Cem mil palavras não poderiam explicar ao certo o que sentimos. Sentimos, não de estarmos sentindo, mas de termos sentido um dia qualquer. Alguns dias quaisquer. Acho que até por tempo demais. Nós deixamos de dizer algumas coisas, coisas que hoje já não podem serem ditas, simplesmente porque ficaria fora de contexto. Você aí e eu aqui, se dissermos sentir saudades ou amor, não sei, acho que não é isso que precisa ser dito. Cantávamos para sorrir e eu para você dormir. Respirávamos tão lentamente, era quase impossível de se ouvir. Eu quase sempre conseguia e quase sempre sorria ao escutar. Sei lá se era por saber que você estava ali ou por saber que estava vivo ou talvez só por estar respirando mesmo e não se importar com que eu escutasse sua respiração quase sempre ofegante. Era de sua natureza mesmo, respirar pesado, talvez por causa da sinusite. Preferia acreditar que sorria por saber que você era meu, pois se não fosse, não respiraria comigo ao telefone. Prefiro acreditar em tanta coisa que não acontecia pelos motivos que eu pensava acontecer, só para não machucar-me mais. A um tempo atrás, tudo parecia significar ou terminar em "eu amo", seja você, eu ou qualquer coisa. O amor estava quase sempre presente em nós. Nós nos perdemos em meio ao nada e cem. Era como se eu fosse o nada e você o cem, ou vice-versa - não é o valor que cada um tem que está em questão, mas nós nos perdemos em meio a mesma coisa e permanecemos distantes. Nós passamos a respirar mais depressa, com pressa, com tanta rapidez de respirar e falar e fazer e resolver tudo de vez, que acabamos esquecendo do verdadeiro motivo de tudo aquilo. Eu gostaria de continuar e dizer os motivos que nos levaram a prosseguir, mas acabei esquecendo quando tentei salvar algo que já havia se perdido, dessa vez entre o nada e o qualquer coisa.