À você,
de não-importa-o-meu-nome.
Também não importa o quão inoportuna estou sendo mandando-lhe esta, pois lembro-me bem de quando disse "você nunca incomoda". Pois bem, cá estou. Poderia estar aí, no entanto, contento-me com essa distância que nossos corpos sempre gostaram de manter. Poderia acariciar-lhe o rosto e beijar-te os lábios, e então não seria necessária nenhuma carta como esta. Mas não há problema, como sabe, gosto mesmo de escrever-te coisas, sejam elas boas ou... nem tanto. Ontem à noite fez falta. Não, não, não. Não fora seus braços envolta de mim, ou sua boca percorrendo meu pescoço fazendo-me arrepiar. Sua voz, seu cantarolar ao meu ouvido, seus pés gelados e inexistentes junto aos meus. Você. É, fez falta. Não compreendo somente como consegui adormecer. Oh, espere!, adormeci logo depois do que pensei que fosse minhas lágrimas secando, mas acordei hoje e elas continuavam a escapar por meus olhos. Traiçoeiros, esses meus olhos castanhos. Também fora difícil acordar sem o seu bom dia habitual, e a sua mentira de cada dia dizendo-me o quão bonita sou, mesmo quando acabo de ter acordado. Mentiroso! Gostava dessa sua mentira, confesso-lhe. Ainda estou em meus pijamas, escrevendo-te, não sei bem o que será de mim esta tarde. Talvez eu faça algo de diferente, ou então continue olhando para os lados e pedindo silêncio para que eu possa escutar qualquer música tocando. Quem sabe não é você? Preciso continuar, não é mesmo? Mesmo sem você. Talvez você esteja fazendo o mesmo. Espere, o telefone tocou. Ah, não, não é você. Não sei bem como terminar esta, afinal ainda não sei nem o porquê comecei. Fez falta, a propósito, e ainda faz, ter-te em mim.
Bonitos sorrisos à você, pois só assim poderei sorrir também.
Au revoir, menino, au revoir.