7 de novembro de 2011

O reflexo do amor contido em silêncio.

Procura encantar - quase sempre - tudo que a envolta. E quase tudo a confunde, menino, pois vive com a cabeça nas nuvens. Mas encanta, devo-lhe dizer, meu bom moço. Encanta maravilhosa e encantadoramente. Teus olhinhos de um azul cor do céu, de um brilho como duas estrelas e de uma grandeza como a Lua. Olhinhos não, são duas pedras, portas, portais, para o paraíso. É só piscá-los e pronto, enfentiça o mundo. O pequeno e complexo mundinho dele. Ela o enleva, o gira, o envolta. Bagunça teu quarto, cabelo, vida. Bagunça tudo até você se acostumar com a bagunça. E, meu bem, quando acostuma-se com a bagunça dessa moça, não há limpeza que a conserte. Mantenha teus olhos fechados pra que teu encanto não o encante, encanto. Mantenha teus lábios selados para que sua voz não o agonize de prazer; tuas mãos nos bolsos pra que as dela não o puxe para o amor. Amor, esse, que arranca de ti sorrisos notáveis, risos estonteantes, abraços sufocantes, lágrimas duradouras. E tristes, devo ressaltar. Quando joga aqueles cabelos ao vento, meu rapaz, corra e os prenda. São como cordas, como laços. São como nós cegos, difíceis de desatar quando o enlaça e o ata em si, em ti, na cama. Tem cheiro de chuva, de grama molhada, de manhã de domingo sem compromissos. Tem cheiro de comida de mamãe, do café do vovô. Tem cheirinho de bebê após o banho, de fim de tarde, de amor. E aquela pele, Deus!, aquela pele cheia de manchinhas engraçadas, de pintinhas bonitinhas e agradáveis. Repleta de arrepios constantes, de prazeres contidos, de amor revelado.


(Guarda, em cada mancha, um pedacinho quebrado do coração.)


Ele beija cada mancha que pode, que se pode ver ou tocar. Sorri para ela como se fosse o último e único modo de demonstrá-la amor. Sorri com os olhos, com o coração, com amor. E não há nada que faça que não venha seguido por um beijo, daqueles que mal se encosta os lábios, porém o que mais lhe faz tremer as pernas. Ele sabe amá-la, moço, vê-se pelo olhar. Os olhos dele brilham feito águas cristalinas do mar quando ela sorri. É, moço, tem amor de sobra, esse menino. Tem amor p'ros dois, e não vá duvidar. Mas sabe de uma coisa, moço? Creio que ela também o ame. Veja esses olhos - sim, as portas para o paraíso - veja como se exaltam e repuxam nos cantos quando sorri. Veja como aquelas covinhas ressaltam teu sorriso quando o vê. Ela tem amor imenso por ele, moço, vê-se pelo olhar. E pelas mãos trêmulas que, mesmo quando ele as segura, parece que faz um tremendo frio dentro dela. Olhe, moço, olhe o modo como ela põe a mão em sua perna, como se pudesse prendê-lo a ela para sempre. Acho que, se pudesse, viveria segurando-o pelas roupas para que não fugisse. Dá para ver que ama recostar a cabeça em seu peito, veja como o faz com graciosidade. Tão sutil, essa menina. Ele ri da meiguice dela, tão doce, ela. Tanta doçura pra tanta dor. Vê-se de longe que ele é algum tipo de porto seguro, sabe? Como se a qualquer momento ela pudesse desabar, mas não aconteceria, pois ali estaria ele. Talvez seja isso mesmo, nunca parei para pensar. Mas sabe de uma coisa que sei, meu rapaz? Eles se amam, vê-se pelo espelho.