I don't know when, but I want you around.
- Você começa a se perguntar se você poderia encontrar alguém como ele. Com todos os defeitos e qualidades. Se haverá outra pessoa que mereça suas lágrimas. Mas você se pergunta também, se ele mereceu algum dia. Se as lágrimas guardadas em seu travesseiro e seus risos presos no fio do telefone deveriam ser para ele. Deveriam ser dele. Assim como você foi. E você foi. Foi dele todos os dias que ele ligou e que não ligou também. Foi dele todas as vezes que ele disse "eu te amo", e os dias que não disse também. Foi dele todas as vezes em que ele te fez rir e as vezes que ele te fez chorar. Foi dele quando ele ligou só pra dizer "eu estava com saudade" e quando ele ligou só por que disse que ia ligar. Foi dele todas as noites e todas as manhas. Foi dele o dia inteiro, durante o tempo todo. Foi dele ate mesmo quando ele não foi seu. Foi dele por que ele fazia você se sentir dele. Somente dele. Mas talvez você não devesse ter sido. Você senta no sofá, olha a casa vazia, olha o telefone sobre a mesa, apagado. Escuta aquele som e o pega nas mãos. Nada. Você permaneceu ao lado do telefone o tempo todo, esperando uma ligação que nunca veio. Nunca. Você olha de novo a casa que sente a ausência dele tanto quanto você. Dói. Dói por que ele costumava estar ali a todo tempo. Ele costumava acordar você com beijos e dizer o quanto você dormiu. Ele te puxava pela mão e te arrastava ate a cozinha, um gesto desesperador de café-da-manha. Você o via comer, enquanto ele comia olhando você. Ele sorria vez ou outra e te roubava um beijo vez ou outra também. Ai você o lembrava do horário do trabalho. Ele te odiava quando você lembrava. Ele te empurrava pro sofá e subia em cima de você. Olhava você nos olhos, serio. Você perguntava o que havia acontecido para aquele sorriso ter se transformado nisso. Em uma bela expressão difícil de entender. E ele dizia "nada, só queria ficar mais um pouco com você.". Ai você se perguntava, poderia encontrar alguém como ele? Não. Mas hoje você não sabe mais responder essa pergunta. Isso por que antes ele fazia você saber a resposta. Ele fazia você saber que como ele, ninguém. E não havia mesmo. E talvez ainda não haja. Você só não o tem por perto pra lhe mostrar isso. Você se pega com lágrimas nos olhos, e as impede de descer. Sente aquele vazio dentro do apartamento passar pra dentro de si. Você sente medo. Medo de que não haja alguém como ele. Nem melhor, nem pior. Igual. Igual não teria, você sabia disso. Mas você não queria mais ninguém. Queria ele, com os defeitos e qualidades. Ele, com ciumes da própria sombra, com aquela voz meiga que as vezes se tornava tão agressiva que te fazia rir. Ele, que te fazia sorrir com pouco, chorar e rir por coisas absurdas. Ele, que brigava por você chorar. E ameaçava. Ameaçava mesmo, desaparecer se te ouvisse chorar novamente. Ele, que brigava por nada, por nada mesmo, e depois estava la, te chamando de amor. Ele que te fazia feliz com tão pouco, e que não sabia disso. Ele, que te ensinou tanto e que aprendeu muito com você. Ele que tinha medo, por mais que não admitisse, de te perder. "E se você sumisse?". Ele tinha medo. Tanto quanto você. Ele que ficava bravo o bastante pra não falar mais com você, quando você bebia uma dose de vodka. Logo ele que chegava as seis em casa depois de ter bebido tanto. Mas o que você poderia fazer? Era ele. Ele que te trouxe felicidade, sorrisos, risos, lágrimas, coração acelerado, mãos suando e pernas tremendo. Ele, com todos os defeitos. Com todas as qualidades. Ele, dono dos olhos castanhos, das covinhas doces e do cabelo engraçado. Ele do sorriso pequeno e do olhar malicioso. Ele, só ele. Era só dele que você precisava.
- E que nunca deixei de precisar.