14 de janeiro de 2012

Coração adoentado, causado pela dor de amar errado.

Fez-se silêncio. Todo o quarto azul e branco pareceu tão grande a ponto de deixá-la perdida, mesmo que as outras pessoas estivessem ali presente. E lá estavam, em sua companhia, uma moça inteiramente vestida de verde claro, com o rosto apreensivo mas calmo; e a outra, vestida de branco, com as sobrancelhas franzidas e os lábios apertados. Essa última segurava sua mão, calma, como se pudesse passá-la um pouco de toda essa serenidade. Mas ela não podia. Ninguém podia. Ela arqueou as sobrancelhas, e então levantou apenas uma. E riu. Riu tão alto, tão exageradamente, que qualquer pessoa que ali passasse pensaria que ela tinha escutado uma piada, mas não. Ela havia escutado um diagnóstico. As duas outras pessoas a olharam, perplexas, sem saber, exatamente, do que estava rindo. E foi então que parou.
- Lúpus? O que é isso? É de comer?
- É uma doença autoimune, ou seja, em que o seu próprio sistema imunológico causa danos ao seu organismo.
- Sei o que é uma doença autoimume. Há cura, certo?
E então a doutora olhou a enfermeira, que repetiu o gesto. As três entreolharam-se até que a médica segurou ainda mais a mão do corpo feminimo deitado sob a cama de hospital. 
- Infelizmente, não. Mas há o controle da doença, o que pode permití-la ter uma vida normal.
Fez-se silêncio, desta vez mais longo.
- Quero ficar sozinha, se não se importarem.
E então a enfermeira saiu, deixando as outras duas sozinhas.
- Por favor.
- Já irei sair, apenas quero que saiba que tudo pode ficar bem. Caso precisa, é só chamar a infermeira. 
E então saiu, deixando sua paciente sozinha. Sorriu torto, como quem tenta dizer para si que está tudo bem. Mas está tudo bem, ela pensa, tudo bem. Talvez assim não tenha que viver, dia-a-dia, com a morte precoce do seu coração. E não importava o quão cedo sua morte física viria, ou tão tarde, seu coração já havia parado de bater há muito. Talvez não fosse certo, talvez. Mas ela agradeceu, em múrmurios, e desejou que não demorasse para que seus olhos se fechassem, dessa vez, para sempre.