12 de fevereiro de 2011

I see your brown eyes

everytime I close mine
"Oi." Você disse assim que abriu a porta e me viu parada ali, mexendo as mãos como se pudesse encontrar algo em que me apoiar, algo pra me sustentar, como você costumava fazer.
"Eu estava tentando dormir um dia desses mas minha cabeça não me deixava de jeito nenhum. E ela me levou la pra longe, bem la pra trás, ela me fez ver como tudo era. Como eu sorria fácil e ria fácil também. E chorava. Como eu demorava pra dormir assim que você desligava o telefone por que essa mesma cabeça me fazia pensar em quão feliz eu estava. Em como isso de nos dois me fazia bem. Em como isso de eu e você era importante. Eu e você. Foi assim um bom tempo, quase tempo suficiente. Mas ai ela me levou a um tempo em que eu não gostei muito, mas nós continuávamos la. Os telefonemas continuavam, os sorrisos, os risos, as lágrimas, os abraços e tudo que dizia respeito a nós. Nós. Você nunca dizia a gente, lembra? Você dizia que tinha um motivo pra isso, mas eu prefiro acreditar que você nunca dizia a gente por que a gente não era nós. A gente não era um só como nós somos. Porque nós somos. E continuaremos ser ate o dia em que você disser a gente. A gente era muito comum. E nós éramos tudo aquilo que eu queria ser. Nós éramos tudo aquilo que muita gente queria ser. Porque nós éramos felizes. Éramos iguais em meio a toda diferença. Éramos amigos, companheiros, namorados, amantes. Éramos tudo e, ao mesmo tempo, éramos nada. Éramos nada porque dizem por ai que nada dura para sempre. E eu continuo acreditando que nós estamos durando. Continuo acreditando que ainda haja nós. Nem a gente, nem eu e você, apenas nós. Como diz o Caio, eu quero mais nós. Muito mais nós. Porque eu quero você de volta, eu quero você aqui comigo como eu nunca quis antes. Eu quero o nós que nós éramos, mas quero nós mais inseparáveis. Eu quero nós rolando pelo tapete da sala, nós correndo atrás um do outro pelas escadas, quero nós gritando pra ter o cuidado de não cair. Eu quero nós rindo, nós chorando e sorrindo. Eu quero nós brigando, nós beijando e fazendo as pazes. Eu quero nós sem ordem. Bagunçado. Eu quero nós dormindo juntos, acordando juntos e fazendo tudo juntos. E nada também. Quero nós gritando e cantando alto ate o vizinho vir reclamar. Eu quero nós bebendo vodka e ficando bêbados. Eu quero nós dançando em cima da mesa e fazendo amor em cima da cama. Eu quero nós almoçando e jantando a luz de velas. Eu quero nós chegando do trabalho cansados. Quero nós pulando de alegria porque você conseguiu aquele cargo na empresa. Quero nós acordando cedo pra trabalhar e acordando tarde por dormir tarde fazendo o que quer que seja. Eu quero nós discutindo por você me largar na rua pra jogar futebol e nós gritando por você ter feito um gol pra mim. Pra mim. Eu quero nós indo pra casa cedo só pra ficarmos deitados no sofá assistindo aquele filme horrível e comendo pipoca de microondas. Eu quero nós trocando sussurros quando ninguém vê e quero nós trocando carinho na frente de todo mundo. Eu quero nós sentindo saudades um do outro. Quero nós separados por um dia, quero nós juntos no dia seguinte. Inseparáveis. Eu quero mais nós. Aqueles nós que não desatam. Aqueles nós que nunca se desfazem. Nós eternos. Eu quero nós e o mundo inteiro. Ou só um quartinho. Eu quero você e, assim, poder ter nós."
"Como você ta?"
"Como nós estamos?"
"Desatados."