31 de outubro de 2010

ali vem alguém que eu estava com saudades

Cause I've been waiting for you
For so long
And right now there's a war between the vanities
But all i see is you and me
(Come Home - OneRepublic)
        Meus olhos viviam em constante tristeza. Vez em quando eles sorriam. As outras - quase sempre eternas - eles choravam. Um minuto virou um século. Esperar-te passar pela porta, virou rotina. Esperaria ate as estrelas pararem de brilhar. Ate o sol parar de se exibir. Ate todo o oceano secar. Esperaria se você e o seu sorriso não houvessem aparecido ali, diante de mim. Seus lábios sorriam-me um sorriso meigo, com saudade. Meus olhos sorriam-te um sorriso feliz, querendo puxar-te para perto. Um sorriso que dizia, claramente, Não me deixe só.         Ver-te ali, fez-me acreditar no que eu não acreditava mais. Meus lábios sorriam como não sorriam a tempos. Meus olhos brilhavam do jeito que brilhavam quando olhavam os seus olhando os meus desejando os seus mais perto. Cheguei a pensar ser um sonho. Cheguei a querer acordar para não ter que sentir meus olhos chorando. Cheguei a ter medo de sentir aquela dor que senti quando vi você partir, novamente.
        Podia jurar que senti minhas pernas desabando quando seus dedos tocaram-me o rosto. Não era um sonho, não havia como ser. Era um tanto engraçado sentir você assim tão perto, quando, a poucas horas, estava tão longe. A única lembrança que eu tinha era das noites em que dormimos tao perto que parecia sermos um. A única lembrança era o sorriso que seus olhos sorriam. O brilho que seus sorrisos transmitiam. O amor que você me dava. Todos os defeitos que eu tinha, desapareciam ao ver você.         Queria eu poder controlar o tempo, parar os relógios, viver ali com você por toda a eternidade. Ainda sim seria pouco. E um tanto engraçado e desesperador isso que eu sinto aqui dentro, de querer você por perto a todo momento, a todo instante, pra sempre. As cócegas que você me fez sentir estragaram o momento perfeito que minha cabeça ensaiava. Minha boca havia treinado tanto para ter o que dizer, mas agora vejo que as palavras são desprezíveis. Ter você comigo sempre fora meu maior desejo.         Quem sabe agora meus dedos passeariam corretamente sobre um papel, que todo esse tempo nenhuma linha fora escrita. Os papeis sentiram minha falta, e eu senti a sua. E hilariante saber que eu preciso de você para acordar todos os dias. Hilariante, pois esse tempo todo eu não acordei. Meus olhos abriam, eu levantava, mas por dentro, eu dormia um sono profundo. Bom dia! Acordei neste momento. Talvez a poucos minutos atrás, quando você sorriu para mim da porta.         Boa noite! Eu ouvi você desejar-me antes de dormir. Talvez agora eu estivesse sonhando. Enganei-me novamente. Soube disso quando seus lábios tocaram os meus, quando meu corpo sentiu o seu, quando meu corpo inteiro sentiu você de volta. Você estava ali, ao meu lado, olhando-me com um sorriso lindo nos lábios. Você estava de volta, eu sabia disso. Eu sentia isso. E meu coração também.

24 de outubro de 2010

Far away from where you are

I'm standing underneath the stars
And I wish you were here
I miss the years that were erased
I miss the way the sunshine would light up your face
I miss all the little things
(From Where You Are - Lifehouse)
Olhou para todas aquelas luzes de toda aquela cidade movimentada e desejou não estar ali. Não era ali que ele deveria estar, não era ali o seu lugar. E ele sabia disso. Olhou para o céu e, pela primeira vez naquela noite, viu sua primeira estrela. Pensou em fazer um pedido como sempre fazia quando criança. Pensou que pudesse dar certo. Viu seu reflexo na janela de vidro e a única coisa que vira, fora um rapaz com olhos tristes, com o rosto cansado, com dor no coração e saudade naquele minúsculo sorriso que tentava aparecer naqueles lábios que já não encontravam outros a algum tempo. Nenhum pedido inútil resolveria tudo isso. Nenhuma estrela brilhante e fútil o ajudaria. Assustou-se com como ele mudara desde a ultima vez que a vira. Seu programa favorito era assistir as estrelas e, se possível, conta-las, perder a conta e contar de novo. Ou seja la qual fosse o programa, se ela estivesse com ele, tudo era magico, tudo era feliz. Inclusive ele. Xingou si mesmo de tantos nomes na esperança de sentir-se melhor. Não sentiu. Na verdade, ele já não sentia nada a bastante tempo. Na verdade, para ele, não sentir era a única maneira de sobreviver. Ele não sentia, mas seu coração sentia. Sentia duas vezes. Duas vezes mais tristeza, duas vezes mais saudade, duas vezes mais angustia. Duas vezes mais partido. Ele daria o mundo para saber o que ela estava fazendo naquele mesmo momento. Não poderia estar fazendo o mesmo que ele. Talvez ela estivesse, nesse momento, xingando-se por quere-lo ali, olhando aquele céu azul, aquele sol radiante. Ela sentia inveja do sol. Ele sempre brilhava, podendo vê-lo ou não, seja la onde ele estiver, ele sempre esta brilhando. Ela queria brilho. Mas não aquele brilho amarelo, ela queria o brilho dos olhos dele. O brilho do sorriso dele. O brilho da magia que pairava no ar quando eles se olhavam. Seus olhos sorriam um para o outro, comunicando-se em uma linguagem que nenhum outro olhar poderia entender. Sabe se la quantas milhas de distancia, e ambos não paravam de pensar nos dois pares de olhos castanhos. Ele a queria ali, para poder observar as estrelas. Conta-las, perder a conta, e contar novamente. Ele a queria com seus braços em volta dele, ele queria poder acordar com um corpo ao seu lado, e não aquela cama fria. Ele a queria sorrindo para ele. Ela o queria ali, abraçando-a e dizendo que ama o brilho do sol. Ela também gostava de como o sol brilhava, que ali, sem ele, o sol tornava-se inútil. Ela o queria dizendo como os olhos dela brilhavam, e como ele amava seu sorriso. Ela o queria ali, para poder dizer como ela adorava seu jeito de ser e, mais ainda, como ela adorava quem ela era quando estava com ele. Eles queriam um ao outro assim como a lua quer as estrelas. Assim como o sol quer um céu azul para poder se exibir. Assim como a chuva quer uma nuvem para poder existir. Eles precisavam um do outro, assim como um peixe precisa de agua, assim como um passarinho precisa de asas, assim como eu preciso de você.

20 de outubro de 2010

I didn't mean

for this to go as far as it did
And I didn't mean to get so close and share what we did
And I didn't mean to fall in love, but I did
And you didn't mean to love me back, but I know you did
( A Lonely September - Plain White T's)
Era fascinante ver você sorrir assim com os olhos e com os lábios. Seus olhos brilhavam de uma forma magica que me faziam sorrir feito uma boba. Você empurrava o balanço tão alto que me fazia gargalhar. Era fácil demais esquecer o mundo a nossa volta, era fácil demais ser feliz com você. Seus olhos sorriam olhando os meus que olhavam os seus desejando que isso nunca tivesse fim. Quando o balanço voltava, meu coração acelerava por eu achar que iria machucar você, assim como acelerou quando eu ouvi sua voz. Meus pés balançavam da mesma forma que eu senti balançar quando você me tocou. Minha cabeça girava da mesma forma que girou quando seus lábios tocaram os meus. Meus olhos sorriam assim como sorriram quando viram os seus. Eu estava feliz como sempre fui com você. Eu te escreveria uma canção se soubesse rimar. Quem sabe assim, talvez, você saberia o tamanho e a forca que o meu amor tem. Eu roubaria as estrelas pra você, se você quisesse. Eu não pretendia me aproximar tanto, nem dividir tudo que dividimos hoje, mas me aproximei. Dividi com você a coisa mais importante que eu tenho, a maior valiosa, a mais verdadeira. Dividi com você todos os meus dias e todas as minhas noites. Dividi com você os melhores momentos da minha vida. Os meus mais lindos sorrisos sempre foram pra você e por você. O meu coração só acelerava por você, meu corpo inteiro se arrepiava somente por você. Era engraçado saber que você ria da minha cara de criança feliz brincando naquele balanço, mas mal sabia você que ali eu me sentia a pessoa mais completa do universo. Mal sabia você o quanto era bom sentir todas aquelas sensações como eu senti um dia com você. Se eu pudesse fazer um pedido agora, eu pediria que esse momento nunca acabasse. Era fascinante saber que você era meu, e isso ninguém mudaria. Olhar você com aquele seu sorriso torto nos lábios me fazia acreditar na coisa mais impossível de acontecer. Você me olhando assim, me fazia sentir como uma criança que precisava de um pai mais que o ar pra viver. Te olhar assim me fazia ter certeza de que eu nasci pra você, e você nasceu pra mim. Como se só eu pudesse te entender, te arrancar um sorriso. Como se só eu pudesse perceber pela sua voz que havia algo de errado. Como se você só funcionasse comigo, e eu com você. Era fácil demais sentir-me assim perto de você. Era absurdamente engraçado não saber como tudo isso foi acontecer. Mas era mais absurdo ainda não saber o tamanho de todo esse sentimento. Não houve nenhuma declaração direta, mas foi como se eu soubesse que você era meu, sem você nem ter que falar. Impossível ter qualquer duvida sobre toda a magia existente entre nos dois.
- Hã? - Acordei do meu desvaneio ao ouvir sua voz.
- Você esteve de olhos fechados quase todo o tempo, e quando não estava, me olhava com uma cara de idiota apaixonada. - Você sorriu. - Estava pensando no que? - Sorri feliz.
- Em como é absurda e engraçada a forma como eu te amo. - Procurei as palavras. - Em como é absurda e engraçada a felicidade que me causa esses seus olhos castanhos. - Pausa. - E como é absurda e engraçada a vontade que eu tenho de te ter por perto a todo momento. E em como é absurdo e engraçado o jeito que eu fico quando estou com você.
- Sabe de uma coisa? - Fiquei confusa.
- Não, que coisa?
- E absurdamente engraçado o jeito que você diz coisas lindas pra mim, e mais ainda, é absurdamente engraçado o jeito que suas bochechas ficam vermelhas. - Você riu.
- Ah! A culpa é sua por me fazer te amar assim.
- A culpa é sua por ser extremamente encantadora que eu me recusei a recusar esse amor.
- A culpa é sua por... por... ah, a culpa e sua. - Gargalhamos. (Silencio)
- Eu te amo, e a culpa é minha por querer esse amor.
- Eu te amo muito mais, e a culpa é sua por me fazer tão feliz que eu me recuso a recusar esse amor.

19 de outubro de 2010

It's down to this

I've got to make this life make sense
Can anyone tell what I've done
I miss the life
I miss the colours of the world
Can anyone tell where I am
(Away From The Sun - 3 Doors Down)
A luz do sol brilha longe de mim. As ondas do mar já não tocam mais meus pés. A brisa não acaricia mais meu rosto. E a saudade já não e mais um medo. Eu sinto falta daquelas pequenas coisas que costumávamos fazer. De quem costumávamos ser quando estávamos frente a frente. E, mesmo que no silencio, nossos olhos diziam o que nossas bocas nunca se atreveram a tentar. Nossas mãos uniam-se como um eclipse, qualquer pessoa escutaria meu coração a quilômetros de distancia se quisesse. Era fácil sorrir com meus olhos olhando os seus que olhavam os meus sorrindo. Era fácil esquecer que havia um mundo a nossa volta. Era fácil perder a noção do tempo ao seu lado. Dia ou noite, nunca me importei, eu tinha você. Era magico e infantil o jeito que costumávamos contar as estrelas. Você achava ridículo e adorável o jeito que eu ficava chateada quando perdia a conta. Você, um dia, prometeu comprar-me uma estrela. Disse que compraria a mais brilhante, a maior, a mais linda, só pra mim. Disse que faria qualquer coisa pra ver um sorriso nessa minha boca, mas você mal sabia que eu sorriria só de estar com você. Você nunca entendeu muito o motivo das minhas lágrimas por brigas bobas. Você nunca entendeu como era fácil amar você. Como meu coração acelerava só de ver seu sorriso, só de ouvir a sua voz. Você nunca entendeu muito bem o porque de eu amar você. Eu nunca entendi nem um pouco o porque de você me amar. Mas agente se amava mesmo assim. E por tantos momentos eu pensei que amor como nosso não existiria jamais. Que toda aquela magia que eu achei que presenciava era nossa e de mais ninguém. Todos aqueles fins de tarde em que íamos a praia só pra ver o sol se por me fazia sorrir como uma criança. Você fazia com que eu me sentisse uma criança só pelo seu jeito de sorrir, de me olhar, de me tocar, só por ser quem você era quando estava comigo. Você era o motivo dos meus olhos abrirem toda manha. Meus lábios amanheciam sorrindo sei la por qual motivo, acho que era porque eu sempre sonhava com você. Todas as noites, sem exceção. Meus olhos eram como o sol e as estrelas, só por saber que eu tinha você pra mim, que seu amor era meu, seus sorrisos eram meus, que era a mim quem você procurava quando queria carinho, que era comigo que você dormia todas as noites e passava horas conversando. Era a mim que você acordava todas as manhas com vários beijos pelo rosto. Era a mim que você via dormir por horas quando não conseguia dormir. Era eu que acordava assustada por perceber seus olhos olhando os meus fechados, era eu que te chamava pra dormir e que te acariciava o rosto ate você pegar no sono. Eu sorria só por saber que eu te amava e que você me amava. Eu sorria apenas por saber que ninguém acabaria com todo o sentimento que nos dois construimos juntos. Eu sorria quando estávamos naquela estrada, dentro daquele carro, ouvindo aquela musica que tanto amávamos, nos olhando como sempre fazíamos, sorrindo como duas crianças, e sem saber do amanha como todas as pessoas. Eu não sei porque, nunca entendi o motivo, não entendo como isso foi acontecer, nunca entenderei. Mas foi você que eu vi sair pela porta sem ter o que falar, sem ter como explicar. Foi você que eu vi deixando pra trás tudo o que vivemos juntos. Foi você que nem ao menos um beijo na testa me deu, como sempre fazia quando brigávamos. Você foi, e nem ao menos disse quando voltaria ou se voltaria. Meus olhos paralisaram-se e nem uma lágrima se quer ousou escorrer. Eu apenas queria entender. Eu apenas queria saber se eu havia feito alguma coisa de errado. Eu não senti. Eu não senti como se fosse eu ali, parada na porta, esperando você dar meia volta e entrar novamente e dar uma desculpa qualquer por ter tido tal devaneio. Mas era eu, apenas era um eu que eu não conhecia mais. Como se houvesse duas de mim. E a melhor parte de mim foi junto com você. Você levou minha alma consigo e deixou o corpo. Eu me mexia, mas eu não sentia mais. Eu não entendi, eu nunca vou entender o por que você me deixou assim. Mas eu não vou desistir, nunca. Por que o nosso amor, pra mim, vai ser sempre o mais lindo, o mais magico, o mais verdadeiro de todo o amor existente em todo o universo. Porque, por mais que eu ame, o amor ainda existe, você o esqueceu em um lugar qualquer dentro do seu coração.

18 de outubro de 2010

Don't let me

fall asleep
Feeling empty again
'Cause I fear I might break
And I fear I can't take it
Tonight I'll lie awake
Feeling empty
(Pressure - Paramore)
        Abriu os olhos na esperança de encontra-lo ali, deitado ao seu lado. Gritou como se pudesse fazer a dor pular para fora de seu corpo junto com o ar, como se pudesse fazê-lo escutar. Ela sabia que ele não escutaria, era fraca ate para isso.
        Puxou a camisa xadrez jogada na ponta da cama e vestiu sobre sua camiseta branca sem graça. A camisa xadrez azul era ele, e ela, a branca sem graça. Gostou da comparação que fez, era exactamente o que ele era para ela, um complemento. O objeto indireto e o verbo transitivo indireto. Um não tem sentido sem o outro. Ela sentia-se assim, como se não fosse ela sem ele. Como se, ao deixar aquela casa, ele houvesse levado seu espírito e deixado seu corpo.
        Bebeu, em um só gole, aquele copo que continha vodka quente. Aquilo desceu por sua garganta queimando, só não queimava mais que a dor que sentia. Nada queimaria. Saiu para aquele frio na esperança de não ouvir mais aquele silencio barulhento que ouvia a poucos minutos.
        Assim que pôs o pé na calcada e sentiu aquele vento em seu rosto que fez seu cabelo voar, ouviu o que temia. Aquela pergunta que sempre a faziam quando saia de casa. Ela não sabia o que responder, antes era tão fácil dizer que ele estava dormindo, mas agora, ela não sabia o que dizer.
        Aquelas malditas lágrimas da noite anterior voltaram e inundaram, novamente, seus olhos castanhos que não enxergavam nada a sua frente. Ela viu o mundo inteiro girar, ouviu todos rirem, e não aguentou. Ninguém aguentaria. Largou aquela senhora falando sozinha e correu para o parque. Se pudesse, acabaria com todas as lágrimas do universo, com toda a dor, todas as brigas, toda a distancia, toda separação, toda saudade. Principalmente a saudade.
        Não olhava para frente, qualquer contato com quaisquer olhos castanhos a faria chorar mais. Seus olhos eram baixos, e olhavam para cada centímetro que andava, então não notou quando o parque passou por ela. Seus pés a levavam sabe-se la para onde, nem ela sabia. Ou talvez soubesse, mas deixou eles a guiarem. Ela queria não saber para onde ela estava indo. Mas sabia.
        Quando olhou a sua volta, viu aquele prédio de doze andares e aquele jardim lindo que ela tanto amava a sua frente, ela quis gritar, não seria difícil de ele escutar do 5 andar. Porem não o fez. Ela apenas observou a janela aberta, imaginando se ele estaria ou se esquecera aberta como sempre.
        Arrependeu-se de ter deixado que seus pés a guiassem ate ali quando viu a cortina se mexer e ele surgir de repente. O viu debruçar na grade da varanda e observar aquele dia nublado sobre ele. Ela não ligou em saber que ele poderia ter a visto ali, o observando com um sorrisinho apaixonado nos lábios, com os olhos brilhando e o coração acelerado de saber que ele estava ali bem perto.
        Foi chegando mais perto do edifício cor de mel e nunca se arrependeu tanto por isso. Seus olhos viram um corpo encostar no dele vagarosamente. Sentiu seu coração quase pular para fora, seu sangue fervendo, ela jurava que estava vermelha. Por um instante pensou em ter visto seus olhos cruzarem com os dele. Cruzaram. Aqueles olhos castanhos que ela tanto amava, mesmo que de longe, olhavam os dela como se pudesse puxa-la para si como sempre fez. Ela não sabia, nem nunca vai saber, mas ele sairia correndo dali ate ela, se pudesse.
        As lágrimas que haviam secado, agora, estavam tão presentes como nunca haviam estado. Ela poderia inundar toda Manhattan se quisesse, se não tentasse ser forte. Sorriu para ele da forma mais falsa que conseguiu, da forma mais conformada que conseguiu. Colocou a mão no bolso da camisa xadrez e tirou um pingente pequeno em forma de coração. Seus queimaram ao ver o brilho do objeto em sua mão. Prendeu o choro na garganta e olhou para ele com olhos de dor, de saudade, de sensações que nem eu sei explicar. Deixou cair o pingente e saiu correndo do mesmo jeito que havia chegado ali.
        Tirou a camisa xadrez e jogou em cima do sofá, como se o jogasse e disse, Ei, eu não preciso de você para sobreviver. Mas ela precisava, e ela sabia disso. Encheu mais um copo de vodka, pura, sem nada. Aquele liquido acido, gelado, desceu queimando por sua garganta e fazendo sua cabeça girar. Aquela dor passaria, nem que para isso ela precisasse sobreviver com doses de vodka. Nem que para isso ela precisasse afogar, todos os dias, sua dor naquele maldito copo de vodka.

13 de outubro de 2010

Do you know?

You know I love you so.
(Yellow - Coldplay)
Ela deitou na grama verde e limpa do parque e olhou para as estrelas. Ela as imaginou dizendo, Ei, nos brilhamos por você. Nos brilhamos por vocês dois. Ela sorriu com seu pensamento e olhou para aquele rosto ao seu lado, aquele rosto no qual ela sonhara inúmeras vezes que havia ate perdido a conta. Ela sorriu um sorriso que mal cabia em seu rosto ao -lo sorrir para ela. Seus olhos encontraram os dele, que olhavam os dela querendo-os mais perto. Ela desejou poder controlar o tempo para congelar exatamente aquele momento, e torna-lo eterno.
- Se eu disser uma coisa, você jura não rir? - Perguntou ela, ainda com medo da sua própria pergunta.
- Juro, juro, juro. - Jurou ele, cruzando os dedos e os beijando em forma de xis que a fez sorrir.
- Eu perdi a conta de quantas vezes me imaginei deitada olhando as estrelas com você ao meu lado. - Sorriu tímida, escondendo o rosto nas mangas do casado. Ele sorriu um sorriso encantador.
- Eu perdi a conta de quantas vezes imaginei esse seu sorriso meigo pra mim. - Ele riu baixo, fazendo-a beliscar seu nariz.
- Eu disse para não rir. - Fez bico.
- Ei, isso doeu. - Ele sorriu, puxando-a pela cintura, fazendo-a encostar em seu peito. - Ri de felicidade, ri porque eu nos imaginei tanto assim e, agora, veja , nos estamos aqui. - Ele sorriu bobo que a fez gargalhar.
- nos imaginei tanto, em tantas ocasiões diferentes, que um dia achei que fosse imaginação. - Parou. - Mas veja, estamos aqui e eu não consigo nem imaginar um futuro longe de você. Isso me da medo. - Ela o olhou nos olhos, dizendo tudo que queria apenas naquele olhar.
- Você não precisa ter medo, eu estou aqui.
- Mas e se amanha eu acordar e não te encontrar aqui? E se você enjo--
- Não repita isso nunca. - Ele a interrompeu. - Isso esta fora de cogitacao.
- Mas eu ainda tenho medo. Eu não quero perder você. - Ela deixou uma lágrima cair. Maldita lágrima. Ele a enxugou.
- Você não vai perder, nunca. Sabe por que? - Ele sorriu.
- Não, por que?
- Porque eu amo você, pimentinha, e eu não vivo sem você. - Os olhos dele brilhavam e ela achou que seu coração fosse pular para fora. Ele batia tao alto que ela teve medo que ele escutasse.
- Promete que não vai me deixar nunca? Promete que se você quiser ir embora, você vai me dizer? - Ela tinha medo nos olhos, e ele podia enxergar isso.
- Eu prometo, mas você precisa escolher uma data. - Ele disse querendo sorrir e rir da cara de espantada dela.
- Para? - Perguntou confusa.
- Para gente se casar.

12 de outubro de 2010

The smell of you

in every single dream I dream
I knew when we collided
You're the one I have decided who's one of my kind
(Hey, Soul Sister - Train)
        Saiu porta a fora na esperança de sentir o que não sentia ali, trancada naquele apartamento que tanta coisa trazia. Olhou, sem ver, aquelas pessoas passando pela calcada depressa, correndo para chegar em suas casas em mais um fim de dia. Sentiu aquele dia, quase noite, e percebeu que não havia sol, nem vento. Era um dia cinza como outro qualquer em Manhattan.
        Guardou as mãos nos bolsos do enorme sobretudo preto e andou. Andou ate que seus pés pedissem socorro. Quando pode perceber, estava em frente ao Central Park. Não podia-se ver muito do verde que ali era presença constante, mas a magia daquele lugar permanecera intacta.
        Sentou-se em um banco qualquer, ainda com as mãos guardadas. Cantarolou uma musica baixo demais, que ate ela mesmo não escutava. Sentiu seus olhos encherem-se de lágrimas e a garganta queimar. Não se mexeu. Não mexeu um músculo. Continuou sentindo seus olhos encharcados, revirou os olhos na esperança de sentir as lágrimas evaporarem. No entanto, a única coisa que sentiu, foram as lágrimas escorrerem por todo o seu rosto.
        Depois disso não conseguiu controlar mais, as lágrimas viraram a sua única companhia. Olhou aquelas criancinhas minúsculas brincando com aqueles balões coloridos para la e para . Sorriu por imaginar que um dia ela poderia ter uma criancinha minúscula como aquelas. Sentiu uma presença ao seu lado, não quis olhar. Mas seus olhos sempre a traiam.
- Oi. - Disse uma voz conhecida ao seu lado. Fechou os olhos na esperança de que tivesse sido um desvaneio. Não foi.
- Oi. - Conseguiu dizer, embora baixo, aquela monossílaba.
- Você esta bem? - Perguntou.
- Arram. - Ela disse, o mais indiferente que pode. - E você?
- Também.
- Certo. - Disse, querendo correr dali, querendo não ter saído de casa, não ter deixado aquela solidão sozinha.
- Nao vai olhar pra mim? - Perguntou, quase suplicando. Ela se virou, impedindo-se de olha-lo. Seus olhos a traíram novamente, como sempre faziam. Ele abriu sorriso pequeno e infantil que a fez sorrir também. - O que tem feito?
- Consegui montar meu consultório. - Disse.
- Nossa! Eu fico tão feliz por você, meu... e, eu fico feliz! - Disse ele, embolando-se em suas proprias palavras.
- Obrigada. - Disse, tentando esconder uma certa felicidade em saber que ele cometia o mesmo erro que ela. - E você?
- Ah, eu e os caras estamos fechando um contrato com uma gravadora e tudo mais. - Disse ele, gesticulando com as mãos.
- Isso parece legal, boa sorte. - Ela sorriu de lado para ele.
- Obrigada.
O silencio tomou conta do Central Park. Pelo menos para eles dois. Mas na verdade, o silencio nunca os incomodou muito. Eles gostavam de ouvir a respiração um do outro, era o suficiente. Ele a puxou para perto de si, encostando-a em seu peito na esperança de sentir aquele cheiro novamente. Ela não recusou, queria sentir o cheiro dele também. Fechou os olhos por sentir ele ali, tão perto.
- Sabe... eu... eu sei que agente brigava muito. E..
- E, agente brigava muito mesmo. - Ela o interrompeu, com um sorriso nos lábios por lembrar das brigas. Sempre preferiu ficar sem se falar por terem brigado, ao ficar sem se falar por nenhum motivo.
- Eu estava pensando e, bom, nos poderíamos ser infelizes juntos, brigando, mas felizes por... por estarmos juntos. - Disse ele, olhando sua mão procurando a dela. Ela abriu os olhos e sentiu as lágrimas tomarem conta do seu rosto. Como doía ouvir aquilo, como era bom e como era estranho. Ela não respondeu, apenas chorou em silencio. Ele entendeu seu silencio, sempre entendia. Levantou-se e deu um beijo demorado na testa dela, querendo não ter que ir.
- A gente se por ai, meu amor. - Ele percebeu seu erro, mas o que fazer se ela era mesmo o grande amor dele?
- Ta. Cuide-se e boa sorte la com a coisa toda da banda. - Ela disse com voz de choro e secando as lágrimas que ainda insistiam em cair de seus olhos.
- Certo, boa sorte com seu consultório. Devo ir la qualquer dia desses. - Brincou sem rir. - Eu te amo. - Disse baixo, porem o suficiente para ela escutar.
- Eu sempre te amei. - Ela confessou, dando o sorriso meigo que ele tanto amava. Aqueles olhos que a pouco choravam, agora, viam ele partir. Gostou de ter saido do seu apartamento frio, gostou de ter escutado aquela voz que tanto a acalmava, gostou de ter sentido aquele cheiro que tanto a fazia falta. Gostou de te-lo ali, tão perto. E gostou, mais ainda, por saber que ele ainda sentia o mesmo que ela.

11 de outubro de 2010

You left me

with goodbye and open arms
A cut so deep I don't deserve
Well, you were always invincible in my eyes
The only thing against us now it time
(Could It Be Any - The Calling)
        Escutou, de longe, aquela melodia invadir seus pensamentos e sentiu, querendo não sentir, aquelas lágrimas descerem por suas bochechas. Abraçou as pernas como se o abraçasse, como se pudesse segura-lo para sempre. Chorou em silencio com medo de que ele escutasse, mesmo sabendo que ele não iria. Não mais.
        Olhou a garrafa de vodka sobre a mesa, pela metade. Pensou em afogar toda a sua tristeza naquele recipiente de vidro tão convidativo. Pensou em se afogar naquele recipiente. Pensou em dormir e não acordar mais, para que não fosse obrigada a conviver com todo aquele vazio. Rolou os olhos na esperança de escutar alguma reclamação. Não houve. Por um momento, por um milésimo de segundos, quis poder voltar no tempo e, num ápice de loucura, não te-lo conhecido.
        Odiou-se por pensar tal absurdo. Conhece-lo foi - e ela tinha convicção disso - a coisa mais certa, mais linda e mais magica que ela viveu. E, por mais que não houvesse futuro, ela o carregaria consigo. Carregaria toda a magia que eles construíram juntos, toda a beleza, a confiança, toda a historia. Ela, um dia, contaria ao mundo a sua historia. E, como ele mesmo dissera um dia qualquer, Talvez, um dia, você possa descrever o amor em uma palavra. E ela pôde. Ela descreveu. Ela descreveria naquele mesmo dia se tivesse a coragem que tem hoje.
        Deitou no sofá preto que tanto amava e recostou a cabeça na esperança de adormecer. Porem, a única coisa que conseguiu, foi sentir mais lágrimas por suas bochechas, mais lembranças de um passado não tão distante, mas um passado que deixou saudade. Prestou bastante atenção naquela melodia ao fundo e pode enxerga-lo nela. Pode ouvir sua voz naquela canção, ver seu sorriso, sentir seus braços e então sorriu. Sonhava acordada com ele ao seu lado, com aqueles olhos castanhos a observando como se quisesse guardar cada traço do seu rosto. Aqueles olhos que tanto a hipnotizavam, que tanto a fez sonhar, são os mesmos olhos que ela viu partir.
        Aqueles olhos desculpavam-se, sem a necessidade de palavras. Eles diziam, Ei, perdoe-me por isso, a verdade e que... bom, eu amo você. Aqueles olhos o traiam, e ela sabia disso, mas nada disse. Sabia que, no fundo, ele sempre quis deixar os olhos falarem por ele. Isso doía nela e, não era porque ela queria, mas era incontrolável. Ela não sabia fazer seus olhos não dizerem por ela. E ele sabia disso. No entanto, ninguém disse nada, alem daqueles pares de olhos castanhos. Não houve palavras, portanto, não houve suplica. Ele foi, deixando-a com lágrimas nos olhos, deixando aqueles olhos gritando para que não fosse. Ela ficou, sem saber que aqueles olhos recem partidos, choravam tanto quanto os dela; sem saber que aqueles olhos a amava, amava tanto, que preferiu deixa-la.
        Ela suspirou não tendo noção de quanto tempo havia se passado desde que aquilo aconteceu. Rasgou um pedaço de papel, pegou a caneta em cima da mesa, ao lado da vodka, e descreveu o amor: Você.         A vodka parou naquela mao branquinha e delicada, e foi levada para fora. Para longe daquele sanatório, para longe daquela solidão intensa. Para longe de tudo.

7 de outubro de 2010

I can't keep my eyes

off of you
Something about you now
I can't quite figure out
Everything she does is beautiful
Everything she does is right
(You And Me - Lifehouse)
        Ela adentrou aquele lugar escuro na esperança de encontrar seus olhos. Sua cabeça girava conforme aquela musica dentro dela tocava, girava e girava e mais nada. Cada um de seus pés a levavam para um lado, como se tivessem vida própria e quisessem, ate mais que ela, encontrar aqueles pés frios que tanto queria. Suas mãos tateavam cada canto daquele estabelecimento estranho querendo sentir seus dedos entrelaçados aqueles dedos que ela tanto sentia saudade.
        Pessoas começaram a aparecer naquele cenário que, enfim, ela começou a enxergar. Havia escadas rolantes para todos os lados, e malas de varias cores. Olhou para sua mão e viu aquela pequena mala de rodinhas que havia preparado na noite anterior. Aquele dia parecia que jamais iria chegar. Chegou, e ela mal sabia o que falar, como reagir ao ver os olhos dele. Havia tantas pessoas andando para todos os lados que ela teve medo de se perder. Antes o medo fosse apenas de se perder.
        Seus olhos corriam, desesperadamente, atrás daqueles olhos castanhos que tanto desejava. Pensou em desistir, pensou em sair correndo e dizer que houve um imprevisto. Pensou em desistir de quem tanto amava. Odiou-se por ter tal pensamento tão absurdo e nebuloso. Chegou ate a sentir calafrios somente na hipótese de que o deixaria ali.
        Sentou-se naquele pequeno banco preto. Nunca gostou muito de preto, apesar de usa-lo bastante. Mas agora, o preto lembrava a ausência de algo. Ou de alguém. Queria poder gritar para que todo aquele lugar a escutasse e se, ele estivesse em meio aquelas pessoas de importância desprezível, correria ate ela. A abraçaria tão forte que poderia fazer o ar sumir, e ela não se importaria.
        Tao absorta em seus pensamentos que não sentiu quando tocou-lhes o ombro, fazendo-o puxa-la para si tão carinhosamente, deixando-a boba e assustada. Embora a felicidade pudesse deglutir todos os sentimentos restantes. Seus olhos encontraram os dele, fazendo com que uma sensação tão estranhamente maravilhosa corresse por todos aqueles dois corpos ali colados. Ela pretendia não parecer tão boba quando o visse. Ele pretendia não parecer tão feliz. Ela foi uma completa boba apaixonada. E ele um completo feliz apaixonado.
        Aqueles olhos se cruzaram e se misturaram assim como o resto dos corpos. Mas os olhos... ah, os olhos que ela tanto sonhou em ver, a hipnotizavam. Aqueles olhos pareciam domina-la completamente. Aqueles olhos eram dela. Somente dela. E ela tinha certeza disso, desde aquele momento em diante.

3 de outubro de 2010

Love can touch us

one time and last for a lifetime.
And never let go till we're gone.
Love was when I loved you, one true time I hold to
In my life we'll always go on.
(My Heart Will Go On - Celine Dion)
Então ela fitou o céu, procurando, em meio as estrelas, uma resposta. Suas veias pulsavam desesperadas, eufóricas, levando o sangue para la e para . Ela sentiu aquilo ferver dentro de si, seu coração acelerar, que a fez sentir medo que ele escutasse. Apertou os olhos e ligou algumas estrelas. Não encontrou forma alguma.
- Não vai responder? - Disse uma voz aveludada e tão infantil quanto como ela se sentia perto dele.
- O que? - Fez-se de desentendida. Não sabia responder. Ou não queria.
- O que esta pensando? - Ele perguntou, suplicando por uma resposta direta.
- Sobre eu. Sobre você. Sobre nos. - Ela disse envergonhada, baixando os olhos e fitando o chão.
- E o que você pensou? - Ele perguntou, curioso e admirado por ela responder tão prontamente.
- Na verdade, eu imaginei. - Ela sorriu, sem tirar os olhos da joaninha andando sobre seu .
- Imaginou? - Perguntou ele, tentando imaginar sua imaginação admirável.
- Sim. Imaginei você, eu, uma cama de solteiro, a noite, o quarto escuro e suas mãos nas minhas. Conversávamos sobre tudo, como fazemos ao telefone todas as noites. Riamos e sorriamos. Não chorávamos. Bom, eu chorei, mas isso não e nenhuma novidade. - Ela sorriu, derrotada por não conseguir guardar seus próprios pensamentos dele. Olhou o céu novamente, e viu a forma de uma nuvem.
- Isso não precisa ser, necessariamente, uma imaginação. Você sabe. - Ele a confortou, embora soubesse que, não era desse jeito.
- Sei que não. E sei que sim. Adoraria passar a noite conversando com você, rindo com você, sorrindo e chorando com você, dizendo-lhe o que eu estou pensando, e me odiando por não conseguir esconder de você. - Ela sorriu, triste. - Mas acordar amanha e ver que, toda a felicidade da noite anterior, acabaria. Pra sempre.
- Não basta pra você uma noite? - Ele quis saber, embora soubesse a resposta. Era a mesma que a dele.
- Não. Não basta uma noite, um dia, um mês. Nunca vai bastar, porque eu sempre vou querer que a noite se repita. Sempre. - Ele viu uma lágrima cair de seus olhos. Ao ver ela assim, indefesa, não soube o que dizer.
- Eu... você... bom, eu não posso mudar o que esta escrito. - Ele disse, por fim.
- E você sabe o que esta escrito ali? - Disse ela, apontando para o céu.
- Não. - Disse, derrotado. Ela sorriu.
- Queria que isso não tivesse que ser assim. - Ela suspirou.
- Eu também. - Ele arrastou sua mao lentamente ate a dela, segurou-a com forca, porem com delicadeza e sorriu. Foi a primeira vez que ele sorriu. - Por que você tanto sorri hoje? Parece mais forte ultimamente. - Ele quis saber. Ela o olhou, pela primeira vez naquela noite, nos olhos.
- Porque eu estou aqui com você, porque, mesmo que seja ruim ao amanhecer, eu terei esse seus olhos nos meus pensamentos. Eu terei sua voz passeando por minha cabeça, e esse seu sorriso, por mais triste que seja, eu vou guarda-lo. Cada detalhe vai me fazer falta. - Ela sorriu pra ele que, ao perceber como sentiria falta daqueles discursos dela, daquela voz doce, daquele sorriso tímido, deixou uma lágrima cair.
- Eu vou levar você comigo pra sempre. Nos somos a prova de que o amor existe, e pode durar. - Ele alisou seu rosto e foi se aproximando dela. Encostou os lábios em sua testa e a beijou. Foi descendo os beijos, carinhosamente, por seu rosto ate os lábios dela. Ele abriu os olhos e ela o olhava. Um olhar triste, desesperado, querendo abraça-lo, segura-lo e não deixa-lo pegar aquele aviao. Ela quis passar aquela noite jogando conversa fora, deitados na cama, sentindo os pes gelados dele nos dela. Aquele olhar o quebrava, o amolecia e, todo aquele ar de durao, evaporava e dava lugar a um mais leve, a um sensivel. Apaixonado. Ela o beijou, antes mesmo que ele pudesse faze-lo. Ela o abracou como se nunca hovesse o visto antes, e como se nunca mais fosse ve-lo. Era um beijo com saudade, com carinho, com amor, com afeto, era um beijo apaixonado e que deixaria lembrancas. Ele a olhou por fim, a viu chorando sem ter o que fazer.
- Eu vou ficar bem. - Ela disse, embora soubesse que nao. Nao sabia mentir para ele. Nunca soube.
- Eu preciso ir. - Disse ele, querendo nao dizer.
- Tudo bem, - ela sorriu, querendo chorar - cuide-se e ve se arruma juizo, mocinho. - Ela brincou, querendo chorar. Ele a segurou pelos ombros, sabendo de como ela tentava ser forte. Ele admirava, embora nao admitia que ela tentasse esconder isso dele. Soltou-a.
- Eu te amo. - Disse ele. A sua voz era de dor.
- Eu tambem. - Disse ela, sorrindo, escondendo uma lagrima. Ela viu sua feicao triste, e riu. Um riso verdadeiro. - Eu te amo muito mais, seu bobo. - E viu ele sorrir, como uma crianca que acabara que ganhar o brinquedo tanto desejado.
- Eu vou sentir falta disso. - Disse, confessando.
- Disso o que? - Ela perguntou, curiosa.
- Desse seu sorriso, dessa sua voz que e como uma musica pra mim. Dessas suas brincadeiras, dos seus ciumes bobos e lindos, desse seus olhos cor de mel que me hipnotizam. Das suas maos nas minhas, dos seus beijos. Meu Deus, como eu vou sentir falta dessa garota. - Disse ele, olhando o ceu, como se pedisse um milagre.
- Deus sabe, amor, Ele sabe. - Ela nao sorriu, embora o passasse serenidade. - Voce tem que ir, nao e? - Perguntou, mesmo sabendo a resposta. Que doeria, a se doeria.
- Sim. - Ele disse, sem olhar para ela. - Cuide-se. - Disse ele, levantando.
- Ta, vou me cuidar. Boa viagem... amanha. - Disse ela, balancando os ombros.
- Obrigado! - Ele inclinou-se para ela e beijou o alto de sua cabeca. Ela sorriu. Ele virou as costas e se foi. Ela o viu partir, sem poder fazer nada para impedir, sem poder gritar e pedir que ficasse, pois sabia que esse era o melhor para ele. Ela acomodou-se no banco do parque que, aquela hora da noite, nao habitava mais ninguem. Olhou o ceu e quis destrui-lo, brigar com Deus por tirar o amor da sua vida. Mas ela nao podia, sabia que nao. Guardou as maos no bolso do casaco e permaneceu ali, por toda a madrugada, apertando os olhos, procurando formas. Ela o viu varias e varias vezes. O barulho do vento era como ouvir sua voz. Ela sorriu, as varias vezes que o viu e que o ouviu. E chorou, todas as vezes, pois sabia que ele nao estava mais ali, que ele nao voltaria. Ela permaneceu ali, com o gosto dele na boca, querendo, inutilmente, gritar por ele.

1 de outubro de 2010

I've been sitting

Watching life pass from the sidelines
Been waiting for a dream
(This Time - August Rush)
As estrelas iluminavam o céu escuro daquela noite. A lua cheia nunca me encheu tanto os olhos. Sentei-me em um banco do parque, coloquei meu cigarro na boca e me pus a observar. Puxei e soltei a fumaça com preguiça e suspirei. Aquela noite me parecia Tao vazia, a lua e as estrelas não eram totalmente suficiente para me fazer acreditar que aquela era uma noite de sexta-feira. As pessoas andavam pra la e pra como se não houvesse nenhum problema as esperando em casa. Talvez não houvesse mesmo. Talvez o problema todo seja eu, não o que eu achava que era.
Olhei para o lado e vi um garotinho sentado ao meu lado, com um papel enrolado, imitando um cigarro. Eu sorri. Levei meu cigarro a boca, e traguei. Ele me imitou.
- Fumar e errado. - Disse ele, fazendo cara de nojo para o objeto em minha mão.
- Então por que esta fumando? - Brinquei, sorrindo.
- Ah, esse e de mentira. - Disse, jogando o rolinho de papel branco pra trás. - O seu e de verdade. Deveria joga-lo fora. Seus pulmões irão ficar podres. - Ele torceu o nariz. Eu ri.
- Então, acho melhor eu joga-lo fora mesmo, não quero meus pulmões podres. - Eu disse, tragando uma ultima vez, apagando e jogando fora, como ele fez.
- Agora eu posso ir. - Ele anunciou, levantando-se. Levantei.
- Pode ir? Por que? - Fiquei confusa, afinal, nem havia visto aquele garoto sentar-se ali.
- Bom, meu trabalho era fazer você apagar este cigarro. Aquele moço de branco ali, - disse ele apontando para um lugar vazio - mandou eu lhe dizer isso. - Olhei para onde ele apontava, e nada vi.
- Mas não ninguém ali, meu anjo. - Disse carinhosamente, tentando entende-lo.
- Bom, mas ele me pediu, e eu vim, afinal ele me deu um doce. - Ele sorriu vitorioso mostrando o pirulito.
- Então, eu lhe dou mais um doce, se você me levar ate ele. - Disse, pegando um chocolate no bolso do meu casaco preto.
- Não posso. Ele também disse que se você quisesse -lo, era para eu dizer que não. - Ele ficou triste.
- O que foi?
- O moço parecia legal. E, olhe, eu não sou menininha, mas ele era bonito. - Ele disse, fazendo cara feia quando disse menininha. - Ele ate jogou um pouco de bola comigo. Eu sorri.
- E... e esse moço era alto? - Perguntei.
- Era. - Disse ele, abrindo seu doce. Olhei em volta, eu o procurava. Era ele, eu tinha certeza.
- Me conte sobre como ele era.
- Ah, ele era alto, tinha o cabelo meio espetado, sei la, e tinha os olhos iguais aos seus. - Ele disse, sendo gentil. - Alias, você e muito bonita.
- Obrigada, você também e bem bonito. Tem namorada?
- Não, eu ate gosto de uma menina, mas ela nem gosta de mim. - Disse triste e colorando o pirulito na boca. Olhei em volta, e não o encontrei.
- Você devia dar flores a ela, ou um doce, como este. Ela iria gostar.
- Boa ideia. - Ele sorriu. - Agora tenho que ir, a minha mãe esta me chamando.
- Tudo bem, foi bom conversar com você.
- Tchau, moça bonita. E ah, não fume mais. - Ele fez cara brava.
- Fumar? Nunca mais. - Eu sorri pra ele, e ele se foi.
Olhei a minha volta apenas mais uma vez, e não o vi, de novo. Achei que tivesse sido ele, ele odiava quando eu fumava. Fitei o chão sobre meus pés e suspirei. Levei minha mao ate o bolso do casaco e peguei o cigarro.
- Não faça isso. - Disse uma voz que vinha do alto. Olhei. Sorri.
- Sabia que era você. - Quis parecer indiferente. Não consegui. - Que coisa mais baixa, pedir a um garotinho para que me dissesse que fumar e ruim.
- Sabia que se eu pedisse, você não pararia. Nunca parou.
- Se eu fumo como fumo a culpa é sua. - Falei brincando, mas querendo dizer outra coisa.
- Eu senti saudades.
- E-eu també-ém. - Olhei pra ele, ele me olhava atento.
- Você não ligou mais, não foi me ver...
- Nem você.
- Não liguei porque você também não o fez.
- Eu não liguei por que você não ligou.
- Tudo bem, eu te desculpo.
- Não pedi desculpas.
- ...
- Desculpa? - Abaixei os olhos.
- Não o que ser desculpado, mocinha. - Disse ele, sorrindo e levantando meu rosto pelo queixo.
- Se eu parar de fumar, você... vo-... - Não consegui terminar.
- Eu volto pra nossa casa. - Ele sorria radiante. Eu sorri timida.
- Mas se eu parar de fumar? - Fiz bico.
- ta querendo demais. - Ele fez pose. Eu ri. Eu gostava quando ele me fazia rir.
- Pensei que voltaria porque sentiu saudades e...
- ... e porque eu te amo.
- Eu também... te amo. - Eu disse por fim.