Sentei na areia branca e macia e olhei o horizonte. Só o que consegui ver foram barcos. Vários deles. Algumas pessoas se acomodavam perto de mim. Mas eu estava sozinha, eu me sentia sozinha. Olhei no relógio e faltava pouco mais de alguns minutos. Suspirei e fechei os olhos tentando sair daquele lugar. Minha mente foi longe, muito longe. Duzentos e oitenta e seis quilômetros, para ser exacta. Eu queria que você estivesse aqui e que você soubesse que, por mais longe e por mais pessoas que hajam a minha volta, eu sinto falta apenas de uma. Olhei as estrelas no céu da minha imaginação, elas brilhavam. Brilhavam como seus olhos brilham quando os imagino. Elas sorriram para mim como você sorria nos meus sonhos. Fechei os olhos mais forte e parei ai. Você olhava pra mim como uma criança olha um brinquedo. Foi se aproximando aos pouquinhos e tocou minha bochecha vermelha. Sorriu pra mim como sempre sonhei que sorriria. Desceu as mãos e encontrou as minhas que soavam de nervoso. Riu, aquele som que eu escutara inúmeras vezes ao telefone. Arrastou-me para a beira do mar e me abraçou de lado. Disse ao pé do meu ouvido tudo aquilo que eu esperava escutar. Olhou bem nos meus olhos e sorriu um sorriso doce. Beijou-me os lábios e então começou. O céu ficou colorido e os únicos barulhos eram deles estourando bem a cima das nossas cabeças. Como a mais bela peca de teatro, a mais bela musica ou o mais belo retrato. Não havia como descrever. Era assim o meu sonho. Eu e você e um céu colorido e barulhento sob nos. Você segurava a minha mão como se pudesse me perder a qualquer momento. Seus olhos encontravam os meus em busca de brilho. Ah, sim, eles encontraram. Não só meus olhos, eu brilhava por inteiro somente por te ter por perto naquele cenário espetacular. Sua boca se aproximou do meu ouvido e sussurrou "Que você permaneça comigo neste ano. E no outro, e no outro e no outro..." Não tinha como não sorrir. Não tinha como meus olhos não brilharem. Você estava ali, tão perto que poderíamos nos tornar somente um. Abri os olhos com medo do que veria. Vi casais se beijando, pessoas se abraçando, vários "feliz ano novo". Algumas passavam e desejavam-me paz. Eu sorria de volta, não haveria voz, eu tinha certeza. Meus olhos voaram pelo céu que não pude nem perceber o colorido que ele tinha. Era fácil de sorrir. Fácil de fechar os olhos com forca ao escutar um barulho. Era fácil, fácil demais, desejar que você estivesse aqui. Meus olhos choraram e eu não pude fazer nada pra impedir. Chorei junto. Levantei quase sem vontade e meus pés levaram-me ate o mar. A agua gelada me trouxe de volta a realidade. Uma realidade que eu não queria ter pra mim. Uma realidade que não incluía você. Olhei mais uma vez para o céu colorido e barulhento. Quem sabe você não estivesse olhando para ele também. Não seria o mesmo céu colorido e barulhento, mas no fundo, seria o mesmo céu que víamos amanhecer. Você dai, eu daqui. Feliz Ano Novo, sussurrei tão baixo que quase não escutei minha voz. Quem sabe no próximo trinta e um de Dezembro, as vinte e três horas e cinquenta e cinco minutos eu não esteja com você. Com os pés na areia, mãos dadas e sorrisos. Quem sabe, eu não possa dizer, olhando-te nos olhos, que eu desejo a você um ano repleto de felicidade, e que, talvez, quem sabe, eu não seja um dos motivos dela. Porque, sabe, mesmo você não estando aqui agora, você e o maior motivo da minha.