30 de dezembro de 2010

como a historia termina

Eu podia jurar que ouvi você dizer qualquer coisa parecida com "eu sinto sua falta". Talvez os moveis tenham escutado também. Ou não. As flores, antes vermelhas sangue, mortas. O vento, antes ameaçador e forte, agora sussurra ao meu ouvido todas as noites. Algo que eu nunca nem procurei entender. Já não posso mais chorar, pois acho que todas as lágrimas secaram nos meus olhos que agora brilham bem mais que antes, de saudade. Já não consigo nem gritar, pois minha garganta se fechou como algo mais aqui dentro do meu peito. Quem eu sou? Que eu não sou? Quem eu poderia ser se você ainda estivesse aqui? Se você só estivesse aqui. Entenderia porque não haveria lágrimas. Entenderia a garganta fechada. Entenderia o sussurro ao pé do ouvido. Só bata na porta, não te deixarei do lado de fora no frio. "Entre, sente-se um pouco." Não serei arrogante. "Quer uma cerveja? Eu bebo com você." Não te deixarei de garganta seca. "Quer um bolo? Eu fiz o seu preferido." Também não te deixarei de barriga vazia. "Diga-me, por que?" Mas também não deixarei de perguntar. E você não dirá nada. Simplesmente vai me olhar com aquele par de olhos castanhos que brilham tanto quanto os meus e abaixar a cabeça. Vai girar o copo e me olhar novamente. Vai me ver chorar aquelas lágrimas que eu achei que não existiam mais. Vai ver como eu tenho sido ultimamente. So a armadura bem, por dentro, lixo. Enfim vai olhar bem nos meus olhos e dizer "eu te amo". E eu vou acreditar, como sempre acreditei. Vai levantar e ajoelhar bem a minha frente. Vai por uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e sorrir pequeno. Vai dizer que sentiu minha falta. E vai escutar que eu senti também. Vai se inclinar para mim e me beijar os lábios. Irei beija-lo também. Vai levantar e puxar-me para si. Vou encontrar meu rosto em seu peito e chorar baixinho, sem que ouça. Vai pedir desculpas novamente. Direi que não peca outra vez. Apenas fique em silencio e dance comigo essa musica. Você dirá que eu sou maluca, não há musica. Apenas dance, por favor. Você dançará. Como aquela que dançamos no baile. Você ira me girar e sorrir feito aquele adolescente magricela. Eu te direi quando foi que eu me apaixonei por você. Você dirá que se apaixonou por mim antes, mesmo sabendo que não foi. Ira ficar bravo comigo por eu discordar. Darei-lhe um beijo carinhoso e você entendera o por que. Você sorrira pra mim ao me ver sorrindo pra você. Você ira rir da minha cara de boba e eu vou te bater por rir da minha cara de boba. Pedirei que durma comigo essa noite. E você dirá que não era preciso perguntar, só te arrastar ate o quarto no andar de cima. Eu vou rir e corar. Você vai acariciar minhas bochechas vermelhas e beijar meu rosto por inteiro. Deitaremos bem juntinhos na enorme cama, de conchinha. Com os olhos fechados, eu vou dizer "eu te amo". Com os olhos fechados, você vai dizer "eu te amo mais." Vai me fazer carinho ate que eu adormeça. E depois vai adormecer também. Faça isso, quero dizer, somente venha ate aqui. Deixe tudo acontecer naturalmente depois. Só venha e me faça sorrir para eu te fazer rir.

14 de dezembro de 2010

luzes de Natal

Eu olho a minha volta e o que eu vejo são luzes por toda a parte. Crianças correndo, todas cobertas por dezenas de agasalhos. Ao contrário de algumas pessoas que passam pelas ruas com rostos nem um pouco satisfeitos, sempre gostei do frio de Londres. E aquela cidade cinza, com um tom de saudade e solidão, acho que foi feita pra mim. Especialmente. As árvores secas e branquinhas por causa da neve enchem meus olhos de brilho. Sentada bem ali, vi um senhor sentar-se ao meu lado. Ele mantinha um pacote que continha, na minha cabeça e ali dentro também, pedacinhos de pão. Ele abriu e acho que começou a esperar por alguém. Ou alguma coisa.
- Você sabe que os pombos só passam por aqui durante o dia, não é? – Perguntei, curiosa pra saber sua resposta.
- Sim. – Foi só o que ele disse, e nem olhou para mim.
- Mas então, por que o senhor tem esse pacote de pão?
- Você é metida assim mesmo, garota?
- Não. Quero dizer, eu só queria entender. – Virei-me para frente. Ele estava mais do que certo. – Desculpe.
- Você não é daqui, não é mesmo? – Ele continuava sem olhar para mim.
- Não, não sou.
- E a quanto mora aqui?
- Desde, bom... não tem muito tempo. – Abracei-me, como se meu abraço pudesse me tirar dali e levar-me para minha cama, onde eu pudesse chorar em paz.
- Desculpe, eu que estava sendo curioso demais agora.
- Tudo bem. – Consegui sorrir um pouco. - Por que sempre as coisas têm que dar errado? Eu queria saber o porquê essas luzes me deixam tão aflita e por que casais que passam por aqui de mãos dadas me fazem chorar. Eu queria entender por que eu terei que passar este natal sozinha. Eu e o vinho debruçados na janela, observando essa cidade linda aos meus olhos sem nenhum habitante. Pensar que todos estarão com suas famílias e eu, com meu vinho. Aí lágrimas vão descer por meus olhos, sem ao menos pedir permissão. Depois um louco qualquer vai passar com uma garrafa de bebida lá em baixo e vai olhar pra mim com olhos de pena. Vai querer me chamar para beber também e dividir meus problemas com ele. Mas ele não vai dizer nada. Ele vai dar um sorriso melancólico assim como tudo nessa cidade, e vai continuar seu trajeto de bêbado solitário. Talvez eu devesse ir com ele, mesmo sem ser chamada. Mas eu sou tímida demais, sem graça demais. Talvez tenha sido por isso. A vida ao meu lado não tem tanta graça. Sair todos os dias e ir a festas todas as noites, com certeza, é melhor do que passar os dias em casa ou passeando pelas pracinhas e assistir filmes as noites, ou só dormir juntinho. Uma festa, com certeza, é melhor do que sentar em um bar com música ao vivo de noite, conversar e, quando chegar em casa, trocar carinhos e amar. Fiz bem, eu acho, vindo para cá. Todos aqui dão a impressão de solidão, mesmo não sendo. Quando olho estas pessoas, sinto como se eu fosse a única solitária daqui. Eu e meu apartamento, as vezes, parecemos intrusos, aos meus olhos. Talvez eu devesse pegar o primeiro avião amanhã e voltar para onde eu vim. Mas como? Encontrar aqueles olhos castanhos brilhando por outro sorriso? Encontrar aquele sorriso que eu tanto amo sorrindo para outros olhos? Encontrar aquelas mãos que se encaixavam tão bem nas minhas, balançando outras? Encontrar aquele cabelo engraçado mudado? Encontrá-lo feliz? Egoísmo meu, eu sei. Eu quero mesmo que ele seja feliz, de coração, mas por que não comigo? Por que não com meus olhos, meu sorriso, minhas mãos? Por que não deitar ao meu lado toda noite? Por que não me acordar toda manhã com beijos pelo rosto? Nós costumávamos ser felizes. Nós riamos um do outro e sorriamos também. Nós nos amávamos como nunca achei que outro casal poderia amar. Nós dormíamos juntos e passávamos horas conversando e fazendo planos para o amanhã. Um amanhã que nunca veio. Nós costumávamos ser um casal feliz, que passeava nos dias ensolaradas, que via filmes de todos os tipos à noite e que dormia junto. Que ia a festas algumas vezes, mas que preferia um barzinho com musica ao vivo. E agora, o que nós somos? Somos o sinal ruim de uma televisão chiando? Somos as luzinhas de natal apagadas durante todo o ano? Somos as praias vazias nos dias de inverno? Somos a lembrança de um beijo que nunca foi dado? Depois de tudo, o que nós somos? Só lembranças? – Eu chorava, sem nem perceber. O senhor continuava sentado ao meu lado, com os olhos fixos em alguma coisa. Vi um pombo chegar e para à sua frente. Suas mãos pegaram alguns pedacinhos de pão e deram para ele. Ele se virou para mim.
- Nada na vida acontece como a gente quer. Vai viver a vida que uma hora sua vez chega. As coisas acontecem quando você menos espera. – Então, aquele senhor simpático e curioso levantou e foi embora. Eu continuei ali, observando as crianças, que agora quase todas já tinham ido embora, correndo. Guardei minhas mãos no casaco ao perceber as lojas começando a fechar. Levantei e fui pra casa. Meu vinho me esperava. No caminho de casa, que não era muito longe, as pessoas iam diminuindo o passo, como se perdessem a pressa de chegar em casa. Vi sorrisos que pareciam ser sinceros. Vi olhos brilhando que me fez lembrar de como os meus olhos brilhavam. Entrei no elevador e esperei. Havia uma moça com um bebê lindo nos braços. Ele sorriu para mim da forma que ninguém sorria mais. Abri a porta e tranquei. Peguei o vinho na mesa que já gritava de saudades de mim. Sentei na minha cama e juro que tomei a garrafa inteira de vinho. De madrugada, não sei se foi sonho ou não, escutei meu telefone tocar em cima da mesinha.
- Alô? – Disse com uma voz de sono que eu até duvidei que fosse minha.
- Meus olhos já não brilham mais, meus sorrisos já não fazem mais nenhum par de olhos castanhos brilharem, nem lábios sorrirem. Minhas mãos não se encaixam mais como se encaixavam nas suas.
- Hã?
- Eu te amo.
- Eu te amo. E eu estou bêbada.

13 de dezembro de 2010

sonhar e alcançar o ∞

Você ainda é o único. Talvez dizê-lo seja tão difícil quanto senti-lo. Pelo menos é o que a cama fria diz. Difícil sentir e, ainda assim, saber que não é tão simples. Ás vezes, ou melhor dizendo, quase sempre, nada que queremos, temos. Eu queria, quis e tinha. Tive por muito tempo que hoje já não sei se ainda tenho. Estranho dizê-lo se, por tanto tempo tive, por tanto teria que tê-lo ainda. Mas não. Na verdade, tudo é tão estranho quanto acordar em uma manhã de domingo, que deveria ser ensolarada, e sentir o frio invadindo sua janela. Tão estranho quanto tatear sua cama e nada encontrar. Tudo é estranho, inclusive você. E você, com toda sua estranhice e esquisitice, seu cabelo engraçado e o corpo magrelo queimado de sol, fez-me ver o que eu jamais vira. Aí, você percebe que as coisas mais estranhas são aquelas que mais te fazem feliz. Um dia cinza, nublado e chuvoso talvez não te faça sorrir tanto quanto um dia amarelo, quente e com um sol de queimar os olhos. Mas para mim, sim. Sempre preferi dias cinzas a amarelos. Talvez todo o sentimento esteja aí, nessa diferença gigantesca. Sol e chuva, frio e calor. Você e eu, eu e você. Fácil até dizer: eu e você. Fácil, na verdade, é amar você. Fácil é sentir-se sozinho quando o mundo não está lá por você. Fácil é chorar sozinho no quarto escuro de madrugada, na esperança de sentir um corpo deitando ao seu lado e pedindo desculpas. Fácil é achar que, no fim, tudo vai acabar bem, como nos contos de fada. Aprendi com você que a vida é mais dura do que eu achei que seria. Aprendi com você a não acreditar mais em contos de fadas. Talvez, o segredo esteja aí. Sonhar um pouco como a Bela Adormecida, não dói. Esperar alguém que o faça feliz, como a Branca-de-Neve, ,não o faz mais fraco. Fortes são aqueles que, vivendo toda a realidade que a vida nos faz viver, ainda são capazes de sonhar. Fechar os olhos toda a noite antes de dormir e imaginar. Imagine sorrisos, abraços, beijos. Imagine eu e você e você verá que não é tão absurdo e infantil quanto você diz ser. Sonhar é a única coisa que tem me mantido viva todo esse tempo longe. O seu sorriso nunca foi tão radiante como nos últimos dias. Seus olhos nunca brilharam tanto ao encontrar os meus e suas mãos nunca encaixaram-se tão bem nas minhas, como ontem. Os sonhos são as únicas coisas que me mantém perto de você, quando nada mais consegue. Fechar os olhos e imaginar é o que mantém a energia que ninguém mais me transmite. Dormir e sonhar com seus olhos, seu sorriso, suas mãos nas minhas é o que me mantém acreditando naquilo que muita gente já deixou de acreditar. Naquilo que muita gente sentiu e o viu despedaçar. Sonhar é o que me faz acreditar que tudo vai mudar e, qualquer noite dessas, vou sentir você deitando ao meu lado, dando-me um beijo de boa noite e dizendo o quanto me ama. Você é o que mantém o amor que eu pensei nunca mais sentir, vivo aqui dentro de mim.

9 de dezembro de 2010

sinto falta de mim e mais ainda de você

Eu sinto falta do som da sua voz. E de quem eu costumava ser quando você ainda estava aqui. Sinto falta de quem você era e do que costumávamos fazer. Amanhecer e ter a certeza de que você estaria ali, não aqui, mas ali. Eu tinha certeza de que um sorriso surgiria durante o dia. Ou mais. Eu dormia na esperança de acordar com sua voz me chamando de alguma forma. Eu ficaria bem, mesmo gritando por dentro, apenas por saber que você estaria ali, quieto. O silencio entre nos dois sempre foi muito presente. No entanto, era confortante te-lo. Permanecer em silencio, quase sem nem respirar, apenas para ouvir a sua respiração. Até o teu sorriso tinha barulho em meio a todo o silencio. Todo som que vinha de você, parecia musica. Tornou-se algo constrangedor, esse tal silencio. Aperto os olhos como se pudesse ler a sua mente e entender, de alguma forma, o por que. Por que tudo não é mais como antes. Por que eu sinto como se não fosse mais bem-vinda. Talvez porque eu não seja. Eu sinto falta do toque gelado dos seus pés que eu nunca senti. Das faiscas que eu sentia surgindo dentro de mim quando você se aproximava, mesmo nunca tendo o feito. Das borboletas no estômago de ouvir sua voz. Eu atravessaria o oceano, agora, se soubesse que eu não teria que voltar. Eu sinto falta dos planos que fizemos, da noite que nunca tivemos. Eu sinto falta de olhar no par de olhos castanhos mais lindos do mundo, que eu nunca olhei. Eu sinto falta das mãos nas minhas que eu nunca tive. Eu sinto falta de escrever sobre você e nunca lhe mostrar. Sinto falta de quando dormíamos juntos, tão perto que nunca o fizemos. Sinto falta de lhe fazer carinho antes de dormir, carinho que eu nunca fiz. Sinto falta de sorrir com o seu sorriso, sem nem -lo. Sinto falta de sentir seus lábios nos meus, lábios que eu nunca beijei. Sinto falta de tudo, e do nada, ao mesmo tempo. Sinto falta de tudo aquilo que eu nunca tive, mas que sonhava em ter. Mas sinto mais falta mesmo de ter você. O resto é consequência. Consequências boas. E que eu nunca terei.

29 de novembro de 2010

tudo que ela quer é ser mais que uma memória

Ela passa suas noites em bares e baladas. Ela bebe ate que esqueça tudo. A dor, a saudade, o coração machucado, tudo. Ela ri e diz que odeia o amor. Que nada doí mais que o amor, e que ele não serve mais. Ela chora por saber que as lembranças são fortes demais para serem esquecidas com algumas garrafas de vodka. Ela grita, implora pra Deus que arranque seu coração. Ela acredita que doeria muito menos. Talvez doa mesmo. Ela desce vagarosamente escorada somente pela parede. Nenhuma mão ajudando, nem um consolo. Nada. Ela olha a vodka branquinha dentro da garrafa e chora, como se o visse ali dentro. Por que?, ela pergunta. Ela espera por uma resposta que nunca veio. Ela levanta querendo continuar ali, caminha devagar sem soltar a garrafa de vodka, como se não o soltasse. Ela volta para seu apartamento na rua de baixo, por aquelas ruas escuras. Ela agradece. Ela não quer que o mundo a veja desse jeito, eles não a entenderiam. Ela senta no muro do enorme edifico e sonha. Acordada. Tudo aquilo que ela viveu um dia, não muito distante, daquele. Como pode acabar assim, tão depressa?, ela procura por uma resposta na garrafa. La dentro, no fundo da garrafa, ela vê sorrisos. Ela vê risos, abraços, noites de amor que pareciam não ter fim. Ela viu promessas que nunca foram cumpridas. Ela viu amor, felicidade, união. Ela viu brigas, discussões, pazes. Ela viu olhos brilhantes olhando outros olhos não tão brilhantes, mas com o mesmo amor. Ela viu paz, certeza de que era assim que tinha que ser. Ela viu musica, dança, pés gelados encostados em outros não tão gelados. Ela viu uma cama imensa, dois corpos deitados, planos de um futuro que não viria. Nunca. Ela viu lágrimas, saudade e depois sorrisos. Ela balançou a cabeça, querendo se livrar de tudo aquilo. Ela sabia que não adiantaria. Em sua mente, haviam copias de lembranças que ela não poderia - e não queria - esquecer. Ela abriu a porta do apartamento com tanta dificuldade, que pensou em dormir ali mesmo, no chão frio. Talvez ela merecesse. Ele não achava isso. Ela jogou o resto da vodka na pia e depois a garrafa fora. Sentou na cama e esperou. Como se o telefone fosse tocar. Como se a porta que ela deixou destrancada fosse se abrir e ele aparecer ali. Como se, um dia, tudo fosse voltar a ser como era a um mês atrás. Como se tudo aquilo fosse um pesadelo, mas que ela sabia que não era. Ela teria que conviver com isso, ela poderia. Mas ela não queria. Ela não queria esquecer o que a fez tão feliz, mesmo que por pouco tempo. E ela não esqueceria, nunca.

26 de novembro de 2010

Diante daquela imensa fila de pessoas,

você. Havia duas ou três a minha frente. Um garoto segurando um taco de beisebol e reclamando que você matara Nick. Depois a mulher, que o que faltava era começar a chorar ali mesmo. Você matou o Nick. Eu segurava apenas um livro. O seu livro. Eu não iria reclamar que você havia matado o Nick.
- Ola! - Consegui dizer depois de alguns segundos tentando olhar para os seus olhos baixos, concentrados no livro. Os encontrei. Acho que meus lábios sorriram como não sorriam a tempos.
- O-ola! - Você gaguejou. Eu não consegui segurar um mini sorriso nascendo no canto dos meus lábios. Você levanta. - Pessoal, eu vou dar uma parada, mas eu volto.
Caminhamos juntos, adentrando a biblioteca. Havia livros que eu jamais pensei em ver.
- Então... - Dissemos juntos. Nosso riso encheu aquele lugar cheio de livros de alegria. Ou sem-gracice.
- Eu li seu livro. - Você disse. - Gostei bastante. Parabéns!
- Obrigada. Não esta vendendo muito.
- Se eu fosse eles ali naquela fila, estaria pedindo seu autografo, não o meu.
- Ah, claro.
(Silencio)
- Quanto tempo! - Você disse, por fim, quebrando o silencio.
- É verdade, faz bastante tempo desde... Enfim. - Meus olhos baixaram e encontraram as paginas do livro nas minhas mãos.
- Como tem passado? - Seus olhos em mim fizeram com que eu levantasse novamente o rosto. Coloquei uma mecha do cabelo pra trás.
- Bem, eu estou bem, mas... - Procurei as palavras. Não as encontrei. - Bem, acho que eles la fora ficaram chateados por você ter matado o Nick. - Sorri. - Eles vão entender. Não haveria graça, certo? - Balancei a cabeça, consentindo. - Você sumiu.
- Eu te liguei algumas vezes, na verdade. Mas você não atendeu, nunca. - Lutei com as palavras.
- Eu não podia. Eu... - Você também pareceu procurar as palavras. - Eu fiquei machucado.
- Eu sei. Acho que te devo desculpas.
- Não, tudo bem. Quero dizer, eu te entendo. Mas ficar longe de você foi... complicado. - Você sorriu triste.
- Desculpe.
- Tudo bem, passou, certo? - Eu não queria responder.
- É.
- Quer que eu autografe? - Você apontava para o livro em minhas mãos.
- Ah, claro, por isso que eu vim aqui. Você esta morando na cidade agora, certo?
- É, mas amanha eu parto para Londres.
- Ah, Londres, claro. - Você me devolveu o livro. - Não nos veremos mais, então?!
- Não e muito provável nem saudável.
- Tudo bem, então. - Tentei esconder ao máximo as lágrimas nos meus olhos. As pessoas gritavam do outro lado da estante.
- Eu tenho que ir agora, eles me esperam.
- Claro, vai la. Cuide-se.
- Você também.
Abri o livro:
"Eu te amo e sempre vou te amar."

23 de novembro de 2010

cause it's true, I'm nothing without you

Eu vi você fechar a porta sem ter o que dizer. Nem poder dizer. Eu não iria implorar-te que ficasse, não se não quisesse. Sei que queria ficar, sei disso. No entanto, não o fiz. Preferi deixar-te ir. Voltar depois, quem sabe. Mas se tu soubesses que a minha noite seria a mais fria de todas naquele dia de verão. Não sentir seu corpo junto ao meu, doeria, talvez mais do que qualquer outra coisa que eu recuso-me a comparar agora. Não sentir seus pés gelados junto aos meus, suas mãos procurando as minhas a meia noite. Não ouvir sua voz doce me acordando, sussurrando pra que eu chegasse mais perto, pois você havia sonhado. Acordar com sua voz ao do meu ouvido e depois sorrir triste ao escutar seu pesadelo. Você não vai me perder, eu disse. Eu dizia isso todos os dias, direta ou indiretamente. Queria que tu soubesses que os dias de verão não serão mais os mesmos. Por mais que você odiasse o verão, eu gostava de passar a tarde sentado no sofá com um pote gigante de sorvete nas mãos e quando eu olhava para o lado, você estava ali, com os olhos fixos no filme de ação que passava na tv, com a colher suja de sorvete na boca. Queria que tu soubesses que os filmes de ação não terão mais graça, os sorvetes gigantes morrerão no congelador, os dias de verão sem verão desaparecerão e restara o sol quente batendo a minha janela logo de manha. Sem pés gelados, sem mãos nas minhas, sem sussurros, sem você. Passei horas a fio sentado no sofá, vidrado na maçaneta dourada que reluzia quando o sol dava as caras. Por vezes escutei-a se abrindo, por vezes era apenas imaginação. Os ponteiros do relógio na parede se arrastavam, os minutos pareciam horas. Olhei pela janela e o céu estava escuro, acho que era noite. Não queria ter que dormir com a ausência de um corpo quente ao meu lado. O sol invadia meus olhos, então os abri com ma vontade. Olhei em volta e nada. O dia arrastou-se tão lentamente quando os ponteiros do relógio. Mas assim que anoiteceu, deitei-me na cama. Fitei o teto e, por um segundo, jurei sentir seus braços em volta de mim. Respirei fundo. Vai ficar tudo bem, cara. Disse a mim mesmo. Não, não vai, não. Senti meus olhos ardendo e depois uma maldita lágrima ousou pular dos meus olhos. Fechei os olhos com forca e as lembranças apareceram como magica. Talvez eu pudesse viver dentro da minha cabeça. As lembranças eram tão reais que eu pude sentir um corpo deitando ao meu lado, braços envolvendo minha cintura, pés gelados para cima e para baixo da minha perna. Era difícil não sorrir, difícil segurar as lágrimas.
- Você sempre foi um bobo, sabia que chorava sozinho.
Aquela voz. Aquele sussurro ao do ouvido. Aquele riso meu, que eu tanto amava, estava de volta.
- Abra os olhos, olhe para mim. - Olhei. - Perdoe-me por isso.
- Shhhh! - Disse eu, pousando o indicador em seus lábios. Meu lábios. - Não me deixe, nunca mais.
- Prometo. - Beijou-me nos lábios. Sorrimos. - Eu te amo.
- Eu te amo. - Deitou a cabeça em meu peito.
- Amor?
- Oi?
- Descobri, ontem a noite, que eu não sou nada longe de você.
- Descobrimos o mesmo, então.

12 de novembro de 2010

o amor do sol e da lua, dele e dela

Como voltar ao passado, você se lembra? Você se lembra de quando nós andávamos e andávamos e parávamos em frente ao mar? Toda aquela agua que, diante de qualquer par de olhos que ousasse observa-la, era azul. E não há ninguém que convencer-me-a ser outra cor. Aquela areia branquinha sob nossos pés faziam cócegas e logo depois eu estava sentada em seus ombros. Seus pés arrastavam-se depressa pela areia e eu podia jurar sentir meu rosto roçando naquela longínqua extensão branca. Ali, sentada em seus ombros sentindo um extremo medo de cair, mas sabendo que não aconteceria, sentindo aquele vento acariciar meu rosto como nunca sentira antes, sentindo seus lábios encostarem levemente na minha perna, desejei que isso nunca houvesse fim. Percebi não mais estar sobre você, quando senti a agua azul tocar todo o meu corpo, o paralisando de tão fria. Você olhava-me sorrindo como um menino olhava vidrado uma bola cara na vitrine de uma loja. Você parou assim que notou minhas bochechas corando e quando sentiu a agua em seu rosto. Começou ali, aquelas brincadeiras típicas de crianças no verão. Éramos duas crianças, então, se quiser nos chamar assim. Mas éramos duas crianças felizes. Então, ali mesmo, olhando-te com aquele brilho nos olhos que eu tanto amava, sentindo aqueles espirros de agua gelada tocar meu rosto, que eu desejei ter você pra sempre. O céu azul, agora, dava lugar ao lindo espetaculo que era o crepúsculo. Enfrentava o por-do-sol como o sexo entre o sol e a lua. Diria, então, que era amor. Parecia tão lindo, como se fosse um casal apaixonado fazendo amor para todos os que quisessem, observarem. Seus braços passaram por minha cintura e seu queixo encostou-se em meu ombro. Era fascinante presenciar um espetaculo tão comum e, ainda sim, tão lindo, com você. Olhei pra você e pensei em lhe dizer tantas coisas. Eu passaria aquele fim de tarde, a noite inteira dizendo-lhe o quanto eu te amo. Poupei-me de palavras quando vi um sorriso nascer em seus lábios. Você sabia o que eu queria dizer, apenas olhando o brilho dos meus olhos. Era fácil dizer-te coisas que, com palavras, eu jamais saberia explicar. Por isso, e por muitas outras coisas, naquele mesmo momento, desejei anular meus pedidos anteriores. Eu não precisava de desejos. Você estava ali, junto a mim, sentindo a agua gelada rodear nossos corpos, esquentando-me apenas com o seu calor próprio, olhando-me como eu sempre sonhei em ser olhada, sorrindo-me um sorriso que eu sempre desejei ver, amando-me - porque você o fazia - como eu sempre amei e sempre esperei que você me amasse. Eu tinha o presente com você. O futuro começa quando acordarmos amanha de manha. O que ainda demorara. Ali, olhando-te assim, com esse brilho nos olhos e esse sorriso nos lábios, desejei que ninguém, nunca, jamais, tirasse esse brilho e esse sorriso de você. - Eu te amo. - Quebrou, ele, o silencio, com um sorriso e brilho nos olhos. - Eu te amo. - Imitou ela, sabendo que não era necessário mais que isso. - E eu sempre vou te amar. - Mas, ainda sim, ela o fazia.

9 de novembro de 2010

e com você, viajar o mundo

Fechar os olhos, na maioria das vezes, me faz sorrir. Minha mente me leva a lugares em que eu jamais pensei em estar. Faz-me fazer coisas que eu jamais pensei em fazer. Faz-me sorrir, trazendo-te ate mim, de uma maneira que eu nunca cogitei precisar. Fechar os olhos, quase sempre, é o que me mantém viva. Olhar teus olhos assim tão perto dos meus, sentir tuas mãos tão grudadas nas minhas. Poder sorrir com você. Saber que você pode ver o brilho que nasce em meus olhos sempre que eu escuto sua voz. Saber que tudo o que eu sinto, pode ser dito por um olhar, por que eu sei que você vai conseguir decifrar.
- Feche os olhos. - Pedia, quase desesperada de tanta ansiedade.
- Mas para que? - Disse confuso, mas sorrindo, e fechando os olhos lentamente.
- Não vale olhar. Feche esse olho, amor. - Ela brigou, rindo, pedindo que fechasse o olho aberto.
- Tudo bem, tudo bem. Desculpe-me. - Sorriu e fechou os olhos.
- Confia em mim? - Perguntou, sabendo a resposta.
- Ate de olhos fechados. - Disse ele, apontando para seus olhos que enxergavam o escuro naquele momento.
- Ótimo. Então vamos. - Disse ela, sorridente, fechando os olhos também.
- Para aonde? - Perguntou, confuso.
- Cala a boca e me de suas mãos. - Disse, pegando nas mãos do rapaz. - Vamos viajar.
- Você é maluca. - Brincou.
- E a culpa é somente sua. Fique quieto, amor. - Pediu, fazendo bico, mesmo sabendo que ele não enxergaria.
(Silencio)
Sentaram-se em um banco bem tranquilo da praça. Ela encostou sua cabeça em seu ombro, como se pedisse carinho. Ele sabia quando ela o queria. Afagou-lhes o rosto, a olhando como se fosse um diamante. Linda, brilhante e dele. Em sua cabeça, a voz da Shania foi surgindo cantando you're still the one I run to, the one that I belong to. Era a musica deles. Ela sorria feito uma criança que acabara que ganhar sua boneca de presente de Natal. Ele sorria, como um menino que acabara que vencer um campeonato de futebol. Eles sorriam, sabendo que um pertencia ao outro. Seria assim pra sempre. Ela o olhou e sorriu, e com os olhos disse o que ele mais gostava de escutar. Aquelas três palavrinhas que iluminavam seus olhos, iluminavam os dele também. Ela cochichou algo em sua orelha, que o fez sorrir mais ainda. Ele abriu os olhos sorrindo, como se tivesse acabado de sonhar. Ela o olhava seria, mas seus olhos sorriam por ela.
- Podíamos viajar mais vezes desta maneira. - Disse ele, sorrindo e puxando-a para recostar em seu peito.
- Podemos viajar assim sempre que quisermos. - Respondeu, acariciando os dedos do namorado.
- Eu vou a qualquer lugar com você, até mesmo sem nem sair daqui. - Ela o olhou e selou seus lábios. Estar assim com ele talvez seja o que ela mais precisa. Te-la assim tão perto, para ele, é necessário. Seu sorriso o faz sorrir, seus olhos fazem os dele brilharem. E ela, o faz feliz, assim como ele a faz. Todos os dias, viajando ou não. Para sempre.

8 de novembro de 2010

esse brilho, anjo, ilumina nosso amor

Love burns brighter than sunshine
It's brighter than sunshine (Brighter Than Sunshine - Aqualung)
Deixe o brilho dos meus olhos dizer-te o que minha boca já não consegue mais. Esses meses tem sido tudo pra mim, ele disse. Esse brilho que só existe quando você se aproxima, expressa-se mais do que eu mesmo. Ele sorri, chora, implora e ama. Assim como eu. Esse brilho radiante nos meus olhos e o que comprova a felicidade que já não cabe mais no meu coração. Eu tive que aprender a aceitar que talvez eu possa perder pra esse brilho continuo - pelo menos ate você ir. Mas, talvez, perder não seja tão ruim se para ele. Talvez, perder seja o que já tenha acontecido e eu não vi. Ou não quis ver. Perder, talvez, seria o necessário se eu quisesse perceber o que o mundo e eu já sabemos de cor. A certeza que um sentimento existe e fato. O desafio - que não deveria ter esse nome - de identificar que sentimento e esse, foi fácil. Sorrir com você e fácil demais. Seus olhos brilham iguais aos meus quando estão olhando os seus. Então pra que chorar, olhos brilhantes, se amanha tudo muda outra vez? Pra que correr, pés cansados, se o caminho sem você e longo? Correndo ou não. Aquele brilho nesse par de olhos castanhos some a cada vez que a mente pensa em te perder. Não pense. Não se deixe viajar em seus pensamentos. Proíba-se de pensar, se não nele. Olhe aquele brilho daqueles olhos e sinta o que você já sabe. Olhe e não pense, mas imagine um futuro simples. Você e ele, minha mente dizia. Pra sempre. Era o que eu queria. E, vez ou outra que me olhava nos olhos, era o que ele parecia querer também. Perder para esse brilho, convicta disso, não aconteceria. Seu brilho, seus olhos. Seus olhos que tanto dizem, mais ate que você mesmo. Seus olhos, que tanto sorriam, querem-no perto. E você lutara por isso. Por você, por seus olhos e pelo brilho deles. O segredo desse sentimento que você, eu e o resto da humanidade chama de amor, talvez, seja o brilho dos olhos. E se, nosso amor depender do brilho dos nossos olhos, o amor existira ate todo o brilho do mundo acabar.

3 de novembro de 2010

você, minha maior fraqueza

We should be happy, that's what I said from the start
I am so happy knowing you are the one
That I want for the rest of my days
(Happy - NeverShoutNever!)
        Nós dois ali, andando por um lugar qualquer. Falando coisa qualquer que me fazia sorrir. Sorrir era fácil perto de você. Esconder um sorriso sempre fora difícil. Você sabia quando eu sorria, mesmo que com os olhos. Você sabia o que eu sentia só de escutar a minha voz. Do outro lado do telefone você me via corar. Via-me sorrir, revirar os olhos e fazer bico. Inúmeras vezes perguntei-me se você podia estar me vendo.
        Agora, olhando seu par de olhos castanhos olhando os meus hipnotizados pelos seus, faz eu me sentir completa. Lembro-me bem quando sonhava acordada com seus olhos. Com suas mãos nas minhas. Já ate nos imaginei brigando, e depois, já deitada na cama, você vinha e deitava comigo. Dava-me um beijo na nuca e dizia um "eu te amo" tão doce que revirava meu estômago de felicidade.
        Imaginar-me com você sempre fora fácil, o difícil era fugir da cidade da imaginação. Você ali, tao perto, fazia-me achar estar vivendo um sonho. Talvez o melhor de toda a minha vida. Há noites em que eu sonho com você e, mesmo não me lembrando de nada, sei quando sonho apenas pelo fato de acordar feliz.
        É um tanto extraordinário isso tudo. Dormir sabendo que terei você ao meu lado quando eu acordar. Acordar sabendo que terei você pela noite, desejando-me um "bom sonhos" e dando-me um beijo demorado na boca.
        As vezes pergunto-me o que serão das minhas noites se não houver mais você para desejar que eu durma bem, ou para adoçar meus lábios com os seus. Mas na verdade, estou me perguntando o que será de mim sem você. Afinal, nada são as minhas noites, os meus dias, os meus sonhos, os meus sorrisos, sem você.
        O tudo vira nada sem você. E a coisa mais simples do universo, vinda de você, torna-se o que eu mais preciso. Um sorriso seu ilumina meu dia mais do que o sol poderia iluminar em quantos anos você quiser. O brilho dos seus olhos brilham mais do que o céu mais estrelado que você já viu. O toque das suas mãos nas minhas, aceleram mais o meu coração do que a maior adrenalina que você possa sentir. O seu amor me faz feliz. E não há como eu comparar isso.

31 de outubro de 2010

ali vem alguém que eu estava com saudades

Cause I've been waiting for you
For so long
And right now there's a war between the vanities
But all i see is you and me
(Come Home - OneRepublic)
        Meus olhos viviam em constante tristeza. Vez em quando eles sorriam. As outras - quase sempre eternas - eles choravam. Um minuto virou um século. Esperar-te passar pela porta, virou rotina. Esperaria ate as estrelas pararem de brilhar. Ate o sol parar de se exibir. Ate todo o oceano secar. Esperaria se você e o seu sorriso não houvessem aparecido ali, diante de mim. Seus lábios sorriam-me um sorriso meigo, com saudade. Meus olhos sorriam-te um sorriso feliz, querendo puxar-te para perto. Um sorriso que dizia, claramente, Não me deixe só.         Ver-te ali, fez-me acreditar no que eu não acreditava mais. Meus lábios sorriam como não sorriam a tempos. Meus olhos brilhavam do jeito que brilhavam quando olhavam os seus olhando os meus desejando os seus mais perto. Cheguei a pensar ser um sonho. Cheguei a querer acordar para não ter que sentir meus olhos chorando. Cheguei a ter medo de sentir aquela dor que senti quando vi você partir, novamente.
        Podia jurar que senti minhas pernas desabando quando seus dedos tocaram-me o rosto. Não era um sonho, não havia como ser. Era um tanto engraçado sentir você assim tão perto, quando, a poucas horas, estava tão longe. A única lembrança que eu tinha era das noites em que dormimos tao perto que parecia sermos um. A única lembrança era o sorriso que seus olhos sorriam. O brilho que seus sorrisos transmitiam. O amor que você me dava. Todos os defeitos que eu tinha, desapareciam ao ver você.         Queria eu poder controlar o tempo, parar os relógios, viver ali com você por toda a eternidade. Ainda sim seria pouco. E um tanto engraçado e desesperador isso que eu sinto aqui dentro, de querer você por perto a todo momento, a todo instante, pra sempre. As cócegas que você me fez sentir estragaram o momento perfeito que minha cabeça ensaiava. Minha boca havia treinado tanto para ter o que dizer, mas agora vejo que as palavras são desprezíveis. Ter você comigo sempre fora meu maior desejo.         Quem sabe agora meus dedos passeariam corretamente sobre um papel, que todo esse tempo nenhuma linha fora escrita. Os papeis sentiram minha falta, e eu senti a sua. E hilariante saber que eu preciso de você para acordar todos os dias. Hilariante, pois esse tempo todo eu não acordei. Meus olhos abriam, eu levantava, mas por dentro, eu dormia um sono profundo. Bom dia! Acordei neste momento. Talvez a poucos minutos atrás, quando você sorriu para mim da porta.         Boa noite! Eu ouvi você desejar-me antes de dormir. Talvez agora eu estivesse sonhando. Enganei-me novamente. Soube disso quando seus lábios tocaram os meus, quando meu corpo sentiu o seu, quando meu corpo inteiro sentiu você de volta. Você estava ali, ao meu lado, olhando-me com um sorriso lindo nos lábios. Você estava de volta, eu sabia disso. Eu sentia isso. E meu coração também.

24 de outubro de 2010

Far away from where you are

I'm standing underneath the stars
And I wish you were here
I miss the years that were erased
I miss the way the sunshine would light up your face
I miss all the little things
(From Where You Are - Lifehouse)
Olhou para todas aquelas luzes de toda aquela cidade movimentada e desejou não estar ali. Não era ali que ele deveria estar, não era ali o seu lugar. E ele sabia disso. Olhou para o céu e, pela primeira vez naquela noite, viu sua primeira estrela. Pensou em fazer um pedido como sempre fazia quando criança. Pensou que pudesse dar certo. Viu seu reflexo na janela de vidro e a única coisa que vira, fora um rapaz com olhos tristes, com o rosto cansado, com dor no coração e saudade naquele minúsculo sorriso que tentava aparecer naqueles lábios que já não encontravam outros a algum tempo. Nenhum pedido inútil resolveria tudo isso. Nenhuma estrela brilhante e fútil o ajudaria. Assustou-se com como ele mudara desde a ultima vez que a vira. Seu programa favorito era assistir as estrelas e, se possível, conta-las, perder a conta e contar de novo. Ou seja la qual fosse o programa, se ela estivesse com ele, tudo era magico, tudo era feliz. Inclusive ele. Xingou si mesmo de tantos nomes na esperança de sentir-se melhor. Não sentiu. Na verdade, ele já não sentia nada a bastante tempo. Na verdade, para ele, não sentir era a única maneira de sobreviver. Ele não sentia, mas seu coração sentia. Sentia duas vezes. Duas vezes mais tristeza, duas vezes mais saudade, duas vezes mais angustia. Duas vezes mais partido. Ele daria o mundo para saber o que ela estava fazendo naquele mesmo momento. Não poderia estar fazendo o mesmo que ele. Talvez ela estivesse, nesse momento, xingando-se por quere-lo ali, olhando aquele céu azul, aquele sol radiante. Ela sentia inveja do sol. Ele sempre brilhava, podendo vê-lo ou não, seja la onde ele estiver, ele sempre esta brilhando. Ela queria brilho. Mas não aquele brilho amarelo, ela queria o brilho dos olhos dele. O brilho do sorriso dele. O brilho da magia que pairava no ar quando eles se olhavam. Seus olhos sorriam um para o outro, comunicando-se em uma linguagem que nenhum outro olhar poderia entender. Sabe se la quantas milhas de distancia, e ambos não paravam de pensar nos dois pares de olhos castanhos. Ele a queria ali, para poder observar as estrelas. Conta-las, perder a conta, e contar novamente. Ele a queria com seus braços em volta dele, ele queria poder acordar com um corpo ao seu lado, e não aquela cama fria. Ele a queria sorrindo para ele. Ela o queria ali, abraçando-a e dizendo que ama o brilho do sol. Ela também gostava de como o sol brilhava, que ali, sem ele, o sol tornava-se inútil. Ela o queria dizendo como os olhos dela brilhavam, e como ele amava seu sorriso. Ela o queria ali, para poder dizer como ela adorava seu jeito de ser e, mais ainda, como ela adorava quem ela era quando estava com ele. Eles queriam um ao outro assim como a lua quer as estrelas. Assim como o sol quer um céu azul para poder se exibir. Assim como a chuva quer uma nuvem para poder existir. Eles precisavam um do outro, assim como um peixe precisa de agua, assim como um passarinho precisa de asas, assim como eu preciso de você.

20 de outubro de 2010

I didn't mean

for this to go as far as it did
And I didn't mean to get so close and share what we did
And I didn't mean to fall in love, but I did
And you didn't mean to love me back, but I know you did
( A Lonely September - Plain White T's)
Era fascinante ver você sorrir assim com os olhos e com os lábios. Seus olhos brilhavam de uma forma magica que me faziam sorrir feito uma boba. Você empurrava o balanço tão alto que me fazia gargalhar. Era fácil demais esquecer o mundo a nossa volta, era fácil demais ser feliz com você. Seus olhos sorriam olhando os meus que olhavam os seus desejando que isso nunca tivesse fim. Quando o balanço voltava, meu coração acelerava por eu achar que iria machucar você, assim como acelerou quando eu ouvi sua voz. Meus pés balançavam da mesma forma que eu senti balançar quando você me tocou. Minha cabeça girava da mesma forma que girou quando seus lábios tocaram os meus. Meus olhos sorriam assim como sorriram quando viram os seus. Eu estava feliz como sempre fui com você. Eu te escreveria uma canção se soubesse rimar. Quem sabe assim, talvez, você saberia o tamanho e a forca que o meu amor tem. Eu roubaria as estrelas pra você, se você quisesse. Eu não pretendia me aproximar tanto, nem dividir tudo que dividimos hoje, mas me aproximei. Dividi com você a coisa mais importante que eu tenho, a maior valiosa, a mais verdadeira. Dividi com você todos os meus dias e todas as minhas noites. Dividi com você os melhores momentos da minha vida. Os meus mais lindos sorrisos sempre foram pra você e por você. O meu coração só acelerava por você, meu corpo inteiro se arrepiava somente por você. Era engraçado saber que você ria da minha cara de criança feliz brincando naquele balanço, mas mal sabia você que ali eu me sentia a pessoa mais completa do universo. Mal sabia você o quanto era bom sentir todas aquelas sensações como eu senti um dia com você. Se eu pudesse fazer um pedido agora, eu pediria que esse momento nunca acabasse. Era fascinante saber que você era meu, e isso ninguém mudaria. Olhar você com aquele seu sorriso torto nos lábios me fazia acreditar na coisa mais impossível de acontecer. Você me olhando assim, me fazia sentir como uma criança que precisava de um pai mais que o ar pra viver. Te olhar assim me fazia ter certeza de que eu nasci pra você, e você nasceu pra mim. Como se só eu pudesse te entender, te arrancar um sorriso. Como se só eu pudesse perceber pela sua voz que havia algo de errado. Como se você só funcionasse comigo, e eu com você. Era fácil demais sentir-me assim perto de você. Era absurdamente engraçado não saber como tudo isso foi acontecer. Mas era mais absurdo ainda não saber o tamanho de todo esse sentimento. Não houve nenhuma declaração direta, mas foi como se eu soubesse que você era meu, sem você nem ter que falar. Impossível ter qualquer duvida sobre toda a magia existente entre nos dois.
- Hã? - Acordei do meu desvaneio ao ouvir sua voz.
- Você esteve de olhos fechados quase todo o tempo, e quando não estava, me olhava com uma cara de idiota apaixonada. - Você sorriu. - Estava pensando no que? - Sorri feliz.
- Em como é absurda e engraçada a forma como eu te amo. - Procurei as palavras. - Em como é absurda e engraçada a felicidade que me causa esses seus olhos castanhos. - Pausa. - E como é absurda e engraçada a vontade que eu tenho de te ter por perto a todo momento. E em como é absurdo e engraçado o jeito que eu fico quando estou com você.
- Sabe de uma coisa? - Fiquei confusa.
- Não, que coisa?
- E absurdamente engraçado o jeito que você diz coisas lindas pra mim, e mais ainda, é absurdamente engraçado o jeito que suas bochechas ficam vermelhas. - Você riu.
- Ah! A culpa é sua por me fazer te amar assim.
- A culpa é sua por ser extremamente encantadora que eu me recusei a recusar esse amor.
- A culpa é sua por... por... ah, a culpa e sua. - Gargalhamos. (Silencio)
- Eu te amo, e a culpa é minha por querer esse amor.
- Eu te amo muito mais, e a culpa é sua por me fazer tão feliz que eu me recuso a recusar esse amor.

19 de outubro de 2010

It's down to this

I've got to make this life make sense
Can anyone tell what I've done
I miss the life
I miss the colours of the world
Can anyone tell where I am
(Away From The Sun - 3 Doors Down)
A luz do sol brilha longe de mim. As ondas do mar já não tocam mais meus pés. A brisa não acaricia mais meu rosto. E a saudade já não e mais um medo. Eu sinto falta daquelas pequenas coisas que costumávamos fazer. De quem costumávamos ser quando estávamos frente a frente. E, mesmo que no silencio, nossos olhos diziam o que nossas bocas nunca se atreveram a tentar. Nossas mãos uniam-se como um eclipse, qualquer pessoa escutaria meu coração a quilômetros de distancia se quisesse. Era fácil sorrir com meus olhos olhando os seus que olhavam os meus sorrindo. Era fácil esquecer que havia um mundo a nossa volta. Era fácil perder a noção do tempo ao seu lado. Dia ou noite, nunca me importei, eu tinha você. Era magico e infantil o jeito que costumávamos contar as estrelas. Você achava ridículo e adorável o jeito que eu ficava chateada quando perdia a conta. Você, um dia, prometeu comprar-me uma estrela. Disse que compraria a mais brilhante, a maior, a mais linda, só pra mim. Disse que faria qualquer coisa pra ver um sorriso nessa minha boca, mas você mal sabia que eu sorriria só de estar com você. Você nunca entendeu muito o motivo das minhas lágrimas por brigas bobas. Você nunca entendeu como era fácil amar você. Como meu coração acelerava só de ver seu sorriso, só de ouvir a sua voz. Você nunca entendeu muito bem o porque de eu amar você. Eu nunca entendi nem um pouco o porque de você me amar. Mas agente se amava mesmo assim. E por tantos momentos eu pensei que amor como nosso não existiria jamais. Que toda aquela magia que eu achei que presenciava era nossa e de mais ninguém. Todos aqueles fins de tarde em que íamos a praia só pra ver o sol se por me fazia sorrir como uma criança. Você fazia com que eu me sentisse uma criança só pelo seu jeito de sorrir, de me olhar, de me tocar, só por ser quem você era quando estava comigo. Você era o motivo dos meus olhos abrirem toda manha. Meus lábios amanheciam sorrindo sei la por qual motivo, acho que era porque eu sempre sonhava com você. Todas as noites, sem exceção. Meus olhos eram como o sol e as estrelas, só por saber que eu tinha você pra mim, que seu amor era meu, seus sorrisos eram meus, que era a mim quem você procurava quando queria carinho, que era comigo que você dormia todas as noites e passava horas conversando. Era a mim que você acordava todas as manhas com vários beijos pelo rosto. Era a mim que você via dormir por horas quando não conseguia dormir. Era eu que acordava assustada por perceber seus olhos olhando os meus fechados, era eu que te chamava pra dormir e que te acariciava o rosto ate você pegar no sono. Eu sorria só por saber que eu te amava e que você me amava. Eu sorria apenas por saber que ninguém acabaria com todo o sentimento que nos dois construimos juntos. Eu sorria quando estávamos naquela estrada, dentro daquele carro, ouvindo aquela musica que tanto amávamos, nos olhando como sempre fazíamos, sorrindo como duas crianças, e sem saber do amanha como todas as pessoas. Eu não sei porque, nunca entendi o motivo, não entendo como isso foi acontecer, nunca entenderei. Mas foi você que eu vi sair pela porta sem ter o que falar, sem ter como explicar. Foi você que eu vi deixando pra trás tudo o que vivemos juntos. Foi você que nem ao menos um beijo na testa me deu, como sempre fazia quando brigávamos. Você foi, e nem ao menos disse quando voltaria ou se voltaria. Meus olhos paralisaram-se e nem uma lágrima se quer ousou escorrer. Eu apenas queria entender. Eu apenas queria saber se eu havia feito alguma coisa de errado. Eu não senti. Eu não senti como se fosse eu ali, parada na porta, esperando você dar meia volta e entrar novamente e dar uma desculpa qualquer por ter tido tal devaneio. Mas era eu, apenas era um eu que eu não conhecia mais. Como se houvesse duas de mim. E a melhor parte de mim foi junto com você. Você levou minha alma consigo e deixou o corpo. Eu me mexia, mas eu não sentia mais. Eu não entendi, eu nunca vou entender o por que você me deixou assim. Mas eu não vou desistir, nunca. Por que o nosso amor, pra mim, vai ser sempre o mais lindo, o mais magico, o mais verdadeiro de todo o amor existente em todo o universo. Porque, por mais que eu ame, o amor ainda existe, você o esqueceu em um lugar qualquer dentro do seu coração.

18 de outubro de 2010

Don't let me

fall asleep
Feeling empty again
'Cause I fear I might break
And I fear I can't take it
Tonight I'll lie awake
Feeling empty
(Pressure - Paramore)
        Abriu os olhos na esperança de encontra-lo ali, deitado ao seu lado. Gritou como se pudesse fazer a dor pular para fora de seu corpo junto com o ar, como se pudesse fazê-lo escutar. Ela sabia que ele não escutaria, era fraca ate para isso.
        Puxou a camisa xadrez jogada na ponta da cama e vestiu sobre sua camiseta branca sem graça. A camisa xadrez azul era ele, e ela, a branca sem graça. Gostou da comparação que fez, era exactamente o que ele era para ela, um complemento. O objeto indireto e o verbo transitivo indireto. Um não tem sentido sem o outro. Ela sentia-se assim, como se não fosse ela sem ele. Como se, ao deixar aquela casa, ele houvesse levado seu espírito e deixado seu corpo.
        Bebeu, em um só gole, aquele copo que continha vodka quente. Aquilo desceu por sua garganta queimando, só não queimava mais que a dor que sentia. Nada queimaria. Saiu para aquele frio na esperança de não ouvir mais aquele silencio barulhento que ouvia a poucos minutos.
        Assim que pôs o pé na calcada e sentiu aquele vento em seu rosto que fez seu cabelo voar, ouviu o que temia. Aquela pergunta que sempre a faziam quando saia de casa. Ela não sabia o que responder, antes era tão fácil dizer que ele estava dormindo, mas agora, ela não sabia o que dizer.
        Aquelas malditas lágrimas da noite anterior voltaram e inundaram, novamente, seus olhos castanhos que não enxergavam nada a sua frente. Ela viu o mundo inteiro girar, ouviu todos rirem, e não aguentou. Ninguém aguentaria. Largou aquela senhora falando sozinha e correu para o parque. Se pudesse, acabaria com todas as lágrimas do universo, com toda a dor, todas as brigas, toda a distancia, toda separação, toda saudade. Principalmente a saudade.
        Não olhava para frente, qualquer contato com quaisquer olhos castanhos a faria chorar mais. Seus olhos eram baixos, e olhavam para cada centímetro que andava, então não notou quando o parque passou por ela. Seus pés a levavam sabe-se la para onde, nem ela sabia. Ou talvez soubesse, mas deixou eles a guiarem. Ela queria não saber para onde ela estava indo. Mas sabia.
        Quando olhou a sua volta, viu aquele prédio de doze andares e aquele jardim lindo que ela tanto amava a sua frente, ela quis gritar, não seria difícil de ele escutar do 5 andar. Porem não o fez. Ela apenas observou a janela aberta, imaginando se ele estaria ou se esquecera aberta como sempre.
        Arrependeu-se de ter deixado que seus pés a guiassem ate ali quando viu a cortina se mexer e ele surgir de repente. O viu debruçar na grade da varanda e observar aquele dia nublado sobre ele. Ela não ligou em saber que ele poderia ter a visto ali, o observando com um sorrisinho apaixonado nos lábios, com os olhos brilhando e o coração acelerado de saber que ele estava ali bem perto.
        Foi chegando mais perto do edifício cor de mel e nunca se arrependeu tanto por isso. Seus olhos viram um corpo encostar no dele vagarosamente. Sentiu seu coração quase pular para fora, seu sangue fervendo, ela jurava que estava vermelha. Por um instante pensou em ter visto seus olhos cruzarem com os dele. Cruzaram. Aqueles olhos castanhos que ela tanto amava, mesmo que de longe, olhavam os dela como se pudesse puxa-la para si como sempre fez. Ela não sabia, nem nunca vai saber, mas ele sairia correndo dali ate ela, se pudesse.
        As lágrimas que haviam secado, agora, estavam tão presentes como nunca haviam estado. Ela poderia inundar toda Manhattan se quisesse, se não tentasse ser forte. Sorriu para ele da forma mais falsa que conseguiu, da forma mais conformada que conseguiu. Colocou a mão no bolso da camisa xadrez e tirou um pingente pequeno em forma de coração. Seus queimaram ao ver o brilho do objeto em sua mão. Prendeu o choro na garganta e olhou para ele com olhos de dor, de saudade, de sensações que nem eu sei explicar. Deixou cair o pingente e saiu correndo do mesmo jeito que havia chegado ali.
        Tirou a camisa xadrez e jogou em cima do sofá, como se o jogasse e disse, Ei, eu não preciso de você para sobreviver. Mas ela precisava, e ela sabia disso. Encheu mais um copo de vodka, pura, sem nada. Aquele liquido acido, gelado, desceu queimando por sua garganta e fazendo sua cabeça girar. Aquela dor passaria, nem que para isso ela precisasse sobreviver com doses de vodka. Nem que para isso ela precisasse afogar, todos os dias, sua dor naquele maldito copo de vodka.

13 de outubro de 2010

Do you know?

You know I love you so.
(Yellow - Coldplay)
Ela deitou na grama verde e limpa do parque e olhou para as estrelas. Ela as imaginou dizendo, Ei, nos brilhamos por você. Nos brilhamos por vocês dois. Ela sorriu com seu pensamento e olhou para aquele rosto ao seu lado, aquele rosto no qual ela sonhara inúmeras vezes que havia ate perdido a conta. Ela sorriu um sorriso que mal cabia em seu rosto ao -lo sorrir para ela. Seus olhos encontraram os dele, que olhavam os dela querendo-os mais perto. Ela desejou poder controlar o tempo para congelar exatamente aquele momento, e torna-lo eterno.
- Se eu disser uma coisa, você jura não rir? - Perguntou ela, ainda com medo da sua própria pergunta.
- Juro, juro, juro. - Jurou ele, cruzando os dedos e os beijando em forma de xis que a fez sorrir.
- Eu perdi a conta de quantas vezes me imaginei deitada olhando as estrelas com você ao meu lado. - Sorriu tímida, escondendo o rosto nas mangas do casado. Ele sorriu um sorriso encantador.
- Eu perdi a conta de quantas vezes imaginei esse seu sorriso meigo pra mim. - Ele riu baixo, fazendo-a beliscar seu nariz.
- Eu disse para não rir. - Fez bico.
- Ei, isso doeu. - Ele sorriu, puxando-a pela cintura, fazendo-a encostar em seu peito. - Ri de felicidade, ri porque eu nos imaginei tanto assim e, agora, veja , nos estamos aqui. - Ele sorriu bobo que a fez gargalhar.
- nos imaginei tanto, em tantas ocasiões diferentes, que um dia achei que fosse imaginação. - Parou. - Mas veja, estamos aqui e eu não consigo nem imaginar um futuro longe de você. Isso me da medo. - Ela o olhou nos olhos, dizendo tudo que queria apenas naquele olhar.
- Você não precisa ter medo, eu estou aqui.
- Mas e se amanha eu acordar e não te encontrar aqui? E se você enjo--
- Não repita isso nunca. - Ele a interrompeu. - Isso esta fora de cogitacao.
- Mas eu ainda tenho medo. Eu não quero perder você. - Ela deixou uma lágrima cair. Maldita lágrima. Ele a enxugou.
- Você não vai perder, nunca. Sabe por que? - Ele sorriu.
- Não, por que?
- Porque eu amo você, pimentinha, e eu não vivo sem você. - Os olhos dele brilhavam e ela achou que seu coração fosse pular para fora. Ele batia tao alto que ela teve medo que ele escutasse.
- Promete que não vai me deixar nunca? Promete que se você quiser ir embora, você vai me dizer? - Ela tinha medo nos olhos, e ele podia enxergar isso.
- Eu prometo, mas você precisa escolher uma data. - Ele disse querendo sorrir e rir da cara de espantada dela.
- Para? - Perguntou confusa.
- Para gente se casar.

12 de outubro de 2010

The smell of you

in every single dream I dream
I knew when we collided
You're the one I have decided who's one of my kind
(Hey, Soul Sister - Train)
        Saiu porta a fora na esperança de sentir o que não sentia ali, trancada naquele apartamento que tanta coisa trazia. Olhou, sem ver, aquelas pessoas passando pela calcada depressa, correndo para chegar em suas casas em mais um fim de dia. Sentiu aquele dia, quase noite, e percebeu que não havia sol, nem vento. Era um dia cinza como outro qualquer em Manhattan.
        Guardou as mãos nos bolsos do enorme sobretudo preto e andou. Andou ate que seus pés pedissem socorro. Quando pode perceber, estava em frente ao Central Park. Não podia-se ver muito do verde que ali era presença constante, mas a magia daquele lugar permanecera intacta.
        Sentou-se em um banco qualquer, ainda com as mãos guardadas. Cantarolou uma musica baixo demais, que ate ela mesmo não escutava. Sentiu seus olhos encherem-se de lágrimas e a garganta queimar. Não se mexeu. Não mexeu um músculo. Continuou sentindo seus olhos encharcados, revirou os olhos na esperança de sentir as lágrimas evaporarem. No entanto, a única coisa que sentiu, foram as lágrimas escorrerem por todo o seu rosto.
        Depois disso não conseguiu controlar mais, as lágrimas viraram a sua única companhia. Olhou aquelas criancinhas minúsculas brincando com aqueles balões coloridos para la e para . Sorriu por imaginar que um dia ela poderia ter uma criancinha minúscula como aquelas. Sentiu uma presença ao seu lado, não quis olhar. Mas seus olhos sempre a traiam.
- Oi. - Disse uma voz conhecida ao seu lado. Fechou os olhos na esperança de que tivesse sido um desvaneio. Não foi.
- Oi. - Conseguiu dizer, embora baixo, aquela monossílaba.
- Você esta bem? - Perguntou.
- Arram. - Ela disse, o mais indiferente que pode. - E você?
- Também.
- Certo. - Disse, querendo correr dali, querendo não ter saído de casa, não ter deixado aquela solidão sozinha.
- Nao vai olhar pra mim? - Perguntou, quase suplicando. Ela se virou, impedindo-se de olha-lo. Seus olhos a traíram novamente, como sempre faziam. Ele abriu sorriso pequeno e infantil que a fez sorrir também. - O que tem feito?
- Consegui montar meu consultório. - Disse.
- Nossa! Eu fico tão feliz por você, meu... e, eu fico feliz! - Disse ele, embolando-se em suas proprias palavras.
- Obrigada. - Disse, tentando esconder uma certa felicidade em saber que ele cometia o mesmo erro que ela. - E você?
- Ah, eu e os caras estamos fechando um contrato com uma gravadora e tudo mais. - Disse ele, gesticulando com as mãos.
- Isso parece legal, boa sorte. - Ela sorriu de lado para ele.
- Obrigada.
O silencio tomou conta do Central Park. Pelo menos para eles dois. Mas na verdade, o silencio nunca os incomodou muito. Eles gostavam de ouvir a respiração um do outro, era o suficiente. Ele a puxou para perto de si, encostando-a em seu peito na esperança de sentir aquele cheiro novamente. Ela não recusou, queria sentir o cheiro dele também. Fechou os olhos por sentir ele ali, tão perto.
- Sabe... eu... eu sei que agente brigava muito. E..
- E, agente brigava muito mesmo. - Ela o interrompeu, com um sorriso nos lábios por lembrar das brigas. Sempre preferiu ficar sem se falar por terem brigado, ao ficar sem se falar por nenhum motivo.
- Eu estava pensando e, bom, nos poderíamos ser infelizes juntos, brigando, mas felizes por... por estarmos juntos. - Disse ele, olhando sua mão procurando a dela. Ela abriu os olhos e sentiu as lágrimas tomarem conta do seu rosto. Como doía ouvir aquilo, como era bom e como era estranho. Ela não respondeu, apenas chorou em silencio. Ele entendeu seu silencio, sempre entendia. Levantou-se e deu um beijo demorado na testa dela, querendo não ter que ir.
- A gente se por ai, meu amor. - Ele percebeu seu erro, mas o que fazer se ela era mesmo o grande amor dele?
- Ta. Cuide-se e boa sorte la com a coisa toda da banda. - Ela disse com voz de choro e secando as lágrimas que ainda insistiam em cair de seus olhos.
- Certo, boa sorte com seu consultório. Devo ir la qualquer dia desses. - Brincou sem rir. - Eu te amo. - Disse baixo, porem o suficiente para ela escutar.
- Eu sempre te amei. - Ela confessou, dando o sorriso meigo que ele tanto amava. Aqueles olhos que a pouco choravam, agora, viam ele partir. Gostou de ter saido do seu apartamento frio, gostou de ter escutado aquela voz que tanto a acalmava, gostou de ter sentido aquele cheiro que tanto a fazia falta. Gostou de te-lo ali, tão perto. E gostou, mais ainda, por saber que ele ainda sentia o mesmo que ela.