2 de março de 2012

Pedaços de amor em manchas de lágrimas sobre o papel amassado.

Deixo-lhe, aqui, os meus sinceros carinhos. Os agradecimentos tomei a liberdade de guardar para mim, afinal, foi tudo uma troca muito justa. Nosso amor foi uma troca muito justa. Mas uma troca. E o amor, principalmente, deveria ser uma daquelas coisas em que fazemos sem esperar qualquer reciprocidade. Incondicionalmente, exatamente como o amor deveria ser tratado. E nós, em toda nossa insignificância de ser, ou não, humano, tratamos o amor como um cumprimento. Só se dá amor quando se recebe. E como bons seres-humanos que somos, em toda essa brincadeira de quem deseja o bom dia primeiro, acabamos tendo um péssimo dia e nenhum amor para suspirar por. Nenhum beijinho de boa noite, nenhuma declaração de amor, por mais clichê que fosse. Nenhum sinal de carinho, de carícias, de afeto, de existência. De que ali já houvera amor. De existência de nós. Junto com os carinhos, fui ousada o suficiente para deixar-lhe alguns beijos de despedida. Espero que goste, sabe que batom em meus lábios me aterroriza. Valorize este pedaço de papel com manchas vermelhas, pois jamais verá parecido ou de verdade. Confesso-lhe que sinto falta dos teus beijos distribuídos por cada parte de mim. Saudade. Não se preocupe, não dói tanto, forçou-me a aprender a conviver com ela. Neste pedaço de papel rasgado e pouco amassado, peço-lhe que não me procure. Sei que lembrarás de mim quando for se deitar, pensará em alguém para cantar-lhe cantigas de ninar em seu ouvido e não encontrará ninguém além de mim. Tocará o telefone, mas desistirá. Sei que irá sonhar com nossas noites de amor e acordará sorrindo. Esperará por qualquer sinal que venha de mim, mas nada virá. Eu não irei. Sinto-me perdida escrevendo-te e mais ainda sem ter-te aqui. Sinto-me em um enorme campo escuro, gélido e completamente ausente de você e de qualquer outra pessoa que seja. Sinto-me só mesmo em meio a milhões de pessoas. Sinto-me só pois não o sinto. Não o sentindo, não o tenho, não o pertenço. Mas o amo. Sinto-me em paz quando te penso comigo, quando repenso em você e trepenso em nós. Sinto-me triste quando procuro mas não o encontro, sei que não estás por aqui. Amor tem isso de esperança em excesso, de que é a última que morre. Tenho boas novas, o amor tem outro nome. Adivinhe só, pois não me atrevo a dizê-lo. E o amor, tendo o nome que tem, não poderia permanecer em nós.
Deixo-lhe, aqui, neste pedaço de papel manchado com batom vermelho, amassado, rasgado e com vestígios de um choro breve, meu sincero amor por você.

Meu desamor,
que é o que está por vir,
deixo para escrever-te outra hora.

Não volte, não procure. Amo-te, mas não te gosto.
Não telefone, não venha até mim.
Amo-te, gosto-te mas não o quero.

Amo, gosto e quero e tudo o que disser sobre ir-embora-para-nunca-mais esqueça.

Apareça pela manhã, farei um café bem doce para você. Não bata na porta, não toque a campainha. Acorde-me em minha nossa cama. Beije-me a testa, os lábios, o rosto. Tome café comigo e sirva-me um pouco de amor eterno. Não sei se há, mas você pode trazer quando vier.

Não se atrase, estarei sonhando com você.