31 de janeiro de 2010

peço-lhe apenas...

Todos nós precisamos de bens. Alguns de nós preferem os bens materiais, outros os sentimentos. Mas há aqueles que simplesmente não precisam de nada disso. Não lhe peço uma aliança cravejada de brilhantes, nem um colar com um imenso pingente com um cristal. Não lhe peço uma bela casa para morarmos no futuro, nem um imenso apartamento em Miami. Não lhe peço para que, sempre que voltar pra casa, traga-me flores, nem peço-lhe que me faça um jardim no quintal. Não lhe peço uma linda manhã ensolarada de domingo no parque, nem uma bela tarde de sábado no calçadão. Não lhe peço uma noite fria deitados debaixo de um cobertor, vendo um lindo filme de romance, nem peço-lhe que me abrace quando o medo bate, assim que começa um filme de terror. Não lhe peço que me ame, nem que me faça feliz. Não lhe peço sua mão, nem seu corpo inteiro pra mim. Não lhe peço que fique comigo pra sempre, nem que passe só um dia ao meu lado. Não lhe peço para me esperar terminar o banho, nem que tome banho comigo. Não lhe peço para ficar mais um pouco, nem peço-lhe que durma ao meu lado. Não preciso de bens materiais, nem bens que apenas podemos sentir com o coração. Peço-lhe apenas que exista, e que se lembre de mim. Isso basta.

28 de janeiro de 2010

um fragmento de um desabafo

"Mas não há outro motivo lógico pra você estar assim."
"E quem lhe disse que o que eu sinto precisa ser lógico?"

26 de janeiro de 2010

sentidozinho

Se toda a nossa vida não fosse mais que um sonho, se realmente houvesse, para nós, um futuro diferente da morte. Talvez se o que eu faço hoje me servisse para algo, de alguma maneira, no futuro. Talvez se tudo o que fazemos hoje, realmente, me ajudasse daqui a uns dias. Talvez, se algo disso acontecesse, eu acreditaria que a vida tem algum sentido. Talvez se alguma dessas coisas me servissem, eu poderia pegar todas minhas jóias e jogá-las ao mar, porque nenhum ouro material importa pra mim, porque tudo isso, pra mim, é como se fosse vidro, diante de um mísero sentido pra viver. Apenas um. Eu só precisaria de um pequeno e insignificante - para alguns - sentido pra levantar toda manhã e sorrir. Sorrir como eu jamais sorri antes, abrir a janela, ver aquele sol lindo brilhando lá fora e querer abraçá-lo bem forte, pra tê-lo comigo, iluminando meu caminho. Talvez eu só precise de um mini sentidozinho pra poder ter gosto de viver, de conversar com as pessoas, abraçá-las, dizer à elas que a vida é algo maravilhoso, e que eu agradeço a Deus por ter me dado esse presente tão único. Mas sem esse sentido, esse mini sentido, tão pequeno, talvez sem ele eu realmente não possa fazer nem falar nada disso. Mas cadê esse tão cobiçado sentido que eu e muitos outros precisamos para sorrir ? Cadê todo o sentido da vida, toda a vontade de viver, de sonhar, de agradecer por poder desfrutar do dom impressionante, misterioso e complexo, que é viver !? Talvez ele esteja escondido bem no fundo dos nossos coraçõezinhos negros.

24 de janeiro de 2010

além das nuvens

        Garotinha, não seja tão deprimente (...) É, é realmente isso que me dizem. Às vezes tenho raiva, não por me chamarem de garotinha, mas por me pedir algo que eu não sei controlar. Acordo em uma manhã ensolarada, sem nenhuma nuvem no céu. E assim que me aproximo da janela, aquele sol impossivelmente brilhante some e as nuvens se expõem. A Chuva. Lentamente ela cai sobre a grama seca - agora já não tão seca assim - molhando o pequeno e amarelo balanço do jardim, onde eu costumava balançar-me quando pequena. Minhas defesas rapidamente são jogadas à grama, juntamente com as milhares de gotas de chuva, destruindo o mini-mundo que há em toda a extensão da grama verdinha. Olhando a chuva tomar conta de todo o céu e de todo o jardim, lembrando-me de minha infância, assim que um raio aparece de súbito no céu, de imediato volto ao presente, e aos meus problemas.         (...) Eu sei pelo que você está passando. Certamente, não. Vendo todas aquelas nuvens cinzas e medonhas no céu, e toda aquela chuva barulhenta, caindo sobre a grama, fui verificar. Chegando ao jardim, pisando descalço em toda a grama molhada, sentindo a chuva cair sobre minha cabeça, e num instante, encharcar toda a minha roupa, abri meus braços e olhei para o céu. De olhos fechados, eu vi a chuva cair sobre mim, e sem poder sentir, senti em meu rosto centenas de lágrimas amargas vindas, apenas, de meus olhos. De braços abertos e face molhada, não só pela chuva, ajoelhei-me apoiando as mãos na grama. Olhando para cada pedacinho verde, cada formiga, cada inseto insignificante, minhas lágrimas cessavam lentamente.         O céu sabe que ganhar cicatrizes só fazem de você o que você é. A cada mini-ser explorado na grama, a cada gota de chuva caída sobre minhas costas e a cada barulho de raios no céu, minhas lágrimas diminuíram ainda mais. Como se em toda a dor que eu sentia por deixar uma lágrima cair, como se na dor de ver o sol ir embora, e toda a tempestade invadir o dia, como se sobre tudo isso, eu encontrasse força, beleza. Não importava o quanto meu coração nublado estivesse doendo, eu via beleza em toda essa dor. Como se eu precisasse da dor para poder enxergar uma vida além da que eu conhecia, como se cada lágrima tivesse um motivo para existir, como se todas as lágrimas unidas, me fizessem não parar de acreditar em mim, de poder enxergar além do que as coisas aparentam ser. Como se as lágrimas me fizessem ver que além da dor, além das nuvens, sempre há um céu azul.              Música em itálico ( Broken - Lindsey Haun )

23 de janeiro de 2010

anjos, humanos.

        Certo dia, eu caminhava ao redor da pracinha perto de minha casa. Algumas folhas laranjas no asfalto umedecido pela chuva da noite interior, grudavam em meu chinelo também laranja. Não liguei. Continuando a minha caminhada e reparando o menor o possível dos detalhes ao meu redor. Olhando de novo para o meu caminho vejo uma criança a centímetros de mim, puxando-me pela barra de minha blusa. Estranhamente a olhei e abaixei-me para ficarmos a altura. Ela perguntou-me algo que eu jamais imaginei ter um dia que responder em minha vida. Talvez por ser uma pergunta que não tenha valor, sentido ou valor. Talvez jamais pensei em respondê-la porque eu talvez não saberia responder. "Você acredita em anjos?". Perplexamente imóvel agachada à sua frente eu fiquei. A vi voltando, montando em sua bicicleta e sair pedalando pelas ruas à dentro.
        Raramente, ou melhor, acho que nunca havia parado para pensar se eu acreditava em anjos ou não. Acho que nunca tive interesse nesse fenômeno, talvez por ter muito a ver com Deus, e eu, sinceramente, não ter a mínima curiosidade de saber sobre Deus. Talvez por realmente não haver evidências de que existem anjos, ou talvez eu saberia a resposta. Ou não.         Certamente, sim, a resposta é simples e complexa. Certamente eu saberia responder para alguém não tão jovem quanto a menininha, ou talvez eu não saiba responder para ninguém.         Sim, eu acredito em anjos. Não aqueles anjos vestidos totalmente de branco, com caixinhos dourados, harpas, e o essencial para estes anjos fictícios, as asas. As asas brancas e magníficamente lindas, simetricamente perfeitas e irreais. Não estes anjos que sempre, em alguma historinha para ninar um bebê, aparecem. Acredito sim, em anjos. Mas os anjos humanos. Humanos como eu, simples e reais. Não usam necessariamente roupas brancas, nem com caixinhos dourados, e tocam qualquer outro instrumento, não sendo harpa. Não tem asas, e não podem voar, mas com o seu coração me trazem algo único, o dom de amar.         Não há motivos para os anjos serem lindos e perfeitos, eles podem ser como eu, e ser mais anjo do que os anjos das nossas historinhas da infância. Eles podem ser mais bonitos do que estes anjos que se dizem perfeitos. Não tem o dom da música, mas o dom de trazer a nós a amizade, a paz, a sinceridade, o amor. Podem não estar por perto, podem estar a quilômetros de nós, mas não deixam de ser anjos por isso. Os anjos das histórias não descem do céu ? Porque os anjos humanos não podem nos proteger com o corpo distante do nosso, mas com o coração mais junto do que nós pensamos ?
Porque não, anjos humanos ?

7 de janeiro de 2010

um presente.

Era uma hora da madrugada quando, ao som do meu baixo e desesperado choro, sentei-me na poltrona mostarda do Hall de entrada da minha casa. Pus-me a observar o céu. A Lua Minguante iluminava o jardim e chamava atenção no céu escuro e estranho daquela noite. Haviam nuvens cinzas e monstruosas tentando cobrir, desesperadamente, a lua. Formavam entre si uma coisa, que para mim, aparentemente lembrou-me um buraco negro perverso. Por muito tempo o céu à noite me maravilhava, eu poderia observá-lo por horas a fio. Ultimamente tal espetáculo tem me causado medo. Quando a tardezinha chega e a noite vai se aproximando, o céu escuro toma conta de mim, e a única coisa que me resta é o medo. Noites anteriores a esta, sempre que a escuridão da noite tomava conta de mim, percebi que o céu não estava limpo como sempre, a lua não estava dançando espetaculosamente perfeita no céu. As estrelas não brilhavam ao redor da lua, nem ao menos a prtegiam de qualquer intruso. Notei então, que sempre que o medo estava presente em mim, sempre que a tristeza dava as caras e a saudade me atormentava, o céu respondia e sentia por mim. Ele tomava minhas dores e então, tomava um ar estranho e ruim. Triste e medonho. Decidi então, que não prejudicaria o céu por causa dos mes problemas e minhas tristezas. Decidi que ficaria bem para o bem da noite, da lua e das estrelas. Ficaria bem para espantar as nuvens escuras e ladras da luz da lua. Decidi então, ser feliz de verdade, para não mais ter que ver o céu tão triste como tenho visto nos últimos dias. Percebi que eu poderia mudar a imagem medonha do céu à noite, para uma imagem que sempre me transmitiu calma, que sempre me inspirou e me tirou suspiros e sorriso, que sempre me fez dormir, sabendo que na noite seguinte, eu poderia assistir a tal espetaculo novamente. Decidi dar este presente à noite e a mim.

5 de janeiro de 2010

aprendendo a respirar.

"Oi, boa noite. Como vai voce?" "Ah, eu estou bem, melhor do que nunca." Ridiculo. Ou melhor, ridicula. Qualquer pessoa mentiria, e negaria a mentira. Qualquer pessoa jamais revelaria uma mentira, quando ela esconde um segredo, nao tao obscuro, mas um segredo. Mas que tipo de pessoa mentiria para fingir estar bem ? Que tipo de pessoa diria que nao poderia estar melhor, quando esta morrendo por dentro, em pedacinhos minusculos quase nao vistos a olho nu. Que pessoa mentiria pra ficar bem, mesmo sabendo que mentindo, nao conseguira jamais se sentir assim. Que pessoa mentiria para esquecer um alguem tao importante, tao especial, e pior, tao unico !? Uma pessoa fraca. Uma pessoa sem vontade de viver. Uma pessoa que a cada queda, precisa que um guindaste a ajude a se levantar, quando se levanta. Uma pessoa que prefere se esconder atras de mentiras, atras de mascaras, atras de sorrisos infelizes. Uma pessoa que ja nao aguenta tanto sofrimento, tanta monotonia, tanta mentira, tanta falsidade, tanto amor. Uma pessoa que tem medo de amar, medo de se machucar de novo, e de novo. Uma pessoa que prefere fugir à tentar. Andar à correr. Abracar à beijar. Chorar à sorrir. Dormir à passar horas sentindo tanta saudade. Uma pessoa que prefere um olhar à uma palavra. A noite ao dia. A lua ao sol. O vento à agua. O ceu à terra. A dor à felicidade. Mesmo que tal preferencia nao seja uma preferencia em si. Mas uma realidade, porque tal pessoa jamais sera feliz, desse modo como vive. Essa pessoa que tanto mente para se esconder, que tanto machuca com medo de amar, que tanto sofre com medo de ser feliz, que tanto ama a morte, com medo de viver. Que tanto quer ser feliz, mas sem ninguem para lhe ajudar. Tal ser tao misterioso e complexo, apenas esta tentando se recuprar de uma queda do alto do penhasco. Esta apenas tantando se recuperar de uma ferida que se abriu, e que esta custando milhares de lagrimas para secar. Tal ser humano apenas esta tentando reaprender a respirar para entao, sofrer tudo de novo, e de novo. Ontem eu bati minha cabeça. Eu nunca, nunca pensei que eu cairia desse jeito. Nunca soube que eu poderia me ferir tão gravimente (Learning to Breathe - Switchfoot)