21 de fevereiro de 2011

vamos dançar sobre a lua

e sermos quem quisermos.
Olhando a lua, sorri. E desorri. Engraçado, pensei, porém não ri, como pode ser tão injusto isso de estar sob a mesma lua e todo o seu brilho e não estar junto a você. Mesmo não ocupando um mesmo espaço, já que, de acordo com isso que vocês chamam de física, é impossível. Como nunca gostei muito dessas coisas, discordo. Ser um só, entre duas pessoas, quase é necessário. Quando dois não se tornam um, pra mim, não é amor. Amor não é quando desistimos de tudo por alguém, mas quando damos o nosso melhor por ela. Amor não é quando damos presentes enormes e caros, mas quando damos nosso coração. Não é quando fazemos uma linda declaração, mas sim, quando dizemos "só liguei por que estava com saudades.". Amor não esta nas coisas grandes, naquelas que todos acreditam que estejam, esta nas coisas pequenas. Amor esta no bom dia ou no boa noite, no beijo na testa que você da e recebe. Amor esta em uma carta ou em apenas um bilhete. Amor esta em uma musica ou em um filme. Amor esta em todas as coisas simples. Por que o amor é isso, ele é simples dentro de toda sua maravilhosidade. Pra mim, amor é quando você me acorda no meio da madrugada. É quando você me chama de idiota e quando você briga comigo. Pra mim amor é quando você fica irritado por eu ter bebido algumas doses de vodka, ou quando você sente ciumes. Amor, pra mim, é quando você ri do que eu falo, quando nos rimos juntos. Pra mim amor é quando eu falto a escola e você para de falar comigo. Pra mim, amor é quando você toma o remédio mesmo sem querer, só porque eu pedi. Amor pra mim é quando você deixa de sair pra ficar em casa comigo. Pra mim, amor é quando você segura minha Mao em seus sonhos, na esperança de um dia poder o fazer de verdade. Pra mim, amor é quando você diz "sonhe comigo esta noite." Amor pra mim é quando você canta ao telefone musicas que descrevem nos dois. Ou quando você fica envergonhado por alguma coisa que eu falei. Pra mim amor é quando passamos horas conversando sobre nos dois ou qualquer coisa. Pra mim, amor é quando você liga sem nenhum motivo e desliga porque tem que ir trabalhar. Pra mim, amor é quando você diz que eu não me importo, quando você diz que eu não o amo. Amor, pra mim, é quando você aponta meus defeitos, porque mesmo sabendo deles, você continua me amando. Então, amor, o amor não é chama-lo para andar na lua, mas vamos? La as coisas acontecem mais devagar. O tempo com você seria maior. Amor também é isso, creio eu, querer o outro o tempo todo, pra sempre. Porque quem ama quer isso, quer o perto, o junto. Não quer distancia, por mais que as vezes ela seja boa. Mas acho que cansei da distancia. Acho que ta na hora de sermos nos dois. E a Lua. Por favor, rezei, olhe para a lua esta noite. Olhe para a lua e me sinta ai, porque eu te sinto aqui. Feche os olhos e ai eu estarei. Estarei com você ate a lua não mais existir, ate as estrelas perderem o brilho. Olhe a lua esta noite, amor, ela nos une. Por mais distante que estejamos, nos mantém juntos, mesmo que haja um oceano entre nos. Olhe a lua nesta noite de domingo e você verá, não há nada mais encantador do que adormecer sob a luz da lua. Ou sim. Vamos dançar sobre a lua, amor? Ou talvez depois possamos dormir sobre ela também. Esqueça aquele apartamento perto da faculdade, esqueça a cama macia e a tv a cabo. Vamos viver na lua, vamos ser um do outro e, sendo um do outro, sermos um só.

12 de fevereiro de 2011

I feel so blue

‘cause I’m without you
Eu quero correr pela casa atrás de você. Gritar, gritar e gritar de novo por você ter deixado a toalha molhada em cima da cama. Brincar de esconde-esconde, por mais velhos que sejamos. Dar-lhe um beijo e sair correndo ate você conseguir me alcançar. Dizer o quanto eu amo seus olhos. E suas covinhas. Ficar sentada na escada, fumando, enquanto você toma banho. E cantarolar baixinho uma musica que lembre nós dois. Sussurrar no seu ouvido um boa noite, mesmo sabendo que você já esta dormindo. E sorrir pra você ao acordar e ao perceber seus olhos em mim. Eu quero te dar CD's que você não vai escutar. E pega-los pra mim. Assistir filmes terríveis com você. Eu quero falar, falar e falar e só perceber que você adormeceu muito tempo depois. E brigar com você pela manha por ter me deixado falando sozinha. E vê-lo sorrir e pedir desculpas. E aceita-las, mas permanecer emburrada durante todo o dia. E sentir seu abraço aconchegante ao anoitecer. E ceder. Eu quero dançar com você na chuva e sair correndo, deixando você la parado. E rir dos seus ciumes bobos. Eu quero me preocupar quando você esta atrazado e ficar surpresa quando você chega cedo. Olhar suas fotos e desejar ter te conhecido desde sempre. Eu quero sentir sua pele na minha, escutar sua voz no meu ouvido. Eu quero te abraçar quando você estiver triste. Ficar com medo quando você estiver zangado e sentir você me abraçar, dizendo que vai ficar tudo bem. E concordar, pois eu estarei la com você. Por você. E ficar brava quando você disser ou apenas pensar que eu estou rejeitando você, quando eu não estou. E surtar por você ter se quer imaginado que eu, algum dia, te rejeitaria. Eu quero te dar presentes que você não quer, e vê-lo sorrir fingindo que gostou. Eu quero escutar seus pedidos de casamento e dizer não todas as vezes, mesmo sabendo que era de verdade. E querer ter dito que sim, desde a primeira vez. Mas esperar você estar sóbrio para responder. Eu quero beber com você e ficar louca com você. Eu quero massagear suas costas quando você estiver com dor e beijar seu rosto. Eu quero perguntar sobre o seu dia e falar por horas sobre o meu. Quero dizer-lhe sobre os programas que eu assisti noite passada e rir das suas piadas. Eu quero ir a sua festa e dançar. Quero me desculpar quando eu estiver errada e ficar feliz quando você me desculpar. Eu quero dormir juntinho de você e te querer pela manha. Mas deixar você dormir mais um pouco. E te acordar depressa, quase gritando, pra você ir ao trabalho. Eu quero te dizer a verdade mesmo que eu não queira. E querer que você me conte também. Eu quero ser honesta, porque eu sei que você prefere. Eu ando pela rua, pensando. É vazio sem você. Eu quero ser quem eu sou e saber que, de alguma forma, você me aceita assim. E te aceitar, mesmo que você tenha mais defeitos que qualidades. E os amar, mais até que elas, porque são eles que fazem de você quem você é. Eu quero sorrir quando você aparecer em casa com uma flor roubada de uma casa qualquer. Quero coloca-la na orelha e sentir você me puxando pela mão escada a cima. Eu quero amar momentos assim. Eu quero sentir saudades e choramingar quando estou ao seu lado. E choramingar quando você não esta. Eu quero ligar só pra dizer que eu te amo. E te escutar sorrir e dizer que você me ama mais que eu. E rir e te dizer que é impossível, mas aceitar pra evitar briga. Eu quero brigar sério com você, deixa-lo dormir no sofá e ir de fininho de madrugada te chamar pra ir pra cama. Eu quero beijar você e dizer em meio ao beijo, o quanto eu sou feliz por te-lo comigo. E, de alguma forma, compartilhar o incondicional, irresistível, irreversível, enriquecedor e infinito amor que eu tenho por você.

I see your brown eyes

everytime I close mine
"Oi." Você disse assim que abriu a porta e me viu parada ali, mexendo as mãos como se pudesse encontrar algo em que me apoiar, algo pra me sustentar, como você costumava fazer.
"Eu estava tentando dormir um dia desses mas minha cabeça não me deixava de jeito nenhum. E ela me levou la pra longe, bem la pra trás, ela me fez ver como tudo era. Como eu sorria fácil e ria fácil também. E chorava. Como eu demorava pra dormir assim que você desligava o telefone por que essa mesma cabeça me fazia pensar em quão feliz eu estava. Em como isso de nos dois me fazia bem. Em como isso de eu e você era importante. Eu e você. Foi assim um bom tempo, quase tempo suficiente. Mas ai ela me levou a um tempo em que eu não gostei muito, mas nós continuávamos la. Os telefonemas continuavam, os sorrisos, os risos, as lágrimas, os abraços e tudo que dizia respeito a nós. Nós. Você nunca dizia a gente, lembra? Você dizia que tinha um motivo pra isso, mas eu prefiro acreditar que você nunca dizia a gente por que a gente não era nós. A gente não era um só como nós somos. Porque nós somos. E continuaremos ser ate o dia em que você disser a gente. A gente era muito comum. E nós éramos tudo aquilo que eu queria ser. Nós éramos tudo aquilo que muita gente queria ser. Porque nós éramos felizes. Éramos iguais em meio a toda diferença. Éramos amigos, companheiros, namorados, amantes. Éramos tudo e, ao mesmo tempo, éramos nada. Éramos nada porque dizem por ai que nada dura para sempre. E eu continuo acreditando que nós estamos durando. Continuo acreditando que ainda haja nós. Nem a gente, nem eu e você, apenas nós. Como diz o Caio, eu quero mais nós. Muito mais nós. Porque eu quero você de volta, eu quero você aqui comigo como eu nunca quis antes. Eu quero o nós que nós éramos, mas quero nós mais inseparáveis. Eu quero nós rolando pelo tapete da sala, nós correndo atrás um do outro pelas escadas, quero nós gritando pra ter o cuidado de não cair. Eu quero nós rindo, nós chorando e sorrindo. Eu quero nós brigando, nós beijando e fazendo as pazes. Eu quero nós sem ordem. Bagunçado. Eu quero nós dormindo juntos, acordando juntos e fazendo tudo juntos. E nada também. Quero nós gritando e cantando alto ate o vizinho vir reclamar. Eu quero nós bebendo vodka e ficando bêbados. Eu quero nós dançando em cima da mesa e fazendo amor em cima da cama. Eu quero nós almoçando e jantando a luz de velas. Eu quero nós chegando do trabalho cansados. Quero nós pulando de alegria porque você conseguiu aquele cargo na empresa. Quero nós acordando cedo pra trabalhar e acordando tarde por dormir tarde fazendo o que quer que seja. Eu quero nós discutindo por você me largar na rua pra jogar futebol e nós gritando por você ter feito um gol pra mim. Pra mim. Eu quero nós indo pra casa cedo só pra ficarmos deitados no sofá assistindo aquele filme horrível e comendo pipoca de microondas. Eu quero nós trocando sussurros quando ninguém vê e quero nós trocando carinho na frente de todo mundo. Eu quero nós sentindo saudades um do outro. Quero nós separados por um dia, quero nós juntos no dia seguinte. Inseparáveis. Eu quero mais nós. Aqueles nós que não desatam. Aqueles nós que nunca se desfazem. Nós eternos. Eu quero nós e o mundo inteiro. Ou só um quartinho. Eu quero você e, assim, poder ter nós."
"Como você ta?"
"Como nós estamos?"
"Desatados."

7 de fevereiro de 2011

Eu senti cada parte de mim

gritando alto. Mas o som estava preso bem aqui dentro.
Tudo ficou tão claro quanto os lencois limpos no armário. Diferente daqueles da cama no andar de cima. Ficou calmo, como a nossa cama. Nossa. Acho que, agora, minha. Mas é que vai ser sempre assim, pelo menos pra mim. Nossa. Como tudo ali. Como as musicas, os filmes, as frases e os momentos. Nossos. Pra sempre. E vazio, tão vazio quanto aquele apartamento. E tudo o que você disse, as coisas que você me falou pouco antes de fechar a porta pelas costas, de beijar minha testa e dizer que tudo iria ficar bemm um dia, aquelas coisas, eu não esqueci. Elas dormem comigo no sofá, porque já nao encosto na cama que costumava passar os dias e as noites atordoada por certas duas pessoas não se desgrudarem em cima dela. Aquelas coisas que você disse, bom, elas caem do sofá durante a noite quando minha mente ou sei la o que, insiste em trazer-me você nos meus sonhos. Você segura a minha mão e sorri. Aquelas três palavras saem da sua boca e então eu sei. Eu acordo. Aquelas coisas que você disse antes de fechar a porta pelas costas escalam o sofá e então eu lembro. Não adiantam os sonhos ou os sonos, elas sempre voltam. Como as contas pra pagar no fim do mês, como a noite e a manha, o sol e a lua, o vento e o calor. Tudo sempre volta. Ou talvez nem tudo. Mas tudo continua, nada espera. Nada nem ninguém vai permanecer esperando por mim sentado a beira da minha porta. Ninguém vai tocar a campainha ao fim de cada tarde e murmurar, Você já esta pronta? Você precisa continuar. Ate por que a vida não é assim. E eu aprendi isso com você. Os copos com restos de vodka não vão secar sozinhos, nem as xícaras com pó de café no fundo vão se limpar sem minha ajuda. O mundo inteiro continua sem mim, o que permanece comigo é aquele apartamento e tudo dentro dele. As plantas morrem se eu não as regar, a caixa de correio entope se eu não me importar em esvazia-la. A verdade é que não há muita importância em uma planta morrer ou um copo permanecer sujo. Talvez haja, eu só não tenho me importado muito, simplesmente por que não há motivo pra se importar. Não um motivo plausível. Não pra mim. A porta abriu devagar e eu pus meu corpo pra fora dali. Um dunhill carlton, por favor. Suguei todas aquelas coisas que tem ali dentro como se pudesse suga-lo pra mim de novo. E com você tudo o que se foi. Tudo o que você trouxe e que levou de volta quando fechou a porta pelas costas. E soltei a fumaça, como se soltasse tudo o que ficou depois que você fechou a porta pelas costas. A minha vida tem se resumido ao quando e ao depois que você fechou a porta pelas costas sem se importar muito em como eu conseguiria continuar, ou melhor, não conseguiria. Minha vida tem se resumido a lembrar do antes de você fechar. As memorias, sabe? Por que as memorias são as únicas coisas que me restam de uma vida que eu não sei se vai voltar. Simplesmente por que você não me deixa saber mais. Isso por causa do quando você fechou a porta pelas costas. E o depois de você te-la fechado me faz crer que nada é como antes e que nunca mais será. Simplesmente por que ainda te sinto aqui, sendo que não esta. Ainda sinto o perfume e escuto todas as coisas que você já me disse, mesmo que ao telefone, mesmo que num sussurro. Simplesmente por ser tão vivido, sendo que não é. E eu sei que não é, por que não é real. Não é real quando escuto a porta se abrindo e fechando atrás dos meus ouvidos. Não é real quando sinto o sofá afundar em uma ponta e quando sinto uma mão se arrastando desde o pé ao meu rosto. Não é real quando sinto uma voz dizendo que tudo não passou de um pesadelo. Não é real porque quando eu abro os olhos não te vejo. E não há coisa que doa mais do que acordar de manha e não encontrar seus olhos fechados ao meu lado, dormindo um sono tão pesado que não escutaria os meus mais altos gritos por ter tido um estranho sonho que você fechava a porta pelas costas, apenas deixando-me as palavras de que tudo ficaria bem. Mesmo sabendo que não.
"Bom dia!"
"Oi."
"Por que as lágrimas?"
"Eu estava aqui agora mesmo pensando em como é incrível o seu sono, você não acorda nem com meus gritos."
"Pesadelo?"
"Você fechava a porta pelas costas e dizia que tudo ia ficar bem."
"Mesmo sabendo que não?"
"Mesmo sabendo que não."
"Vai ficar tudo bem, eu não vou sair daqui. E nem você. Já percebeu como essa cama fica calma sem nos dois?"
"Já. Já sim."

1 de fevereiro de 2011

Ou talvez eu seja só um reflexo

Eu digo a mim mesma, numa tentativa frustrante e desesperada, que tudo vai ficar bem. Digo pra que meus sorrisos ao longo do dia pareçam mais persuasivos. Pra que meu olhar não denuncie tudo aquilo que eu tentei esconder de todos e de mim mesma. Durante um bom tempo eu venho acreditando nisso, que tudo vai ficar bem, simplesmente por que ultimamente eu tenho me sentido muito sozinha. Eu precisava provar, não para os outros, aqueles que não se importavam, mas pra mim. Olho-me no espelho na esperança de conseguir entender tudo isso. Como se o espelho pudesse entender, sem que eu precise dizer, talvez através dos olhos, o que me atormenta. Algumas vezes, não muitas, não comparado as vezes que quis dormir e não mais acordar, mas algumas, eu queria poder não ser nada alem do que um reflexo. Aquilo que transmite si próprio, mas que não é. Aquilo que mostra suas roupas, seu cabelo, seus tipos de sorrisos, seus olhares e suas poses, mas que não é você. Aquilo que não existe se você não estiver ali. Talvez eu seja mesmo um reflexo. Seu. Mas não por ter os mesmos olhos, ou o mesmo sorriso. Mas pela parte do existir. Ou melhor, do não existir. E eu me pergunto aonde isso tudo vai parar. Se eu posso esperar por qualquer coisa que me faca saber que tudo não passou de um sonho e que a hora de acordar já passou e que eu continuo aqui de intrometida. Ou talvez seja a realidade mesmo, nua e crua. Porque "nua e crua" não quer dizer que seja ruim. Quer dizer que é de verdade, que não esconde nada, que a realidade é a realidade, sem tirar nem por, com todas as dificuldades que todos dizem que encontraremos e que encontramos mesmo, com todas as decepções que dizem que teremos e que temos, e com os amores que todos dizem que quebrariam nossos corações. E, veja, aqui estou: eu, este apartamento, e o coração quebrado de quebra. Mas depois das dificuldades, das decepções e dos corações partidos, a gente sempre acredita que, no fim, tudo vai dar certo. Tudo pode dar certo. Durante um bom tempo eu venho acreditando nisso, do final feliz, simplesmente por que ultimamente eu tenho me sentido muito sozinha. E fingir pra mim mesma que tudo isso e apenas pra que eu possa provar pra mim mesma que eu posso, mas a verdade e que eu não sinto como se eu pudesse. Sinto como se eu fosse levantar e cair, e ninguém pudesse me ajudar. Ou como se eu estivesse andando, correndo talvez, em linha reta, e bem la na frente há uma precipício que eu não estou vendo, e que não há ninguém pra me avisar. E eu caio. E vou caindo.
Caindo
Caindo Caindo
E no final eu continuo la, estirada no chão, sem nenhum arranhão no rosto, mas com milhões de pedacinhos de um coração que amou mais do que poderia. E o que mais doí é saber que eu permiti. Eu permiti que me quebrassem o coração, que me arrancassem os braços, as pernas e deixassem aquilo que não acredita em nada de bom. Aquela maquina que chamamos de cérebro, aquilo que comanda tudo, tudo, mas que não foi capaz de me impedir. Que não foi capaz de dizer, Ei, não deixe isso acontecer. Ei, eu digo agora pra você, você não é tão poderoso assim. E mais, sem aquilo que você deixou que me quebrassem e arrancassem e pusessem em lugar qualquer, você não serve. Preferia bilhões de arranhões no rosto e em todo o corpo a milhões de pedacinhos deste coração que eu já nem sei se da pra consertar. E se tiver, não há ninguém aqui que me ajude a conserta-lo. Durante um bom tempo eu venho acreditando nisso, ou melhor, não venho acreditando em nada, simplesmente porque eu estou mesmo sozinha. Eu já não sei mais em que acreditar. Ou em quem. Eu já nem sei mais de mim. E sabe o pior? Eu só não sei mais de mim porque não sei mais de você. Olhei de novo para o espelho e suspirei. Eu sou mesmo seu reflexo, então, por favor, não suma, não vá embora, continue aqui. Porque, bom, um reflexo não existe sem um objeto. E, felizmente, você é o meu.