off of you
Something about you now
I can't quite figure out
Everything she does is beautiful
Everything she does is right
(You And Me - Lifehouse)
Ela adentrou aquele lugar escuro na esperança de encontrar seus olhos. Sua cabeça girava conforme aquela musica dentro dela tocava, girava e girava e mais nada. Cada um de seus pés a levavam para um lado, como se tivessem vida própria e quisessem, ate mais que ela, encontrar aqueles pés frios que tanto queria. Suas mãos tateavam cada canto daquele estabelecimento estranho querendo sentir seus dedos entrelaçados aqueles dedos que ela tanto sentia saudade.
Pessoas começaram a aparecer naquele cenário que, enfim, ela começou a enxergar. Havia escadas rolantes para todos os lados, e malas de varias cores. Olhou para sua mão e viu aquela pequena mala de rodinhas que havia preparado na noite anterior. Aquele dia parecia que jamais iria chegar. Chegou, e ela mal sabia o que falar, como reagir ao ver os olhos dele. Havia tantas pessoas andando para todos os lados que ela teve medo de se perder. Antes o medo fosse apenas de se perder.
Seus olhos corriam, desesperadamente, atrás daqueles olhos castanhos que tanto desejava. Pensou em desistir, pensou em sair correndo e dizer que houve um imprevisto. Pensou em desistir de quem tanto amava. Odiou-se por ter tal pensamento tão absurdo e nebuloso. Chegou ate a sentir calafrios somente na hipótese de que o deixaria ali.
Sentou-se naquele pequeno banco preto. Nunca gostou muito de preto, apesar de usa-lo bastante. Mas agora, o preto lembrava a ausência de algo. Ou de alguém. Queria poder gritar para que todo aquele lugar a escutasse e se, ele estivesse em meio aquelas pessoas de importância desprezível, correria ate ela. A abraçaria tão forte que poderia fazer o ar sumir, e ela não se importaria.
Tao absorta em seus pensamentos que não sentiu quando tocou-lhes o ombro, fazendo-o puxa-la para si tão carinhosamente, deixando-a boba e assustada. Embora a felicidade pudesse deglutir todos os sentimentos restantes. Seus olhos encontraram os dele, fazendo com que uma sensação tão estranhamente maravilhosa corresse por todos aqueles dois corpos ali colados. Ela pretendia não parecer tão boba quando o visse. Ele pretendia não parecer tão feliz. Ela foi uma completa boba apaixonada. E ele um completo feliz apaixonado.
Aqueles olhos se cruzaram e se misturaram assim como o resto dos corpos. Mas os olhos... ah, os olhos que ela tanto sonhou em ver, a hipnotizavam. Aqueles olhos pareciam domina-la completamente. Aqueles olhos eram dela. Somente dela. E ela tinha certeza disso, desde aquele momento em diante.