25 de julho de 2011

Carta ao passado.

Algum lugar no esquecimento, tanto de tanto de mil novecentos e tanto.

Nome do destina(o)tário,

Dizer-lhe-ei o motivo no qual envio esta adorável carta no fim desta. Devo-lhe dizer que amor para mim é tão relativo quanto gosto. Você gosta de futebol, eu gosto de computador. Você gosta dela; eu, bom, não é de você que eu gosto. Não posso dizer-lhe que não te amei. Amei, e como amei. Amei. Ei. É, você mesmo, cresça um pouco, seus quinze anos mais três não lhe fazem um homem. Você precisa mesmo aprender o que é ser homem, poderia te ensinar, acho que sou mais homem que você. É, tenho certeza.
Talvez você esteja se perguntando o porquê desta carta, já lhe disse, no fim. No fim. Argh, fim. Acho que o fim não deveria existir, não é mesmo? É, acho que você concorda comigo. Tudo deveria começar, só. Para que o fim, meu Deus? Para novas pessoas, novos acontecimentos? E por que não acontece tudo d'uma vez. Amores desamores desespero tristezas filhos casamentos namoros namorados adas mãos dadas. O fim deveria ser só a morte, sei lá, sabe. Mas talvez eu entenda Deus. É preciso algo terminar para que outro comece. Mas seria tão melhor se algo começasse enquanto o outro ainda nem terminou? Nossa, isso pouparia quase os sete bilhões de corações existentes no mundo.
As pessoas sofrem tanto com o término de algo e até que outro algo aconteça, dói tanto. Você sabe, né, Deus, como dói. Tantas noites conversei com o Senhor antes de dormir. "Tire esse menino da minha cabeça, Deus," - é, você mesmo - "eu não aguento mais.". Mas Ele nunca tirou. Quem tirou foi você mesmo. Você se deixou escapar de mim. Eu, com minhas mãos pequenas, fui incapaz de segurar-te em mim. Lástima, talvez seja esse o nome. Pensei tanto em como seria. Cheguei até a acreditar que daria mesmo certo. Talvez tenha dado, por uns cinco ou seis meses. Depois a gente se perdeu. A gente. Olha só como me refiro a você e eu agora. Sem nós. O nós se desatou por esses meses que passaram. Deixamos desatar.
Deve ser estranho olhar tanta coisa que antes me lembravam você e não sentir nada. Deve não, é. É esquisito ouvir uma música e lembrar que era a nossa música, mas só. Ao chegar a casa, não há mais você para dizer da música tocando no rádio. Não há nem mais música. Perdeu-se tudo. E culpo você, mas não só você. Culpo a mim por ter aceitado essa insanidade toda. In-sa-ni-da-de. Não há outra palavra para melhor descrever o que fomos. O que passamos. Eu sabia no que daria, mas deixei-me levar por seu jeito bobo. Bobo só no começo. Tornou-se tão igual, menininho, tão diferente do que era. Não sabia se sempre fora assim, se havia se tornado assim ou se te via assim, sei lá porquê. Ou talvez, naqueles cinco ou seis meses, eu tenha te visto como eu queria ver.
Olha só, chegou a hora. Espero que esteja tudo bem aí. Sua família e você. Acho que poderia desejar-te felicidades. É, desejo felicidades a você. Não vá me ligar dizendo que não as aceita, por favor, já disse, cresça. Gosto tanto de você, menino. Você me ensinou tanto. E aprendi, diga-se de passagem, muito. E vou levar para sempre comigo, acredite. Torça, vou torcer também, para que encontre alguma mulher mais insana que eu e que te aguente e ame tanto quanto amei. Ei. É, você de novo, cuide-se, tudo bem? Cuide-se. Acho que não é preciso motivos, nem nada desse tipo. Só seja feliz, eu serei também.

D.C

P.s: Caso encontre-me na ruas, cumprimente-me, sorria e vá embora.

P.s²: Não tenha ódio de mim, o oposto do amor é a indiferença. Ódio é para os fracos.

P.s³: Foi um prazer dividir parte da minha vida com você. Adeus.

P.s do p.s³: Graças a Deus.