele que te trouxe felicidade, sorrisos, risos, lágrimas, coração acelerado, mãos suando e pernas tremendo. Ele, com todos os defeitos. Com todas as qualidades. Ele, dono dos olhos castanhos, das covinhas doces e do cabelo engraçado. Ele do sorriso pequeno e do olhar malicioso. Ele, só ele. Era só dele que você precisava.
- E que nunca deixei de precisar.

9 de janeiro de 2011

I'll be the only one,

if you want to.
Hoje eu olhei para as estrelas, como a tempos eu não fazia. Tentei encontrar nela um brilho que já não mais existia em mim. Tentei vê-las sorrindo. Ou talvez elas pudessem demonstrar uma felicidade que eu já não conhecia mais. Ou não a reconhecia. Elas apenas brilhavam como brilhavam todos os dias. Eu olhando ou não para elas. Elas não deixavam de estar la por isso. Não deixavam de brilhar nem de compartilhar seu brilho com os que a observavam, fielmente, todas as noites. As estrelas continuavam brilhando, a lua estava la, toda noite - ou quase toda, e o mar permanecia la, intacto, cobrindo quase todo esse imenso planeta. Nada mudava, nada parava ou deixava de funcionar. Cabia a mim funcionar de novo tão bem quanto eles. Eu sabia que poderia, claro que sim. Só que eu não queria. Eu não quero deitar a cabeça no meu travesseiro toda noite e não ter nada em que pensar. Nenhum sonho para sonhar. Nenhum futuro importante para planejar. Eu não queria ter que acordar toda manha apenas por dever, apenas por obrigação. Não quero passar o dia sorrindo apenas quando tivesse mesmo um motivo. Não haverá mais coração acelerado esperando a hora de o telefone tocar. Nem a respiração ofegante por correr feito maluca para chegar ate o celular antes que ele pare de tocar aquela musica. Não haverá mais sorrisos por motivos bobos, nem arrepios pelo som de uma voz. Não haverá olhos brilhando nem pessoas me pegando com cara de boba, sorrindo feito boba, agindo feito boba. Não haverá mais "eu", de fato. Haverá alguém que acorde por não ter outro motivo, que sorria por ter um motivo grande. Que chore por muito e durma em poucas horas. Haverá um alguém. Só mais um alguém. Eu não quero ser apenas um alguém. Eu quero ser aquela que vai sorrir quando escutar um "eu te amo" da sua boca. Eu quero ser aquela que vai chorar de saudade, que vai ligar só pra dizer "preciso de você aqui", mesmo sabendo que não pode. Aquela que vai rir das suas piadas estúpidas, que vai brigar por você não tomar o remédio, que vai te lembrar do horário do trabalho. Eu quero ser aquela que vai diminuir o tom da voz só pra você não desligar o telefone. Aquela que vai corar com um elogio seu, que vai te elogiar e te deixar com vergonha. Eu quero ser aquela que vai fazer diferença pra você se desaparecer. Aquela que vai fazer falta, que vai te fazer sonhar acordado antes de dormir. Eu quero ser aquela que vai te amar pro resto da vida e que pro resto da vida vai ser amada por você. Eu quero ser aquela que eu nunca serei. Não pra você.

3 de janeiro de 2011

deixa o céu unir o amor meu e seu

Olhei a forma como aquilo ia alto. Vi como os cabelos daquelas pessoas balançavam. Senti nelas o que eu queria sentir em mim. Sorri ao ver as pernas de um menininho balançando, seus cabelos bagunçados e suas mãos esticadas para os lados, como se pudesse voar. Como se pudesse voar, pensei. Dei o pequeno papel amarelo ao senhor e subi. Acomodei-me em um daqueles balanços que, ao ponto de vista de qualquer pessoa sã, parecia um passaporte para morte, ou para um hospital, pelo menos. Mas eu nunca me importei em morrer. Ate gostava dessa ideia. Um jeito mais fácil de não ter que encarar a vida de frente. Fechei a grade a minha frente e coloquei um pé sobre o outro. Fechei os olhos. Respirei fundo, perguntando-me se era mesmo necessário. Alias, eu nem sabia mesmo o por que de eu estar fazendo aquilo. Não era como voar, eu sabia disso. Sabia que o máximo que conseguiria seria um cabelo bagunçado, alguns gritos nos ouvidos ou um chinelo perdido. Na verdade, eu queria mais que a sensação de voar. Eu queria poder espantar toda a angustia, toda a dor, a saudade, todas as lágrimas para bem longe de mim. Como se eu pudesse purificar minha alma, tirar tudo o que tem me incomodado, tudo o que sei la quantos litros de agua bem gelada não purificou. Eu queria sentir menos saudade, menos dor, menos tristeza, menos falta-de-você. Se eu pudesse fazer aquele balanço voar de verdade, o faria voar quase trezentos quilômetros. E ele voaria. E ai, tudo passaria. Qualquer coisa passaria com um par de olhos castanhos, com um sorriso pequeno e um cabelo engraçado. Tudo seria mais fácil, tudo ia se ajeitar, eu sei. E ai, no fim da tarde, meu coração não ia ficar mais pequenininho. Meus olhos não ficariam marejados e minhas mãos não tremeriam mais. Eu teria você ali, protegendo-me e dizendo que tudo ia ficar bem. E tudo ficaria. Se eu pudesse voar, ou se eu só pudesse estar ai. Abri os olhos ao perceber que havia começado. O céu sob minha cabeça era convidativo. Havia estrelas. Muitas delas. Elas sorriam pra mim, e eu para elas. Eu estava tão perto delas, e elas de mim. Era o mesmo céu que estava sob sua cabeça. As mesmas estrelas. Ate elas estavam perto de você, menos eu. Eu as odiei, por uma fração de segundos, ate perceber que meus pés tocavam no chão novamente. Minha aparência não deveria ser das melhores, mas eu não me importei. Eu queria sair dali, deitar na minha cama e chorar como se pudesse traze-lo ate mim. Mas eu não podia. Corri o máximo que pude sem me importar com milhares de pares de olhos me observando, perguntando-se o que diabos uma garota fazia correndo feito louca. Louca. Era o que eu era. Abri a porta depressa, como se houvesse alguém me esperando, mesmo sem saber. E havia. E estava sentado a beira da minha cama, com uma almofada cheia de letras escritas nas mãos, balançando de um lado para o outro, como se pudesse entender o por que de aquela almofada estar sobre a cama, e não jogada no fundo do armário. Me olhou, de cima a baixo, como se procurasse alguma coisa. Algum defeito, talvez. Seus olhos encontraram os meus que estavam espantados. Minha bolsa estava no chão em segundos, somente com o susto. Abriu a boca.
- Eu estava olhando o céu noite passada e percebi que era o mesmo céu que você observava todas as noites. Tive raiva dele por estar com você, e eu não. Mas ai eu vi que eu poderia estar, e ainda mais perto que ele.
- E você acha o que? Que era só chegar aqui, dizer meia dúzia de palavras que você achou que me faria sorrir feito idiota, ir se aproximando, me segurar pelos ombros, me fazer chorar histericamente e depois me beijar e estaria tudo bem?
- Sim, só não precisa chorar histericamente.
- Precisa sim.
Aproximou-se Tao depressa que não pude impedir. Talvez não queria. Segurou-me pelos ombros e sorriu pra mim. Chorei tão histericamente quanto achei que choraria. Beijou-me os lábios. Tudo ficou bem como num passe de mágica.

2 de janeiro de 2011

so, this is the new year

Sentei na areia branca e macia e olhei o horizonte. Só o que consegui ver foram barcos. Vários deles. Algumas pessoas se acomodavam perto de mim. Mas eu estava sozinha, eu me sentia sozinha. Olhei no relógio e faltava pouco mais de alguns minutos. Suspirei e fechei os olhos tentando sair daquele lugar. Minha mente foi longe, muito longe. Duzentos e oitenta e seis quilômetros, para ser exacta. Eu queria que você estivesse aqui e que você soubesse que, por mais longe e por mais pessoas que hajam a minha volta, eu sinto falta apenas de uma. Olhei as estrelas no céu da minha imaginação, elas brilhavam. Brilhavam como seus olhos brilham quando os imagino. Elas sorriram para mim como você sorria nos meus sonhos. Fechei os olhos mais forte e parei ai. Você olhava pra mim como uma criança olha um brinquedo. Foi se aproximando aos pouquinhos e tocou minha bochecha vermelha. Sorriu pra mim como sempre sonhei que sorriria. Desceu as mãos e encontrou as minhas que soavam de nervoso. Riu, aquele som que eu escutara inúmeras vezes ao telefone. Arrastou-me para a beira do mar e me abraçou de lado. Disse ao pé do meu ouvido tudo aquilo que eu esperava escutar. Olhou bem nos meus olhos e sorriu um sorriso doce. Beijou-me os lábios e então começou. O céu ficou colorido e os únicos barulhos eram deles estourando bem a cima das nossas cabeças. Como a mais bela peca de teatro, a mais bela musica ou o mais belo retrato. Não havia como descrever. Era assim o meu sonho. Eu e você e um céu colorido e barulhento sob nos. Você segurava a minha mão como se pudesse me perder a qualquer momento. Seus olhos encontravam os meus em busca de brilho. Ah, sim, eles encontraram. Não só meus olhos, eu brilhava por inteiro somente por te ter por perto naquele cenário espetacular. Sua boca se aproximou do meu ouvido e sussurrou "Que você permaneça comigo neste ano. E no outro, e no outro e no outro..." Não tinha como não sorrir. Não tinha como meus olhos não brilharem. Você estava ali, tão perto que poderíamos nos tornar somente um. Abri os olhos com medo do que veria. Vi casais se beijando, pessoas se abraçando, vários "feliz ano novo". Algumas passavam e desejavam-me paz. Eu sorria de volta, não haveria voz, eu tinha certeza. Meus olhos voaram pelo céu que não pude nem perceber o colorido que ele tinha. Era fácil de sorrir. Fácil de fechar os olhos com forca ao escutar um barulho. Era fácil, fácil demais, desejar que você estivesse aqui. Meus olhos choraram e eu não pude fazer nada pra impedir. Chorei junto. Levantei quase sem vontade e meus pés levaram-me ate o mar. A agua gelada me trouxe de volta a realidade. Uma realidade que eu não queria ter pra mim. Uma realidade que não incluía você. Olhei mais uma vez para o céu colorido e barulhento. Quem sabe você não estivesse olhando para ele também. Não seria o mesmo céu colorido e barulhento, mas no fundo, seria o mesmo céu que víamos amanhecer. Você dai, eu daqui. Feliz Ano Novo, sussurrei tão baixo que quase não escutei minha voz. Quem sabe no próximo trinta e um de Dezembro, as vinte e três horas e cinquenta e cinco minutos eu não esteja com você. Com os pés na areia, mãos dadas e sorrisos. Quem sabe, eu não possa dizer, olhando-te nos olhos, que eu desejo a você um ano repleto de felicidade, e que, talvez, quem sabe, eu não seja um dos motivos dela. Porque, sabe, mesmo você não estando aqui agora, você e o maior motivo da minha.