8 de dezembro de 2011

Se eu não tivesse olhos ou um coração batendo, ainda seríamos nós dois.

If I lay here, If I just lay here,
would you lie with me and just forget the world?

Talvez o fim seja apenas um começo. Ou talvez seja mesmo o fim. De nós, do que somos e quem somos. E a continuidade de todo o resto, sem nós.

Quando os olhos se fecham, o que nos dão, a princípio, é nada. Tolos, aqueles que acham isso. Quando os olhos se fecham, o que nos dão, a princípio e todo o resto, é o mundo. Fechar os olhos não é apenas adormecer ou uma ação involuntária do nosso corpo. É querer conhecer o que não nos é permitido com estes abertos. Ao fechar os olhos, temos tanto que nada enxergamos com medo do que há a nossa espera. Somos tão estúpidos e arrogantes que, ao fechar os olhos, sentimos como se não houvesse nada. E imaginamos, quase todos os dias, o que há de ser de nós quando chegar o fim. "Será tudo escuro!". Talvez devêssemos agradecer se for, realmente, tudo um breu danado. Há coisa melhor que fechar os olhos? Permitem-me reformular a pergunta. Há coisa melhor que fechar os olhos e ter o mundo com estes fechados? Mas é claro. Tolos, são os que disseram que não. Não somos loucos de permanecer de olhos fechados o resto da vida. Sozinhos. Fechar os olhos, ter o mundo com estes fechados e poder dividi-lo. Isso, não há coisa melhor que isso. Deitar à beira do mar à meia-noite de um dia qualquer. Observar as estrelas até que as pálpebras ganhem força e caiam sobre nossos olhos. Arrastar a mão até uma mais próxima e agarrá-la com a força de um alguém desesperado por companhia eterna. E, de alguma forma que minha capacidade não permite ousar explicar, dividir com ela todo o seu mundo, de olhos fechados. Abrí-los, se for mesmo necessário fazê-lo, só tarde do dia seguinte. Não há o que perder quando estamos aprendendo a sobreviver num mundo em que não conhecemos, pois ainda habitamos um mundo onde é preciso abrir os olhos para vê-lo. Para vive-lo. 

No entanto, lá está o dia onde vemos se aprendemos tudo suficientemente bem, para então podermos exercer tudo aquilo que nos foi ensinado, de olhos fechados. Quando os olhos se fecham, agora num período mais longo, nos dão o nosso mundo, aquele que construímos cada vez que tivemos nossos olhos fechados, voluntaria ou involuntariamente. Lá está ele, do jeito em que construímos, com aquela pessoa em que escolhemos construir. Entende o porquê de ser quase necessário uma mão sobre a nossa? Não há quem habite um mundo só e sobreviva. Não há quem viva uma vida inteira de olhos abertos sozinha e viva uma vida inteira de olhos fechados tendo uma mão para segurar e caminhar no fim de tarde. 

Talvez o fim seja mesmo o fim, do mundo de olhos abertos. E seja a continuidade de um mundo às escuras para os que vêem de fora, mas cheio de cor para os que o habitam.