Eu queria te contar o que são todos esses anos sem um sorriso teu. Ou um olhar desconfiado que fosse. Até mesmo um resmungo baixo, enjoado da vida. O que são as manhãs sem leite morno, torrada e almoços em casa. A cama, por exemplo, tornou-se vasta demais, vazia demais. Demasiadamente incompleta. Os travesseiros dormem na cama e acordam no chão. Não há você os prendendo entre as pernas. Não há cobertores e cobertores sobre a cama, apenas um lençol fino e frio. Não há a televisão ligada a noite inteira. Não há noite inteira, só fragmentos. Pedaços de noites em que durmo e acordo com pressa, com os olhos correndo pelo quarto, procurando qualquer sinal de você. Não há você.
Já faz tempo que quero lhe contar estas coisas, mas não o encontro. Não lhe sei. Não me sei.
Não há você há muito e já nem sei se houve, um dia.
Não há eu, Frederico, pois hei de ter morrido com todo o resto ao meu redor.
Já faz tempo que quero lhe contar estas coisas, mas não o encontro. Não lhe sei. Não me sei.
Não há você há muito e já nem sei se houve, um dia.
Não há eu, Frederico, pois hei de ter morrido com todo o resto ao meu redor.