21 de dezembro de 2011

Certa noite, enquanto eu sonhava com você...

Coloriu os lábios com batom avermelhado. Pintou os olhos de cor de céu à noite e contornou os olhos de breu. Pôs seu mais bonito pijama, deitou-se na rede da varanda e pôs-se a ler teu melhor livro. 

(talvez não fosse o melhor, mas era o que lhe cabia naquela noite)

Ouvia de longe uma melodia tão doce, tão confortável que teve seus olhos fechados. Não conseguia abri-los, então entregou-se à noite. As estrelas iluminavam o céu juntamente da lua nova. A chuva caia devagar, leve, fina. Seu corpo inteiro se arrepiou com o vento que batia leve. Puxou as pernas para si, abraçando-as. Em outras noites, teria tido o corpo coberto por cobertores. Inúmeros deles. Mas tal época se fora. Hoje tens que dormir ao relento, ou então em sua cama, em seu quarto aconchegante, mas que a levaria lembranças desconfortáveis. Dormir ao relento, talvez, não fosse tão ruim. Dormir sob estrelas e ao lado da chuva, também não. E assim foi, por noites seguidas. E em uma dessas noites, tal como a anterior, enquanto dormia ao relento, sob lua cheia e poucas estrelas e nenhuma chuva, quando teve seu corpo tomado por arrepios causados pelo frio fino, teve teu corpo levado para dentro. Coberto por outro corpo, tão quente, esse, que a fez agarrá-lo. E disse, ainda de olhos fechados, talvez até mesmo dormindo: não vá embora outra vez.