3 de outubro de 2010

Love can touch us

one time and last for a lifetime.
And never let go till we're gone.
Love was when I loved you, one true time I hold to
In my life we'll always go on.
(My Heart Will Go On - Celine Dion)
Então ela fitou o céu, procurando, em meio as estrelas, uma resposta. Suas veias pulsavam desesperadas, eufóricas, levando o sangue para la e para . Ela sentiu aquilo ferver dentro de si, seu coração acelerar, que a fez sentir medo que ele escutasse. Apertou os olhos e ligou algumas estrelas. Não encontrou forma alguma.
- Não vai responder? - Disse uma voz aveludada e tão infantil quanto como ela se sentia perto dele.
- O que? - Fez-se de desentendida. Não sabia responder. Ou não queria.
- O que esta pensando? - Ele perguntou, suplicando por uma resposta direta.
- Sobre eu. Sobre você. Sobre nos. - Ela disse envergonhada, baixando os olhos e fitando o chão.
- E o que você pensou? - Ele perguntou, curioso e admirado por ela responder tão prontamente.
- Na verdade, eu imaginei. - Ela sorriu, sem tirar os olhos da joaninha andando sobre seu .
- Imaginou? - Perguntou ele, tentando imaginar sua imaginação admirável.
- Sim. Imaginei você, eu, uma cama de solteiro, a noite, o quarto escuro e suas mãos nas minhas. Conversávamos sobre tudo, como fazemos ao telefone todas as noites. Riamos e sorriamos. Não chorávamos. Bom, eu chorei, mas isso não e nenhuma novidade. - Ela sorriu, derrotada por não conseguir guardar seus próprios pensamentos dele. Olhou o céu novamente, e viu a forma de uma nuvem.
- Isso não precisa ser, necessariamente, uma imaginação. Você sabe. - Ele a confortou, embora soubesse que, não era desse jeito.
- Sei que não. E sei que sim. Adoraria passar a noite conversando com você, rindo com você, sorrindo e chorando com você, dizendo-lhe o que eu estou pensando, e me odiando por não conseguir esconder de você. - Ela sorriu, triste. - Mas acordar amanha e ver que, toda a felicidade da noite anterior, acabaria. Pra sempre.
- Não basta pra você uma noite? - Ele quis saber, embora soubesse a resposta. Era a mesma que a dele.
- Não. Não basta uma noite, um dia, um mês. Nunca vai bastar, porque eu sempre vou querer que a noite se repita. Sempre. - Ele viu uma lágrima cair de seus olhos. Ao ver ela assim, indefesa, não soube o que dizer.
- Eu... você... bom, eu não posso mudar o que esta escrito. - Ele disse, por fim.
- E você sabe o que esta escrito ali? - Disse ela, apontando para o céu.
- Não. - Disse, derrotado. Ela sorriu.
- Queria que isso não tivesse que ser assim. - Ela suspirou.
- Eu também. - Ele arrastou sua mao lentamente ate a dela, segurou-a com forca, porem com delicadeza e sorriu. Foi a primeira vez que ele sorriu. - Por que você tanto sorri hoje? Parece mais forte ultimamente. - Ele quis saber. Ela o olhou, pela primeira vez naquela noite, nos olhos.
- Porque eu estou aqui com você, porque, mesmo que seja ruim ao amanhecer, eu terei esse seus olhos nos meus pensamentos. Eu terei sua voz passeando por minha cabeça, e esse seu sorriso, por mais triste que seja, eu vou guarda-lo. Cada detalhe vai me fazer falta. - Ela sorriu pra ele que, ao perceber como sentiria falta daqueles discursos dela, daquela voz doce, daquele sorriso tímido, deixou uma lágrima cair.
- Eu vou levar você comigo pra sempre. Nos somos a prova de que o amor existe, e pode durar. - Ele alisou seu rosto e foi se aproximando dela. Encostou os lábios em sua testa e a beijou. Foi descendo os beijos, carinhosamente, por seu rosto ate os lábios dela. Ele abriu os olhos e ela o olhava. Um olhar triste, desesperado, querendo abraça-lo, segura-lo e não deixa-lo pegar aquele aviao. Ela quis passar aquela noite jogando conversa fora, deitados na cama, sentindo os pes gelados dele nos dela. Aquele olhar o quebrava, o amolecia e, todo aquele ar de durao, evaporava e dava lugar a um mais leve, a um sensivel. Apaixonado. Ela o beijou, antes mesmo que ele pudesse faze-lo. Ela o abracou como se nunca hovesse o visto antes, e como se nunca mais fosse ve-lo. Era um beijo com saudade, com carinho, com amor, com afeto, era um beijo apaixonado e que deixaria lembrancas. Ele a olhou por fim, a viu chorando sem ter o que fazer.
- Eu vou ficar bem. - Ela disse, embora soubesse que nao. Nao sabia mentir para ele. Nunca soube.
- Eu preciso ir. - Disse ele, querendo nao dizer.
- Tudo bem, - ela sorriu, querendo chorar - cuide-se e ve se arruma juizo, mocinho. - Ela brincou, querendo chorar. Ele a segurou pelos ombros, sabendo de como ela tentava ser forte. Ele admirava, embora nao admitia que ela tentasse esconder isso dele. Soltou-a.
- Eu te amo. - Disse ele. A sua voz era de dor.
- Eu tambem. - Disse ela, sorrindo, escondendo uma lagrima. Ela viu sua feicao triste, e riu. Um riso verdadeiro. - Eu te amo muito mais, seu bobo. - E viu ele sorrir, como uma crianca que acabara que ganhar o brinquedo tanto desejado.
- Eu vou sentir falta disso. - Disse, confessando.
- Disso o que? - Ela perguntou, curiosa.
- Desse seu sorriso, dessa sua voz que e como uma musica pra mim. Dessas suas brincadeiras, dos seus ciumes bobos e lindos, desse seus olhos cor de mel que me hipnotizam. Das suas maos nas minhas, dos seus beijos. Meu Deus, como eu vou sentir falta dessa garota. - Disse ele, olhando o ceu, como se pedisse um milagre.
- Deus sabe, amor, Ele sabe. - Ela nao sorriu, embora o passasse serenidade. - Voce tem que ir, nao e? - Perguntou, mesmo sabendo a resposta. Que doeria, a se doeria.
- Sim. - Ele disse, sem olhar para ela. - Cuide-se. - Disse ele, levantando.
- Ta, vou me cuidar. Boa viagem... amanha. - Disse ela, balancando os ombros.
- Obrigado! - Ele inclinou-se para ela e beijou o alto de sua cabeca. Ela sorriu. Ele virou as costas e se foi. Ela o viu partir, sem poder fazer nada para impedir, sem poder gritar e pedir que ficasse, pois sabia que esse era o melhor para ele. Ela acomodou-se no banco do parque que, aquela hora da noite, nao habitava mais ninguem. Olhou o ceu e quis destrui-lo, brigar com Deus por tirar o amor da sua vida. Mas ela nao podia, sabia que nao. Guardou as maos no bolso do casaco e permaneceu ali, por toda a madrugada, apertando os olhos, procurando formas. Ela o viu varias e varias vezes. O barulho do vento era como ouvir sua voz. Ela sorriu, as varias vezes que o viu e que o ouviu. E chorou, todas as vezes, pois sabia que ele nao estava mais ali, que ele nao voltaria. Ela permaneceu ali, com o gosto dele na boca, querendo, inutilmente, gritar por ele.