Com as fotos amareladas, foram-se os sorrisos roubados nas noites de chuva infinita. E junto deles meu amor, que já tão ferido andava por seus descuidos em breves noites de dor. E, perdoe-me a ignorância, mas causaste em mim ânsias de felicidade constantes. No entanto, meu bem, como toda ânsia, estas não duravam tanto quanto as sensações em que eu buscava. E buscava quase sempre em meio as noites de lágrimas, que era quando mais precisava de afeto. E sabes que não é qualquer um. O seu, meu amor, era – ou ainda é – o único de que preciso. E o tive toda vez em que precisei, não posso negar, mas temos que concordar em ao menos uma coisa, meu menino, afeto não é amor. Mas talvez houvesse amor em meio a tantos sentimentos no liquidificador. Talvez, digo, pois tão confuso eras, meu príncipe – e devo dizer que amo recordar-te desta forma -, que fazia dos nós que a vida nos dava, nós cegos. Tão cegos que já não podíamos enxergar o amor em meio a tanta coisa. E então, perdeu-se tudo. Lembra-se das fotos que se amarelaram com o tempo e que com o tempo se foram? Foi-se com elas toda a minha capacidade de sentir quaisquer pontinha de afeto-barra-amor. E então vi-me despida de sentimentos e, de repente, meu benzinho, despir-me de roupas em noites perdidas com você e para você pareceu-me muito simples e fácil diante da falta de sentimentos que tem me rondado por noites a fora. E então peguei-me desejando uma daquelas noites de calor infinito, um sofá pequeno e o céu coberto de estrelas. O breu tomando conta de cada canto do nosso cantinho. E o único som presente seria o da sua voz rouca cantando-me minha canção predileta do mês ao pé do ouvido. Seu sorriso destacado em meio a escuridão se misturava com o meu em meio aos beijos que me dava certas vezes. E lá estaríamos nós, enroscados no sofá feito nós que não desatam. Provando cada pedacinho de cada dia que ganhamos. Amando-nos como a primeira vez que o fizemos. Dormindo, sonhando. Lembrando de que noites como esta nunca mais aconteceriam, simplesmente porque já não existe mais nós na vida. O nós que havia, desatara. E não sobrara nada, exceto meu amor infinito e atado p'ra sempre em meu coração.