Remanescer, talvez, seja o mesmo que rarear. Quando se trata de amar, quase tudo ganha-se o mesmo sinônimo.
Remanesce ainda, pequena, meu amor jogado aos lençóis, para não dizer ao vento, esperando você voltar e dizer: remanesce você em mim. E de toda candura que te cerca, menina, tens, por cerca, o coração gelado pra te proteger. Então nada diz.
Leve esse sorriso leve pra longe do vento molhado, pra longe da água que lava a alma. Pois ela lava sorrisos inocentes também.
Eu compro a tinta que quiser, mudo a cama de lugar, faço tua comida predileta pro jantar. Assisto o teu time perder, beijo você pra te consolar. Fico quieto pra você dormir, acordo-te com beijos ao amanhecer, prendo-lhe na cama só mais um pouquinho antes de trabalhar. Rio das suas piadas, só pra não te deixar sem graça. Eu pinto o teu rosto com beijos, faço uma escultura do teu corpo com o meu. Invento uma arte diferente, aquela que todo mundo sente, que tem por nome amar. Então vem e diz, minha menina, que o que remanesce em você é o amor que tens por mim. Que espera que eu volte e te puxe p'ro meu peito toda noite, que lhe cante uma canção de ninar impovisada e misturada com teu teatro de carência. Que te ame a noite inteira e todo o resto. Tudo bem amar, menina, então tudo bem sonhar também. Não sinta-se acanhada por sentir amor por mim, e não é querendo me gabar nem nada, mas teus olhos tem um brilho encantador quando me olha. Eu posso até me acostumar com o teu jeito meio louco, com quando passa a mão na cabeça quando está nervosa. Posso até me acostumar com teu ciúme bobo, mas, por Deus!, menina, não irei, jamais, acostumar-me com a falta que me faz. Então não se preocupe, a saudade faz parte do pacote amor. Amor é como música. Ora nos fazem chorar, ora nos fazem rir. E talvez choremos mais que sorrimos, qual o problema? Lágrima é melodia, é aroma de flor. Lágrima é aquilo que acontece quando se tem, no sorriso, amor.
E te canto um sorriso doce, feito o som do seu olhar. Canto-te meu abraço, tão presente em meu sonhar. E a música, talvez, eu fale ao pé do teu ouvido, bem baixinho, abraçando-te apertado, fazendo-te sorrir com os olhos e cantar, com os olhos fechados e um sorriso nos lábios, nossa canção de amar. E canto, vez ou outra também, teu mais belo pensar, que quando pensa em mim, flutua feito pena. Mas pena é estar tão distante quando o que preciso, é do teu pensar. Do teu achar, do teu amor. Pena é estar tão longe, mesmo logo aqui ao lado, enquanto beijo-te o ombro, mas com a cabeça lá. Sabe-se lá onde, menina, mas um lá maior. Tão enorme, tão gigante. Tão lá, tão pouco mim. Tão lá, tão só. Tão sem dó de mim aqui, menina, cantando-te canções de ninar, sem ter você p'ra embalar, p'ra errar a letra, p'ra dormir depressa, sem pressa de sonhar. Sem você aqui p'ra olhar, em mim, paz gigante, estonteante calma que me cerca, mas só quando estais acerca de mim.
(E, moça, tudo é vazio - perdoe-me o clichê - sem você.)
Cá estou, moça bonita, com meus olhos marejados de lágrimas, com meu coração afogando-se em amor. Amor esse que sorri p'ro mundo, canta p'ro vento, embala teu corpo e te põe p'ra dormir. Amor que faz encantar, com o olhar, todo um mundo. O meu mundo. Amor esse que te puxa p'ra perto, enche-te de beijo, ama-te e ama-te. Amar-te é fácil, menina, como cantarolar uma música bonita qualquer, que me faça lembrar do teu riso em meio a noites de dor, quando digo, — seja o que Deus quiser. Saudade é a pétala de flor murcha na mesa de cabeceira. É o último segundo da música predileta tocando na rádio, é o cinco minutinhos quando se tem que acordar. Saudade é gozo do amor sentido, que quando não a tem, é nulo.
Saudade é sintoma de amor sussurrado, bem quietinho, trancado no quarto, sorrindo p'ro céu. Saudade é a inocência de amar errado, de querer o pouco, de contentar-se com o nada, é candura de cantar amor.
Não cante, não grite, não fale. Sussurre teu amor só p'ra mim, menina. Tudo ganhou ouvidos e mentes maldosas. Não fale, não grite, não cante. Sussurre teu amor ao pé do meu ouvido, grito em ti tudo o que sinto, sem deixar que ninguém escute. Sussurre, em meio aos nossos beijos, teu amar por mim, que canto bem baixinho, madrugada a fora, dentro de ti, todo o meu achar sobre o amor que tens por mim. Que canto, num sussurro miúdo, minha canção de amor por ti.
Saudade é sintoma de amor sussurrado, bem quietinho, trancado no quarto, sorrindo p'ro céu. Saudade é a inocência de amar errado, de querer o pouco, de contentar-se com o nada, é candura de cantar amor.
Não cante, não grite, não fale. Sussurre teu amor só p'ra mim, menina. Tudo ganhou ouvidos e mentes maldosas. Não fale, não grite, não cante. Sussurre teu amor ao pé do meu ouvido, grito em ti tudo o que sinto, sem deixar que ninguém escute. Sussurre, em meio aos nossos beijos, teu amar por mim, que canto bem baixinho, madrugada a fora, dentro de ti, todo o meu achar sobre o amor que tens por mim. Que canto, num sussurro miúdo, minha canção de amor por ti.